Padre que afirmou que menina de 10 anos “gosta de dar” será investigado por apologia ao estupro

O padre Ramiro José Perotto, da cidade de Carlinda, no Mato Grosso, se tornou, nesta sexta-feira (21), alvo de uma investigação da Polícia Civil do estado, que vai apurar possível apologia ao estupro praticada pelo religioso.

O clérigo, que responsabilizou a menina de 10 anos do Espírito Santo pelos abusos sexuais que sofria do próprio tio, terá que prestar esclarecimentos na delegacia.

Na última terça-feira (18), Perroto fez publicações no Facebook dizendo que a menina, que teve que ser submetida a um aborto autorizado pela Justiça após engravidar do tio, “gostava” do estupro.

“Aposto, minha cara. Ela compactuou com tudo e agora é menina inocente. Gosta de dar então assuma as consequências”, escreveu o padre em resposta a uma internauta, que comentou o compartilhamento de uma postagem do religioso em que o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Walmor Oliveira de Azevedo, criticava a interrupção da gravidez da criança.

“Você acredita que a menina é inocente? Acredita em Papai Noel também. Seis anos, por quatro anos, e não disse nada. Claro que estava gostando”, completou Perroto.

Para a investigação, o delegado responsável pelo caso, Pablo Bonifácio Carneiro, pediu cópias de uma entrevista que o religioso concedeu à uma emissora de TV ficha de antecedentes criminais.

O Ministério Público do Mato Grosso também abriu investigação contra o padre pelo mesmo motivo.

Diante das críticas aos comentários que fez, o religioso divulgou, nesta quinta-feira (20), uma nota de pedido de desculpas, pouco antes de excluir seu perfil no Facebook.

“Assumo a responsabilidade de ter proferido palavras desagradáveis, e justifico que compartilho da defesa da vida, nunca condenar e tirar julgamentos. Não foi minha intenção proferir palavras de baixo calão, as quais não comungam com minha fé e minha crença na pessoa humana. Àqueles que se sentiram ofendidos, só resta meu pedido de perdão”, escreveu Perroto.

“Excluí meu Facebook por não querer mais ofender e ser ofendido. Precisamos ser fraternos. Sempre preguei isso. As vezes que não fui, que Deus me perdoe. Lutemos pela vida, ela é dom de Deus”, completou o padre.

Fonte: Revista Fórum

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