Povo Arara da TI Cachoeira Seca vai a Brasília denunciar situação territorial

O povo Arara da Terra Indígena (TI) Cachoeira Seca estará em Brasília a partir da próxima segunda-feira (30), para se reunir com parlamentares, representantes de embaixadas e de organismos internacionais que defendem os direitos humanos. A viagem ocorre no âmbito da campanha Guardiões do Iriri e tem o objetivo de denunciar as violações que sofrem na TI há mais de 30 anos e obter apoio. A visita ocorre na sequência da mobilização indígena nacional “Luta pela Vida”.

TI é a mais desmatada do Brasil e sofre as consequências da construção de Belo Monte

A TI Cachoeira Seca abrange uma área de mais de 730 mil hectares no Pará, mais especificamente na região do Médio Xingu, e abriga uma das maiores biodiversidades da Amazônia.

Desde o primeiro contato, em 1987, os Arara da TI Cachoeira Seca têm a violência e a devastação como marcas. Infelizmente, a Cachoeira Seca é a terra indígena mais desmatada do Brasil. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), entre 2008 e 2020, a TI perdeu um total de 367,9 Km² de floresta. Devastação que corresponde a uma área maior do que a cidade de Belo Horizonte, capital de Minas Gerais (331,3 Km²).

A situação alarmante se deve, principalmente, aos impactos da chegada da Rodovia Transamazônica (BR 230) e da construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, com consequente aumento da especulação imobiliária, grilagem de terras e incremento de atividades ilegais de extração mineral e madeireira.

Apesar da homologação e demarcação da reserva, determinadas em 2016 pelo Governo Federal, mais de 1.200 famílias não indígenas ocupam o território, de acordo com a Fundação Nacional do Índio (Funai). De forma irregular, tem ocorrido loteamento e venda de terras dentro da TI.

Campanha

Diante da situação, contando com o apoio de diversas organizações nacionais e internacionais, os Arara da TI Cachoeira Seca lançaram, em março, a campanha “Guardiões do Iriri” com o objetivo de construir um grande pacto de paz na região, dando um basta na violência. Eles buscam construir uma rede de apoio para defender a floresta amazônica e pressionar as autoridades públicas para que seja realizada a retirada de todos os não indígenas da TI.

Fonte: Divulgação I Associação Kowit/Instituto Maíra

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