Projeto “Traços de Amor” usa tatuagem para contribuir com autoestima de mulheres que tiveram câncer

Um projeto voluntário, em Santarém, oeste do Pará, está ajudando mulheres que enfrentam ou enfrentaram o câncer, a recuperarem a autoestima.

A iniciativa, realizada para lembrar o Dia Mundial do Câncer (4/2) é da tatuadora Yara Dolzany, do estúdio Dol Z Tattoo e tem como finalidade cobrir com tatuagens as cicatrizes físicas e/ou emocionais, provocadas pela doença.

Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), a estimativa é que 600 mil novos casos de câncer surjam no Brasil a cada ano.

A intervenção cirúrgica, sessões de radioterapia e quimioterapia estão entre as opções de tratamento da doença. Procedimentos necessários, mas que também podem gerar efeitos físicos e comprometer em diversos graus a autoestima, a imagem corporal e a identidade feminina daquelas que recebem o diagnóstico do câncer.

Formada em farmácia, com especialização em Farmacologia Clínica e Prescrição Farmacêutica e residência em Atenção Integral em Traumatologia e Ortopedia, Yara Dolzany, uniu os cuidados e conhecimentos que possui na área da saúde com o dom de desenhar para cobrir com traços de amor, as cicatrizes deixadas pela doença no corpo e na alma.

“As tatuagens foram criadas exclusivamente para cada uma, a partir do sentimento e da relação que cada mulher teve no seu processo de enfrentamento da doença. Fiz questão de conhecer a trajetória delas para expressar corretamente o que elas desejam eternizar”, explica a idealizadora do projeto.

Histórias de superação

A autônoma Marília Sena Barros, de 31 anos, integrante do Grupo Mulheres Vitoriosas, foi uma das beneficiadas com a primeira ação do projeto.

No final de 2020, ela descobriu um câncer de colo uterino, após perder sua bebê em um parto prematuro. Para combater a doença, a jovem precisou fazer a retirada do útero.

“A minha tatuagem tem três elementos. São duas libélulas, uma grande que sou eu e uma pequena que é minha filha e significa a minha transformação, meu processo de aceitar um diagnóstico e vencer. A segunda é a palavra ‘gratidão’, pois sou muito grata pela oportunidade de estar viva. As folhas de oliveira significam uma vitória após um dilúvio, pois hoje estou curada, não tenho mais câncer. Esta tatuagem simboliza minha trajetória na luta contra o câncer”, afirma Marília.

A professora Célia Mara Duarte, de 53 anos, fez tratamento para um câncer no duodeno em 2017 e também marcou na pele sua história de superação contra a doença.

“É minha primeira tatuagem e escolhi a borboleta que significa o meu processo de transformação. Associei esse processo ao tratamento do câncer porque a gente sai da doença muito mais forte. Fiz também a frase ‘sou feita de cicatriz e gratidão’ porque durante todo esse processo a gente também adquire uma cicatriz na alma, mas sou grata porque sou uma nova pessoa, mais sensível e mais humana. Aprendi a olhar o mundo por outro ângulo”, conta.

Artista reconhecida

Ainda criança, com 7 anos, Yara já fazia desenhos e pinturas que eram notados pela mãe e professores. Ao longo dos anos realizou cursos de técnicas e noções de proporção e perspectiva, o que aperfeiçoou ainda mais suas criações, desenvolvendo habilidades como pintura, escultura, colagem e desenhos realistas.

Em 2019 fez curso de tatuagem profissional e passou a expressar e eternizar sua arte na pele das pessoas.

Yara foi a única artista brasileira selecionada no concurso de desenhos Tears for Water, promovido pela cantora norte-americana Alicia Keys, em 2018. A jovem tatuadora foi mencionada nas redes sociais de Alicia como profissional “criativa e poderosa” por ser capaz de criar uma arte a partir de uma fotografia, em menos de 24 horas. (Conheça o trabalho da artista)

“É um projeto de mulher para mulheres que busca amenizar esses sentimentos das marcas negativas deixadas pela doença. Com a arte queremos estimular essas guerreiras a valorizar a sua identidade feminina, confiar nas novas mulheres que se tornaram, e colaborar para que reconheçam o valor e a força que possuem”, afirma Yara Dolzany.

O projeto “Traços de Amor” contou com a parceria do Grupo Mulheres Vitoriosas que acolhe e orienta mulheres que passaram ou estão passando por tratamento oncológico.

“É uma iniciativa muito positiva que ajuda a elevar e a resgatar a autoestima de uma paciente oncológica. As cicatrizes da doença nos remetem a momentos negativos. É importante fazermos a substituição dos sentimentos e destacar os positivos, pois estamos vivas, somos vitoriosas e muito fortes. É a oportunidade de fazer uma nova marca, um novo traço de amor e carinho. Muita gratidão pelo olhar e sensibilidade da Yara”, relata Ralieny Pereira, membro da coordenação do Grupo Mulheres Vitoriosas.

Fonte: Divulgação I Ascom HRBA I Fotos: Divulgação Dol Z Tattoo

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