# Observatório do Mercúrio: lançada plataforma que reúne estudos e informações sobre mercúrio e garimpo na região pan-amazônica

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- Published: 2021-07-24T11:14:28-03:00
- Author: Redação

## _Ferramenta foi desenvolvida pelo WWF-Brasil, Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), Cincia (Centro de Innovación Científica Amazónica) e outras instituições_

![](https://i0.wp.com/oquartopoder.com.br/wp-content/uploads/2021/07/terra-indigena-
de-jurena-no-mato-grosso.jpg?resize=735%2C464&ssl=1)

**Vista aérea do garimpo Jurena, no estado do Mato Grosso. Foto: Zig Koch/WWF**

As violentas invasões de garimpeiros em terras indígenas, como as sofridas pelo 
povo Munduruku, no Pará, e pelos Yanomami, em Roraima, não são exceção, mas sim 
uma amostra do cenário atual da Amazônia. O Observatório do Mercúrio, plataforma
georreferenciada lançada esta semana, que reúne estudos sobre o mercúrio e dados
referentes à exploração de ouro, mostra a grande quantidade de garimpo legal e ilegal
em TIs (Terras Indígenas).
**[A plataforma](https://wwf.org.br/observatoriodomercurio)**
abrange não só a Amazônia brasileira, como toda a Pan-Amazônia (que inclui outros
países com floresta amazônica) e mostra a mesma pressão sobre povos indígenas na
Colômbia, Guyana e Bolívia. Além da terra Munduruku, no Pará, é possível localizar
atividades de mineração, por exemplo, na área dos Menkragnotí; na TI Baú, do povo
Kayapó; e na TI Xikrin do Cateté. No Maranhão, há garimpo bem no limite da TI Alto
Turiaçu; no Amazonas, nas TIs Marapi, Rio Biá, Waimiri-Atroari, entre outras. A 
condição se repete em todos os estados brasileiros e países com floresta amazônica,
como a TI Pilón Lajas, na Bolívia.Na **[plataforma](https://wwf.org.br/observatoriodomercurio)**
é possível fazer uma navegação georreferenciada por meio de camadas, o que facilita
a localização espacial das atividades mineradoras. Por exemplo, ao escolher as camadas
Municípios, Mineração, Mineração ilegal, Contaminação por mercúrio em humanos e 
Contaminação por mercúrio em peixes, é possível visualizar as regiões onde foram
feitos estudos que apontam contaminação por mercúrio e as áreas de garimpo.No Pará,
por exemplo, a maior concentração de garimpo legal e ilegal está na região de Itaituba,
a oeste do estado, a mais de 1.200 quilômetros de Belém, inclusive em Áreas Protegidas(
outra camada disponível). No caso de Manaus, o ponto de garimpo mais próximo mostrado
pelo Observatório fica perto do município de Maués, a mais de 260 quilômetros da
capital amazonense em linha reta e acessível somente por balsa pelo rio Amazonas.
Junto com o garimpo e a violência chega também o mercúrio, metal utilizado para 
separar o ouro de outros sedimentos. Ele se soma ao mercúrio que também está presente
na natureza e é liberado à atmosfera pelo desmatamento, queimadas e alterações provocadas
pelo homem, alcançando níveis prejudiciais à saúde. Em três comunidades Munduruku,
6 em cada 10 indígenas apresentaram níveis de mercúrio acima dos limites máximos
estabelecidos como seguros por agências de saúde internacionais. Essas comunidades
ficam entre os municípios de Itaituba e Trairão, no Médio Tapajós, no Pará. Na plataforma,
é possível visualizar registros dos estudos feitos sobre a contaminação com humanos
e com os peixes. Em um deles, realizado com uma comunidade ribeirinha próxima à 
TI Munduruku, foi registrado um nível 12 vezes acima do limite máximo considerado
seguro.“O mercúrio é mais um problema em uma cadeia de vulnerabilidades”, afirma
a pesquisadora Sandra Hacon, da Ensp/Fiocruz (Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio
Arouca da Fundação Oswaldo Cruz). Sandra é uma das autoras de um estudo sobre o 
impacto do mercúrio na Amazônia Oriental, realizado em 2019, que detectou níveis
de contaminação em fios de cabelos de todos os indígenas participantes da pesquisa,
sem exceção – crianças, adultos e idosos.A ativista do movimento indígena de Roraima
Jama Wapichana tem acompanhado de perto a complexa e criminosa cadeia do garimpo,
e cita os problemas enfrentados pelos Yanomami. “Os parentes dessa etnia acabam 
por sair do território destruído pelo garimpo e vão para as cidades com a família
toda, sem qualquer apoio. A falta de um mínimo de condições de vida os leva ao álcool,
ao suicídio. Muitos se jogam na frente de veículos na estrada para se matar”, diz.
Por trás do garimpo fica o rastro de destruição e a perda da cultura e do modo de
vida de diversos povos. “Não falo só dos indígenas. A população ribeirinha e a das
cidades depende da saúde dos nossos rios. O principal deles, o rio Branco, recebe
a contaminação do garimpo por meio de seus afluentes e, por sua vez, vai desaguar
no rio Negro. O rastro de destruição é muito grande.”“Com a publicação do Observatório
do Mercúrio, as evidências do problema premente do uso ilegal de mercúrio no garimpo
ficam públicas”, afirma Marcelo Oliveira, especialista de conservação do WWF-Brasil
e líder da agenda de combate ao garimpo ilegal. “A ambição é que a reunião desses
dados e informações sobre a Pan-Amazônia possa servir de apoio técnico-científico
à elaboração e implementação de políticas públicas e à tomada de decisões que promovam
a legalidade e a conservação da região e respeitem a autonomia e os direitos dos
povos tradicionais locais, incluindo indígenas, ribeirinhos e quilombolas.”Jama 
explica que, além de comando e controle, faltam políticas públicas que também garantam
a autonomia, saúde e vida digna aos povos indígenas. “Os povos indígenas precisam
de segurança e instituições fortes a favor deles para que possam continuar lutando
por suas terras e enxergando um futuro digno em seu modo tradicional de viver.”

_Por [WWF-Brasil](https://www.wwf.org.br/)_
