# Ações do poder público contra queimadas no Pará são insuficientes, aponta MPF

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- Published: 2024-12-05T16:59:43-03:00
- Author: Redação

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Por Guilherme Ferreira

As medidas adotadas até agora pelos órgãos públicos para combater as queimadas no
Pará e proteger os povos e comunidades tradicionais mostraram-se insuficientes. 
É o que aponta um balanço elaborado pelo Ministério Público Federal (MPF). O órgão
classificou a atuação do poder público como insuficiente, desarticulada, demorada
e sem estrutura.

No estudo, o MPF destaca os impactos das queimadas sobre os povos indígenas e quilombolas,
que sofrem com a devastação da floresta, sua principal fonte de subsistência física
e cultural. O relatório também frisa que a destruição das áreas de cultivo, caça
e coleta compromete diretamente a segurança alimentar das comunidades tradicionais,
além de agravar a escassez hídrica.

Além dos danos ambientais, o documento ressalta os impactos causados à saúde pública.
A fumaça decorrente das fumaças tem provocado um aumento no número de atendimentos
por sintomas respiratórios, sobretudo entre crianças e idosos. De acordo com o MPF,
há relatos de indígenas e quilombolas hospitalizados por asfixia, e até mesmo de
mortes por intoxicação.

O relatório elaborado pelo órgão foi enviado à Câmara de Populações Indígenas e 
Comunidades Tradicionais (6CCR) e à Câmara Ambiental (4CCR) do MPF na última sexta-
feira (29). Os procuradores pedem que o documento seja encaminhado ao procurador-
geral da República.

A seguir, confira o balanço e os resultados das providências tomadas pelo MPF em
relação aos casos de megaincêndio no Pará:

**Terra Indígena (TI) Xikrin do Cateté (Água Azul do Norte, Marabá e Parauapebas)**

O MPF instaurou um procedimento após relatos de incêndios. Segundo o MPF, diligências
da instituição revelaram falta de ação efetiva por parte dos órgãos responsáveis,
como Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama),
Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e Corpo de Bombeiros. O MPF considera
que as respostas foram evasivas e indicaram desarticulação entre as instituições
e ausência de brigadistas e equipamentos adequados.

A prefeitura de Parauapebas afirmou não ter articulação com a Funai para combate
aos incêndios. Apesar dos ofícios e solicitações do MPF, o fogo continuou se alastrando.
O MPF propôs ação judicial para buscar a implementação de um plano emergencial de
combate aos incêndios. No entanto, por determinação do Supremo Tribunal Federal (
STF), foram suspensos todos os processos judiciais e efeitos de decisões relacionadas
à prevenção e ao combate a incêndios na Amazônia e no Pantanal. A decisão foi tomada
na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 743.

**TI Alto Rio Guamá (Paragominas, Nova Esperança do Piriá, Cachoeira do Piriá, Santa
Luzia do Pará, Garrafão do Norte, Capitão Poço e Viseu):**

O MPF recebeu denúncias de incêndios na TI Alto Rio Guamá, com relatos de indígenas
e quilombolas da região hospitalizados por asfixia e até mortes por intoxicação.
O Corpo de Bombeiros alegou inviabilidade técnica para entrar na TI, registra o 
MPF. A Funai relatou dificuldades em controlar o fogo e articulou apoio de brigadistas
do Ibama e da Força Nacional.

**TIs Turé-Mariquita I e II (Tomé-Açu) e Territórios Quilombolas da Associação dos
Moradores e Agricultores Remanescentes Quilombolas do Alto Acará (Amarqualta, Acará)**

O MPF instaurou procedimento após denúncias de incêndios. Apesar do contato dos 
órgãos responsáveis com a comunidade, não houve deslocamento de equipes para o local,
registra o MPF. A resposta do Ibama à instituição limitou-se a solicitar o preenchimento
de formulário pela comunidade. Relatos indicam que a Força Nacional priorizou aldeias
indígenas, negligenciando o território quilombola, informa o MPF. As comunidades
seguem combatendo o fogo com recursos próprios, apontam.

**TI Anambé (Moju)**

O MPF instaurou dois procedimentos para apurar incêndios na TI Anambé. Foram expedidos
ofícios para diversos órgãos – como Ibama, Funai e Defesa Civil – solicitando informações
sobre as medidas de combate ao fogo e assistência à comunidade indígena. Até o momento,
apenas o Corpo de Bombeiros respondeu, informando sobre a Operação Fênix e as ações
de combate aos incêndios florestais.
TIs Munduruku, Kayabi e Sai Cinza (Jacareacanga)
e Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Terra Nossa (Altamira e Novo Progresso)

O MPF instaurou procedimento para apurar o aumento exponencial de queimadas. Diante
da gravidade da situação e da falta de ações eficazes, e, assim como no caso da 
TI Xikrin do Cateté, o MPF propôs ação judicial para buscar a implementação de um
plano emergencial de combate aos incêndios na região. Esse processo também está 
suspenso pela determinação do STF na ADPF 743. A situação ainda é preocupante, com
relatos de intensa fumaça na região, registra o MPF.

**Microrregião de Santarém**

O MPF instaurou procedimento para acompanhar a atuação preventiva dos órgãos públicos
em relação à estiagem e queimadas. Diante da péssima qualidade do ar e da falta 
de estrutura para combater os incêndios, [o MPF expediu ofícios e recomendações para diversos órgãos](https://oquartopoder.com.br/2024/11/26/mpf-cobra-a-adocao-de-medidas-urgentes-para-reduzir-os-impactos-da-poluicao-do-ar-em-santarem/),
cobrando ações mais efetivas para proteger a saúde da população e o meio ambiente.
Entre os órgãos cobrados estão Ministério do Meio Ambiente (MMA), Ibama, Funai, 
Secretarias Municipais de Meio Ambiente da região, Secretaria Estadual de Meio Ambiente(
Semas) e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

O MPF também emitiu recomendação para que a prefeitura de Santarém divulgue diariamente
a qualidade do ar e para que as Secretarias de Saúde distribuam máscaras de proteção
à população. A situação é crítica, com Santarém registrando o pior índice de qualidade
do ar do planeta em novembro de 2024.

O relatório completo pode ser acessado [aqui](https://www.mpf.mp.br/pa/sala-de-imprensa/documentos/2024/Oficio18622024GABPRM1RMS.pdf).

Com informações do Ministério Público Federal no Pará.
