# Alimentos e bebidas já concentram quase 20% dos empregos industriais do Pará e miram salto com mais industrialização

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- Published: 2026-09-15T15:19:49-03:00
- Author: Redação

> **_Com 45,3 mil empregos e presença em todo o território paraense, setor que reúne
> cadeias como açaí, cacau, mandioca, carne bovina e dendê é apontado como uma das
> principais apostas para transformar matéria-prima amazônica em produtos de maior
> valor agregado_**

O Pará pode estar diante de uma das maiores oportunidades para transformar sua vocação
produtiva em desenvolvimento industrial: fazer com que produtos que hoje saem do
estado, muitas vezes, como matéria-prima ganhem processamento, tecnologia e valor
antes de chegar ao mercado. A indústria de alimentos e bebidas, que já responde 
por 45.350 empregos e concentra 17,9% de todos os vínculos industriais do estado,
foi apontada como um dos setores com maior potencial para impulsionar essa transformação.

O diagnóstico foi apresentado nesta segunda-feira (14), em Belém, durante o evento“
Cadeias Produtivas – Alimentos e Bebidas”, promovido pela Federação das Indústrias
do Estado do Pará (FIEPA), por meio do Observatório da Indústria, em parceria com
o SENAI e a Rede de Observatórios do Sistema Indústria. A iniciativa reuniu dados
e análises sobre cinco cadeias consideradas estratégicas para a economia paraense:
açaí, cacau, mandioca, carne bovina e dendê.

O levantamento mostra a dimensão que o segmento já alcançou. Dos 253.791 empregos
registrados nas 35 divisões industriais analisadas no Pará, 45.350 estão na fabricação
de produtos alimentícios. A atividade ocupa a primeira posição entre os segmentos
avaliados. A indústria de bebidas aparece na 14ª colocação. Juntas, as duas atividades
formam um dos maiores blocos de empregos da indústria paraense.

Mais do que o tamanho atual, o setor chama atenção pelo comportamento considerado
estável e pela capacidade de expansão. Diferentemente de atividades mais sujeitas
a oscilações sazonais, a cadeia de alimentos apresenta crescimento contínuo, sustentado
principalmente por segmentos como carne, outros produtos alimentícios, óleos e gorduras
e conservas de frutas e vegetais. Esses grupos concentram 79,3% dos empregos do 
setor.

A força da cadeia também está diretamente ligada às características econômicas do
Pará. A indústria utiliza matérias-primas provenientes da pecuária, da agricultura,
da fruticultura, da produção de oleaginosas, do extrativismo e da pesca, criando
uma conexão direta entre a produção no campo e a atividade industrial.

É justamente nessa conexão que está uma das principais oportunidades identificadas
pela FIEPA: a verticalização. A ideia é ampliar o processamento dentro do próprio
estado e fazer com que produtos paraenses cheguem aos mercados com maior valor agregado,
em vez de deixar grande parte desse potencial econômico escapar na venda de matérias-
primas.

Para o presidente do Sistema FIEPA, Alex Carvalho, o mapeamento ajuda a identificar
caminhos para essa transformação. “Nós entendemos a importância de trazer essa oportunidade
de verticalização. Nós identificamos o potencial do Pará na agregação de valor, 
trazendo o atributo da industrialização dos nossos produtos”, afirmou.

Segundo Carvalho, outro objetivo é aproximar a pesquisa aplicada das cadeias que
representam as principais vocações econômicas do estado. A proposta é criar maior
conexão entre indústria, instituições de apoio, especialistas e demais participantes
do ecossistema produtivo, transformando conhecimento e tecnologia em soluções para
problemas concretos enfrentados pelo setor.

O diretor regional do SENAI Pará e superintendente do SESI Pará, Dário Lemos, destacou
que a iniciativa também busca ampliar a percepção sobre a capacidade produtiva da
Amazônia. Para ele, existe um potencial econômico regional que ainda não recebeu
a devida atenção.

“Nós sabemos o potencial que tem no estado e na Amazônia em si. E isso nunca foi
visto. Nunca foi observado, nem por nós e principalmente por quem não é da região”,
afirmou. Segundo Lemos, o setor de alimentos e bebidas pode atuar como indutor do
desenvolvimento regional a partir de produtos que já possuem reconhecimento e demanda.

A escolha do segmento como ponto de partida do projeto de mapeamento das cadeias
produtivas não ocorreu por acaso. Segundo o gerente do Observatório da FIEPA, Felipe
Freitas, a indústria de alimentos reúne características que a colocam em posição
estratégica: é a maior empregadora do setor industrial, apresenta crescimento acima
da média, possui estabilidade, ampla presença territorial e participação no mercado
internacional.

“Primeiro, é o maior empregador da indústria. Segundo, o crescimento acima da média.
É um setor perene, estável e que apresenta crescimento”, explicou.

Outro diferencial é a capilaridade. Há empresas ligadas ao setor em diferentes regiões
dos 144 municípios paraenses, o que amplia a possibilidade de que o fortalecimento
dessas cadeias tenha impacto econômico para além dos grandes centros urbanos.

A demanda internacional também pesa nessa equação. Produtos associados à biodiversidade
e à produção amazônica já conquistaram espaço em mercados de diferentes países, 
o que cria uma oportunidade para ampliar não apenas o volume exportado, mas também
o valor dos produtos comercializados.

O mapeamento inicial concentra-se em cinco cadeias. A carne bovina aparece como 
o maior empregador entre os grupos analisados, enquanto açaí, cacau, mandioca e 
dendê representam cadeias com forte identidade regional e possibilidades de expansão
por meio do processamento industrial, da inovação e da criação de novos produtos.

A proposta, no entanto, não se limita à análise das fábricas. O projeto considera
toda a cadeia produtiva, desde a obtenção da matéria-prima até a chegada do produto
ao consumidor. Isso inclui produção agrícola e extrativista, processamento, tecnologia,
logística, comercialização e acesso aos mercados.

Para Claudio Rodrigues, coordenador estratégico do Instituto SENAI de Tecnologia–
Alimentos e Bebidas, essa visão integrada permite compreender melhor os gargalos
e as oportunidades do setor.

“Esse é um projeto que vai trazer não apenas o know-how, mas também uma visão diferente
da realidade que a gente enfrenta na área de alimentos e bebidas”, afirmou. Segundo
ele, o estudo acompanha o caminho que começa na produção da matéria-prima, seja 
pelo extrativismo ou pela agricultura, e termina na comercialização.

O mapeamento pretende, a partir dos dados reunidos, oferecer uma base para orientar
políticas, investimentos e ações de inovação capazes de fortalecer a indústria paraense.
A expectativa é identificar gargalos, tendências de mercado, oportunidades de crescimento
e caminhos para ampliar a competitividade das empresas.

Em um estado cuja economia ainda tem forte dependência da exportação de commodities
e matérias-primas, o fortalecimento da indústria de alimentos e bebidas abre uma
frente estratégica: produzir mais, processar dentro do Pará e capturar uma parcela
maior da riqueza gerada pelos próprios recursos regionais.

A aposta da FIEPA e das instituições parceiras é que a combinação entre matéria-
prima, conhecimento, tecnologia e indústria possa transformar as vocações econômicas
da Amazônia em cadeias produtivas mais competitivas e capazes de gerar emprego, 
renda e maior valor agregado dentro do próprio estado.
