# Amazônia tem mais de 2,7 mil espécies de peixes, aponta estudo

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- Published: 2026-09-08T13:14:28-03:00
- Author: Redação

**A Bacia Amazônica abriga mais de 2,7 mil espécies de peixes de água doce, cerca
de 15% de todas as espécies conhecidas no mundo.** **Aproximadamente dois terços
delas são encontradas exclusivamente na região.** Os dados fazem parte da quarta
edição do relatório Peixes Esquecidos da Amazônia, liderado pela The Nature Conservancy(
TNC), que reúne informações de mais de 50 especialistas de 30 organizações.

Segundo os autores, a Amazônia é uma das últimas grandes bacias hidrográficas do
mundo em que ainda é possível evitar uma perda de biodiversidade em larga escala
e manter extensos sistemas de rios conectados. Para isso, porém, é preciso intensificar
as ações antes que sejam necessários processos de restauração mais complexos e caros,
explica a cientista da TNC e autora principal do relatório, Fernanda Silva.

> “Em todo o mundo, os esforços de conservação estão cada vez mais voltados à restauração
> dos ecossistemas depois que os danos já ocorreram. A Amazônia oferece uma oportunidade
> diferente: proteger um sistema de água doce de importância global enquanto ele
> ainda está em pleno funcionamento”, disse Fernanda.

**O relatório combina evidências científicas com conhecimento ecológico tradicional.**
A abordagem mostra que os peixes estão diretamente relacionados à manutenção dos
ecossistemas, à segurança alimentar, às culturas, aos meios de subsistência e às
economias das populações que vivem na região.

## Peixes ajudam a manter a floresta

Segundo o levantamento, os peixes são indicadores de uma Amazônia saudável e contribuem
para o funcionamento da floresta.

Tambaquis, pacus e matrinxãs, por exemplo, entram em áreas de floresta alagada para
se alimentar de frutos e podem dispersar sementes por grandes distâncias. Outras
espécies transportam nutrientes e energia entre os ambientes aquáticos e terrestres.
A redução dessas populações pode provocar efeitos em cadeia sobre a vegetação e 
sobre animais que dependem dos peixes, como botos, ariranhas e aves.

A conectividade dos rios é outro elemento central. A dourada, uma das espécies analisadas,
realiza a mais longa migração exclusivamente em água doce já registrada. Um único
indivíduo pode percorrer mais de 11 mil quilômetros durante seu ciclo de vida, conectando
as cabeceiras próximas aos Andes ao estuário do Amazonas.

Quando essas conexões são interrompidas, os impactos podem ser grandes. No rio Madeira,
por exemplo, barragens bloquearam antigas rotas migratórias da dourada e contribuíram
para a redução dos estoques de peixes e para o desaparecimento, na prática, de uma
atividade pesqueira histórica na região da Cachoeira do Teotônio.

## Biodiversidade sob pressão

![14/05/2026 - Belterra - Floresta 
Nacional do Tapajós - Pará - Na comunidade de
Piquiatuba, dentro da Floresta 
Nacional do Tapajós, Elton Vasconcelos criou um 

negócio que une culinária regional, turismo de 
experiência e desenvolvimento comunitário.

A Casa do Eltom virou referência para visitantes que 
buscam viver a Amazônia real:
sabores locais, trilhas, 
hospitalidade e conexão com a floresta. E é exemplo 
vivo
do turismo de base comunitária.
O empreendimento agora amplia sua atuação com 
passeios
turísticos e hospedagem, incluindo a 
implantação de chalés após conseguir aporte
de R$ 
200 mil de investidores e alta demanda já na fase 
inicial. Foto: Rafa Neddermeyer/
Agência Brasil](https://i0.wp.com/imagens.ebc.com.br/UEfuN_s9A01oCWUNJ0QvPODZJjs%
3D/754x0/smart/https%3A//agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/thumbnails/
image/2026/05/29/dji_20260514133627_0225_d_55280831068_o.jpg?w=735&ssl=1 "Rafa Neddermeyer/
Agência Brasil")

Belterra – Floresta Nacional do Tapajós  – **Rafa Neddermeyer/Agência Brasil**

**Apesar da riqueza, o estudo aponta lacunas importantes no conhecimento sobre as
espécies amazônicas.** A Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação
da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) reúne 144 espécies ameaçadas na região, enquanto
outras 334 estão classificadas como Dados Insuficientes. A falta de monitoramento
e de colaboração entre os países da bacia pode fazer com que os riscos sejam maiores
do que os atualmente conhecidos.

As ameaças atuam de forma combinada. Hidrelétricas, desmatamento, poluição e pesca
excessiva podem interromper a conectividade dos rios, fragmentar habitats, modificar
os regimes naturais de vazão e deteriorar a qualidade da água.

**As mudanças climáticas tendem a agravar esse cenário. Projeções reunidas no relatório
indicam que a descarga anual dos rios pode diminuir mais de 40% em algumas regiões
importantes, como as cabeceiras do Madeira.** Secas prolongadas podem prejudicar
a reprodução e a migração dos peixes, reduzir o oxigênio disponível na água e concentrar
contaminantes. Nos Andes, o aumento das temperaturas também ameaça espécies endêmicas
adaptadas a águas frias.

**O garimpo acrescenta outra pressão.** Segundo dados reunidos no estudo, a mineração
não industrial de ouro responde por 83% das emissões causadas por atividades humanas
de mercúrio na América do Sul. O contaminante se acumula na cadeia alimentar, e 
o consumo de pescado é apontado como a principal via de exposição humana ao mercúrio
na Amazônia.

## Peixe e segurança alimentar

![Brasília (DF),  19/03/2026 - Peixes contaminados trazem riscos à saúde de ribeirinhos
na Amazônia.
Foto: Nayara Jinknss/Greenpeace](https://i0.wp.com/imagens.ebc.com.
br/y7Km23GSD6ULI2VD8KkpyGCpQUA%3D/754x0/smart/https%3A//agenciabrasil.ebc.com.br/
sites/default/files/thumbnails/image/2026/03/19/peixes_contaminados_trazem_riscos_a_saude_de_ribeirinhos_na_amazonia01.
jpg?w=735&ssl=1 "Nayara Jinknss/Greenpeace")

pesca também movimenta a economia regional e impacta segurança alimentar das populações.
Foto: Nayara Jinknss/Greenpeace – **Nayara Jinknss/Greenpeace**

A conservação dos rios também tem impacto direto sobre as populações amazônicas.**
Em algumas comunidades ribeirinhas remotas, o consumo de pescado ultrapassa 600 
gramas por pessoa por dia.** O peixe está entre as fontes de proteína animal mais
acessíveis para famílias de baixa renda e fornece nutrientes importantes para o 
desenvolvimento e a saúde.

A pesca também movimenta a economia regional, embora parte significativa da atividade
não apareça nas estatísticas oficiais por ser artesanal, de pequena escala ou voltada
à subsistência. Pelo menos 200 espécies são capturadas comercialmente, enquanto 
a pesca ornamental exporta dezenas de milhões de exemplares por ano e sustenta milhares
de famílias. O relatório destaca ainda a participação das mulheres nas diferentes
etapas da cadeia e em associações comunitárias.

## Conhecimento indígena

O estudo dá destaque ao conhecimento de povos indígenas e comunidades tradicionais
sobre os rios. Segundo a coordenadora-geral da Coordenação das Organizações Indígenas
da Bacia Amazônica (COICA), Fany Kuiru Castro, práticas locais de governança ajudam
a proteger os rios e a manter sua conectividade diante das pressões crescentes.

> “Para os povos indígenas, os peixes não são simplesmente um recurso. Eles fazem
> parte da nossa identidade, dos nossos sistemas alimentares, das nossas histórias
> e da nossa relação com os rios vivos”, afirmou Fany.

Ela ressaltou que Qualquer estratégia para conservar a Amazônia deve reconhecer 
os direitos territoriais indígenas, além de “respeitar os conhecimentos ancestrais
e fortalecer a liderança indígena na proteção das águas que conectam toda a bacia”.

**O relatório identificou pelo menos 155 iniciativas de manejo comunitário da pesca**
no Brasil, Peru, Bolívia e Colômbia. Juntas, elas abrangem quase 13 milhões de hectares
e envolvem mais de 1,2 mil comunidades e 21 mil pescadores. Segundo o estudo, essas
experiências estão associadas ao aumento da abundância de peixes e da riqueza de
espécies, além de benefícios econômicos e sociais.

Entre as medidas apontadas estão a proteção de rios de fluxo livre, a recuperação
de regimes naturais de vazão, a restauração de habitats e espécies, a melhoria da
qualidade da água e a prevenção da expansão de espécies não nativas.

Como rios, peixes, sedimentos e nutrientes atravessam fronteiras nacionais, os autores
defendem que as ações sejam articuladas em escala de toda a bacia, com participação
formal de povos indígenas e comunidades locais na gestão dos rios. Para a diretora
administrativa regional da TNC para a América Latina, Paula Caballero, a conservação
traz benefícios para diferentes setores.

> “O relatório deixa claro que proteger os sistemas de água doce da Amazônia não
> é apenas um imperativo ambiental, mas também uma necessidade econômica e social”,
> afirmou.

[Fonte: Agência Brasil](https://agenciabrasil.ebc.com.br/meio-ambiente/noticia/2026-09/amazonia-tem-mais-de-27-mil-especies-de-peixes-aponta-estudo)
