# Artigo aponta necessidade de medidas urgentes para preservar Amazônia

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- Published: 2024-02-14T13:46:18-03:00
- Author: Redação

Artigo científico liderado por pesquisadores brasileiros aponta que se não forem
tomadas medidas urgentes, o ano de 2050 pode marcar o início de uma redução substancial
na cobertura de floresta na região amazônica.

“A gente encontra aí mais ou menos 50% de possibilidades. Significa [redução de]
uma quantidade substancial de floresta, o que influencia na quantidade de água, 
na quantidade de carbono que a floresta é capaz de manter e reciclar água”, diz 
a cientista Marina Hirota, professora do departamento de física da Universidade 
Federal de Santa Catarina (UFSC) e uma das coordenadoras do estudo.

“Não é um colapso total, mas acaba sendo um colapso parcial, vamos dizer.”

O artigo reúne 24 pesquisadores de todo o mundo, dos quais 14 são brasileiros. A
pesquisa é financiada pelo Instituto Serrapilheira.

Segundo Marina, dentre as medidas que podem ser tomadas para afastar a ameaça de
colapso parcial da floresta, é o combate ao desmatamento: “essa seria uma ação importante
e já está sendo feita”.

Segundo a cientista, outra medida é a restauração ecológica a partir de meios eficientes,
o que depende de diferentes modelos de governança dentro do Brasil e de outros países
amazônicos. “Como fazer isso, acho que ainda é uma pergunta em andamento.”

**Mudanças climáticas**

Um terceiro ponto importante citado pela cientista diz respeito a estratégias de
mitigação das mudanças climáticas e depende de uma governança mundial.

”O clima da Amazônia é muito dirigido pelo que acontece na temperatura global do
planeta, assim como em qualquer parte do mundo. A temperatura global aumentando 
vai ter impacto em cascata no clima regional da Amazônia. E as previsões, e o que
a gente já vê acontecendo, são de redução gradual da quantidade de chuvas, aumento
da duração e da intensidade das secas, aumento de eventos extremos de seca, de chuva,
intercalados”.

O artigo começou a ser escrito em 2020, a partir do relatório de um conjunto de 
cientistas no Painel Científico da Amazônia. A pesquisa atual derivou de um capítulo
desse relatório e aponta a região Sudeste da Amazônia com o maior número de mudanças.

Marina Hirota chama a atenção também para o número de pessoas que vivem na Amazônia
e que tiram seu sustento da floresta amazônica. Essas mudanças podem reduzir e afetar
a condição de vida e de sobrevivência dessas comunidades.

“Tudo isso já está acontecendo agora. Eu acho que a gente pode aprender com coisas
que não cuidou quando nos avisaram no começo”. Segundo ela, o mundo vem sendo alertado
desde os anos 1990 sobre os riscos que as mudanças climáticas trazem e que resultaram
em 2023 sendo o ano mais quente da história do planeta, segundo dados da Organização
Meteorológica Mundial (OMM).

Além do aumento das temperaturas, das secas extremas e do desmatamento, os incêndios
e queimadas também são fator de estresse na Amazônia. Por tudo isso, a cientista
destaca o senso de urgência que o artigo traz.

“Essa é a urgência que eu acho importante e que o artigo coloca como um sinal amarelo
forte para a gente tomar certas atitudes e buscar melhorias significativas para 
manter a floresta de pé e o mais viva possível, não só em termos de árvores e animais,
mas também dos povos que vivem na floresta e na Amazônia há milhares de anos”.

**Limites**

Os pesquisadores estimam limites críticos que, se forem atingidos, poderiam causar
um colapso de partes ou de toda a floresta. Eles são o aumento na temperatura média
global acima de 1,5 graus Celsius (ºC), volume de chuvas abaixo de 1,8 mil milímetros(
mm), duração da estação seca superior a cinco meses e desmatamento superior a 10%
da cobertura original da floresta, somada à falta de restauração de pelo menos 5%
do bioma.

Na avaliação de Bernardo Flores, outro coordenador da pesquisa da UFSC “estamos 
nos aproximando de todos os limiares. No ritmo em que estamos, todos serão alcançados
neste século. E a interação entre todos eles pode fazer com que aconteça (o colapso)
antes do esperado”.

_**Fonte: Agência Brasil**_
