# Belém, sede da COP30 em 2025, querendo ou não os ‘sudestinos’

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- Published: 2024-11-11T14:10:27-03:00
- Author: Redação

Não caiu nada bem a crítica publicada pelo jornal [O Estado de São Paulo](https://www.estadao.com.br/opiniao/cronica-de-um-vexame-anunciado/?srsltid=AfmBOoqTLoSjPJ3t4cP_tPC2jVYN8LLTQjETqcn9Z3aqzSpOesNpuqz-)
nesta segunda-feira (11), sob o título ‘Crônica de um vexame anunciado’, questionando
a capacidade de Belém para sediar a 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas(
COP-30) em 2025. O artigo, disponível apenas para assinantes, expôs o ponto de vista
do veículo paulista, sublinhando uma série de obstáculos logísticos e estruturais
da capital paraense e desafiando a decisão de sediar o evento na cidade paraense.

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A publicação destaca, entre outros pontos, o déficit de leitos hoteleiros, a precariedade
do saneamento básico, a ausência de infraestrutura suficiente no aeroporto e a dificuldade
de ampliar o setor de turismo local. Segundo o artigo, sediar a COP30 na Amazônia
é uma decisão com forte simbolismo e intenção de visibilidade ambiental, mas a escolha
de Belém enfrenta desafios práticos que, segundo o Estadão, “podem transformar o
evento em um fracasso.”

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A crítica levanta questões sobre a situação de Belém, mas também abre espaço para
um debate importante. O simbolismo de sediar a COP30 na Amazônia é inegável e estratégico.
A cidade de Belém representa o coração da floresta, palco onde o mundo pode ver,
ouvir e compreender diretamente o contexto amazônico e os desafios enfrentados pelas
comunidades locais e pelo meio ambiente.

A cidade, com sua história e cultura únicas, tem a chance de mostrar a realidade
da Amazônia, de modo que a COP30 vá além de discursos: que seja uma experiência 
concreta para delegados e autoridades.

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No entanto, o artigo do Estadão afirma que a infraestrutura atual é insuficiente,
citando dados alarmantes, como o fato de apenas 2,4% do esgoto da cidade ser tratado
e o percentual significativo da população vivendo em áreas de vulnerabilidade. Além
disso, mencionou a limitada oferta hoteleira e a falta de vocação turística, com
citações pessimistas sobre o legado que o evento deixaria para a cidade.

O jornal, ignorou, no entanto, que Belém, todos os anos, realiza um dos eventos 
religiosos mais importantes do país, que a cada ano se supera em número de participantes
e turistas visitando a capital paraense durante as festividades de Nossa Senhora
de Nazaré, além de outros eventos nacionais e internacionais.

Para muitos, o argumento do jornal reflete uma visão superficial e estereotipada
de Belém e da região amazônica, subestimando a capacidade da cidade de se adaptar
e ignorando o esforço de mobilização em curso. A crítica ignora também as transformações
e investimentos já em andamento. A cidade se prepara, com o apoio dos governos federal
e estadual, para receber os milhares de participantes da COP30. São milhões de reais
aplicados em melhorias de infraestrutura, ampliação do aeroporto, oferta de linhas
de crédito para ampliação de hospedagens e reformas em setores essenciais.

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O senador Beto Faro (PT) foi um dos que se manifestou ‘condenando veementemente’
a publicação do Estadão. Para ele, há um desrespeito muito grande com a região Norte.“
O mesmo sistema que explora, que consome seus recursos e depois marginaliza, agora
levanta dúvidas sobre sua capacidade de sediar um evento global pelo simples fato
de ser uma cidade do norte”, escreveu o senador.

Faro relata ainda que o jornal ignora o esforço do presidente Lula que conseguiu
convencer a ONU na escolha de Belém. Segundo ele, o debate central da conferência
não é sobre a capacidade da cidade, mas sim sobre.

“A nota surpreende porque ataca a capacidade de Belém ao invés de ir à essência 
do que realmente interessa a humanidade que é a capacidade de fazer uma inflexão
nos esforços da humanidade que é combater o aquecimento global e a humanidade”, 
diz a nota do senador.

“Essa reação expõe uma visão colonizadora que persiste no imaginário de parte da
elite e da mídia sulista. Para estes, a Amazônia se resume a commodities, as populações
ribeirinhas boas para servirem ao exotismo nas narrativas sobre o país. A Cop-30
será um momento de mostrar quem realmente somos. Um momento em que a Amazônia irá
falar para o Mundo”, disse.

Outros críticos apontam o preconceito e centralismo da mídia paulista em relação
ao Norte do Brasil, como se a Amazônia fosse intransitável e desprovida de capacidade.“
Belém pode não ter uma estrutura como São Paulo ou Rio, mas tem o coração e o simbolismo
que a COP30 exige”, disse um ativista ambiental local. “É na Amazônia que estão 
os maiores desafios e soluções climáticas, e nada é mais coerente do que trazer 
o mundo para cá e mostrar que precisamos de investimentos, não apenas para uma COP,
mas para o futuro de todos.”

A realização da COP30 em Belém deve ir além de melhorias temporárias: pode impulsionar
investimentos duradouros em áreas como saneamento, turismo e mobilidade. A conferência
será uma oportunidade para que Belém mostre ao mundo que é possível crescer e se
modernizar respeitando o meio ambiente e a cultura local, abrindo espaço para um
desenvolvimento sustentável e inclusivo.

A crítica do Estadão é importante, mas é apenas um lado da questão. É fundamental
que a população local e as lideranças políticas entendam o desafio e se comprometam
a garantir que a COP30 não se transforme em um legado de obras inacabadas ou de 
gastos sem planejamento. Ao contrário, que seja uma oportunidade de ouro para Belém
e o Pará entrarem na agenda internacional de modo positivo e sustentável.

Embora existam desafios claros, a escolha de Belém como sede da COP30 coloca em 
evidência a necessidade de um olhar mais inclusivo para o Brasil. O mundo precisa
entender a Amazônia, e Belém oferece um palco que poucos locais poderiam. A cidade
não deve ser subestimada nem rotulada como uma possível “vergonha internacional”
antes mesmo de ter a oportunidade de provar o contrário.

A COP30 será um teste importante para a capital paraense, para o governo e para 
a população. Mas, ao invés de focar apenas nas dificuldades, é hora de unir esforços
para que a conferência seja uma oportunidade de transformação para Belém e de real
impacto para a Amazônia.
