# Bibliotecas comunitárias envolvem crianças e adultos com o incentivo à leitura em Oriximiná

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- Published: 2023-07-11T19:33:35-03:00
- Author: Redação

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Empoderar crianças de comunidades da Amazônia a partir do fomento da leitura. Esse
é o propósito do Projeto Vaga Lume, que considera as bibliotecas comunitárias como
espaços para o compartilhamento de saberes. Com bibliotecas espalhadas pelas comunidades
de Boa Vista, Serrinha, Moura, Flexal e Lago do Ajudante, no município de Oriximiná,
oeste do Pará, em 2022 a iniciativa passou a receber o apoio da Mineração Rio do
Norte (MRN), com a implantação de uma nova biblioteca na comunidade Jarauacá, por
meio da Lei Rouanet de Incentivo à Cultura (Lei 8.313). Para ampliar a atuação do
projeto, este ano, 30 comunitários passaram a receber formação continuada em Mediação
de Leitura e em Gestão de Bibliotecas Comunitárias.

“Eu aprendi muito com esses livros”, diz a pequena Nathiene Lopes. Com a chegada
da biblioteca do Jarauacá, as viagens da estudante ao universo da literatura têm
sido cada vez mais frequentes. “Minha amiga e eu sempre vamos juntas para ficar 
lá. Os colegas das escolas também vão, emprestam os livros e ficamos lendo. Eu acho
importante”, garante.

Quem observa as palavras da menina com vislumbre é a voluntária do projeto, Lene
Vieira. Ela está entre os comunitários que participam da formação continuada, e 
se revezam para manter o hábito da leitura sempre vivo na região. Quando foi convidada
a participar da iniciativa, a voluntária lembra que a defasagem dos estudantes era
uma realidade no pós-pandemia que, aos poucos, segundo ela, foi transformada pelos
livros.

“Foi muito satisfatório. Quando os livros chegaram, foi uma surpresa imensa. Tanto
para as crianças quanto para os idosos. E a cada dia eles têm se interessado mais
e mais. Nossa biblioteca está sempre aberta. Hoje, vemos que nossas crianças tiveram
um bom desenvolvimento com o Vaga Lume. Esperamos que o projeto esteja sempre apoiando
nossa escola”, destaca a voluntária.

**Páginas e saberes**

Nascida e criada na comunidade Jarauacá, Valdenice de Oliveira, também voluntária
do projeto, vê a chegada da biblioteca como um grande avanço na comunidade. A jovem
conta que as diferentes opções de livros têm impactado positivamente na maneira 
como os moradores contam a sua própria história. “São informações que podem nos 
ajudar, daqui a um tempo, a montar um livro sobre nós. Nosso desejo é que isso cresça
para que nossa biblioteca sempre fique fortalecida”.

E são essas histórias que têm estimulado a agente educacional Francilene Lemos, 
da comunidade Santana, que é uma entusiasta da biblioteca. “Estamos colhendo dados
para que façamos um livro que conte sobre nossas comunidades. Isso é ter uma biblioteca.
É abranger novos horizontes, conhecer novos países, novas aventuras e novas culturas.
Aqui, por exemplo, é conhecida como a comunidade mãe, que gerou descendentes rio
acima e rio abaixo, porque foi daqui que os filhos dos comunitários foram fundando
outras comunidades ao redor. Eu particularmente sou apaixonada por aqui”, destaca.

Klíssia Lopes atua como representante local da iniciativa há 16 anos. Ela conta 
que, desde a chegada do Vaga Lume nas comunidades, a transformação de realidades
tem sido efetiva, com muitos resultados significativos. “Nós ficamos extremamente
satisfeitos com o trabalho de multiplicação. E essa parceria recente com a Mineração
Rio do Norte com certeza vai render bons frutos, afirma.

**Incentivo e formação**

Casa para 24 milhões de brasileiros, as comunidades rurais da Amazônia são o foco
do trabalho da Organização não Governamental (ONG) Vaga Lume. Baseada em princípios
como Humanismo, Escuta e Diversidade Local e Cultural, a entidade planeja triplicar
o número de bibliotecas comunitárias em espaços como comunidades ribeirinhas, indígenas
e quilombolas. Para Fernanda Prado, gerente de Relações Institucionais da entidade,
compartilhar histórias permite reduzir distâncias. No entanto, segundo ela, não 
basta apenas doar livros, é necessário formar mediadores.

“Doar um livro não faz com que as pessoas sejam leitoras, é preciso que tenhamos
o envolvimento de pais, tios, professores e comunitários, que estimulem as crianças
a lerem por prazer e não por obrigação. É isso que faz a mudança de chave, na qual
as crianças passam a ter a leitura como algo divertido. Nesse retorno à comunidade
Jarauacá, um ano depois, eu vejo o quanto as pessoas estão engajadas e felizes com
o projeto. Tenho certeza de que eles cuidarão muito bem dessa biblioteca e de todas
as iniciativas que virão”, pontua.

Prado lembra que esse propósito só é possível com o apoio efetivo das iniciativas
públicas e privadas. “A ONG Vaga Lume só existe graças aos nossos parceiros, como
a MRN, e nós gostaríamos que ela apoiasse por muito tempo e que muitas outras ‘MRNs’
apoiem esse projeto que é lindo e que precisa continuar. Quero agradecer e parabenizar
a empresa não só pela parceria, mas por saber que educação é a chave para transformar
a vida das crianças, que são os verdadeiros guardiões da floresta”.

**Legado**

Criada em 1991, a Lei nº 8.313 de Incentivo à Cultura, popularmente conhecida como‘
Lei Rouanet’, tornou-se o principal combustível para o desenvolvimento de ações 
culturais no Brasil. Anualmente, a MRN abre edital de projetos culturais que beneficiam
crianças, jovens e adultos dos municípios de Faro, Oriximiná e Terra Santa. O Vaga
Lume foi um dos projetos aprovados no edital de 2021. Só para 2023, a empresa estima
investimento de, aproximadamente, R$ 1 milhão nas iniciativas.

“Nós entendemos que a leitura une comunidades e pessoas. O projeto, além de fomentar
a leitura, incentiva a gestão comunitária por conta da biblioteca. Os voluntários
vão às casas das pessoas e fazem a leitura, resultando em integração nas comunidades
e incentivo à cultura. Cultura é educação, e esse é o legado que a MRN está firmando
aqui na região, porque acreditamos que, por meio da educação, nós desenvolvemos 
indivíduos e são eles que desenvolvem a comunidade na qual estão inseridos”, destaca
Bianca Bentes, analista de Relações Comunitárias da MRN.

**_Fonte: MRN_**
