# Brasil registra 1,5 milhão de casos prováveis de dengue em 2023

- Link: https://oquartopoder.com.br/brasil-registra-15-milhao-de-casos-provaveis-de-dengue-em-2023/
- Published: 2023-10-02T14:19:55-03:00
- Author: Redação

O Brasil registrou 1.522.338 casos prováveis de dengue até agosto de 2023, o último
balanço do Ministério da Saúde. O número é quase 10% maior que o registrado durante
todo o ano passado, quando a pasta contabilizou 1.393.684 casos prováveis.

Segundo a pesquisadora do InfoDengue da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Sara Oliveira,
o aumento se deu pelas mudanças climáticas.

“A gente tem uma mudança no regime de chuvas, um aumento da temperatura que também
explica a expansão do mosquito para áreas onde não haviam casos registrados há alguns
anos. Um exemplo clássico disso é o que está acontecendo na expansão para a Região
Sul, que até pouco tempo atrás a gente não via, principalmente em Santa Catarina
e Rio Grande do Sul, um volume de casos expressivos.” 

O número de casos prováveis em 2023 se assemelha ao registrado em 2019, período 
pré-pandemia de Covid-19, quando a pasta contabilizou 1.545.462 possíveis contaminados.
Já na pandemia, foram notificados 948.533 casos em 2020 e 531.922 em 2021. Sara 
Oliveira explica que, além da ciclicidade da doença — que tende a se repetir a cada
2 ou 3 anos —, o isolamento social também contribuiu para a queda de casos nesse
período.

“As pessoas voltaram a se movimentar, o que não estava acontecendo nos anos de pandemia.
Então com o aumento da circulação de pessoas, a gente vê também o aumento da circulação
do vírus, porque ele depende de pessoas infectadas circulando, que tenham sido expostas
ao mosquito. Os mosquitos picam essas pessoas, se infectam, e passam a infectar 
outras pessoas.”

Em 2023, a região com maior circulação do vírus da dengue é o Sudeste, com 869.811
casos prováveis, seguido pelo Sul com 379.754; Centro-Oeste com 150.848; Nordeste
com 92.354 e Norte com 29.571.

A pesquisadora da Fiocruz destaca que, apesar da Região Sudeste liderar com o maior
número absoluto de casos, a Região Sul está na frente com a maior quantidade por
habitantes.

“A Região Sul, muito embora tenha uma população menor, ela está proporcionalmente
com mais número de casos por habitante. A gente tem uma população inteira de suscetíveis
em grande parte dos estados do Sul, que ainda não haviam tido contato [com o vírus].
Não é o caso do Paraná, que já vem tendo casos há algum tempo. Mas, por exemplo,
em Santa Catarina, a gente viu um aumento expressivo nos últimos 3 anos. A região
do Rio Grande do Sul também. Então com essa inteira população de suscetíveis à mercê
do vírus, é esperado que aconteça um número maior de casos.”

**Diagnóstico e prevenção**

Segundo Sara Oliveira, os principais sintomas da dengue são febre alta (acima de
38,5°C); fortes dores musculares; dor de cabeça e ao movimentar os olhos; falta 
de apetite; mal-estar geral e manchas vermelhas pelo corpo. 

“A dengue pode ter uma manifestação mais grave, que a gente chama de dengue com 
sinais de alarme. Quais são esses sinais de alarme? Sangramento em mucosa e uma 
dor abdominal mais intensa. E quando a pessoa tem esses sintomas, mais do que nunca
ela deve procurar um serviço de saúde”, alerta.

A principal recomendação das autoridades de saúde para prevenir a dengue é combater
a proliferação do mosquito transmissor da doença, o Aedes aegypti: eliminar água
parada, tampar os reservatórios e manter os quintais sempre limpos. Outra orientação
para se proteger das picadas do mosquito é o uso de repelentes e telas em portas
e janelas.

A infectologista Joana D’arc alerta que o trabalho de conscientização e de prevenção
da doença deve ser contínuo. “É um trabalho ininterrupto, porque se eu faço toda
a coleta adequada dos resíduos, a fiscalização na época de seca, se fiscalizo os
terrenos onde tem a possibilidade de proliferação do vetor, se as medidas de vigilância
funcionam na seca, na chuva a gente não vai ter dengue. Então esse monitoramento
é permanente”. 

Atualmente existem vacinas contra a dengue aprovadas pela Anvisa, como a Dengvaxia
e a Qdenga. No entanto, elas ainda não estão disponíveis no Sistema Único de Saúde(
SUS).

**Congresso E-Vigilância 2023**

Nos dias 7 e 8 de dezembro acontecerá o Congresso E-Vigilância 2023, no Centro Federal
de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet/RJ). O evento é organizado
por uma comissão composta por cientistas da Fiocruz, Cefet, Universidade Federal
de Minas Gerais (UFMG), entre outras instituições de ensino e pesquisa. 

Entre os temas, os congressistas vão tratar sobre as inovações no monitoramento 
de arboviroses como dengue, zika e chikungunya. O objetivo é reunir e fortalecer
a comunidade científica, como afirma a pesquisadora da Fiocruz Sara Oliveira.

“Vão ter diversos pesquisadores de diversas áreas relacionadas às doenças transmissíveis;
vamos ter profissionais de saúde das áreas, estudantes, pesquisadores, pessoas ligadas
às Secretarias de Vigilância Sanitária. Então é uma oportunidade única de aumentar
e compartilhar esse conhecimento no monitoramento dessas doenças.”

Interessados podem se inscrever no site do [E-Vigilância 2023](https://e-vigilancia.dengue.mat.br/).

**_Fonte: Brasil 61_**
