# CarbonARA-Brazil traz novos equipamentos à Ufopa para monitorar queimadas

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- Published: 2025-09-01T22:44:29-03:00
- Author: Redação

Equipamentos que serão utilizados no monitoramento de emissão de queimadas já [chegaram à Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa)](https://www.ufopa.edu.br/ufopa/comunica/noticias/carbonara-brazil-traz-novos-equipamentos-a-ufopa-para-monitorar-queimadas/),
em Santarém (PA). Ao todo, serão mais de três toneladas, avaliadas em cerca de 30
milhões de reais. Os equipamentos fazem parte do projeto CarbonARA-Brazil, iniciativa
científica internacional coordenada pelo King`s College London, com financiamento
da Agência Espacial Europeia (ESA).

Com duração prevista de dois anos, o projeto é formado por um consórcio de instituições,
nacionais e internacionais, que tem como objetivo aprofundar o conhecimento sobre
os fluxos de carbono, os impactos das queimadas e o papel da Amazônia no balanço
climático global, por meio da aplicação de tecnologias avançadas de sensoriamento
terrestre, aéreo e orbital. A Ufopa é a única universidade da região amazônica a
compor esta rede global de pesquisa, sendo responsável pela coordenação das atividades
científicas no território local, em especial na região do Baixo Tapajós.

“São equipamentos que vão monitorar as emissões de queimadas da região, ou seja,
os aerossóis que estão na fumaça, como fuligem, poeira, além de todos os tipos de
gases do efeito estufa, que provocam o aquecimento global. Por isso, o projeto tem
a ver com a temática de mudanças climáticas. Tudo vai ser monitorado, medido, por
instrumentos que vão ficar no chão, em drones, avião e em satélites que vão estar
a vários quilômetros de altura”, explica o professor da Ufopa Júlio Tota, coordenador
local do projeto. “É um projeto de cunho científico, que traz uma oportunidade única
de passar os resultados científicos para a população”.

A montagem dos equipamentos será realizada em início de setembro, por meio de uma
força-tarefa internacional composta por pesquisadores de instituições do Brasil 
e da Europa que integram a iniciativa, como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais(
INPE), que lidera a iniciativa no Brasil; a University of Milano-Bicocca (Inimib)
da Itália; Royal Belgian Institute for Aeronomy (Bira) da Bélgica; Britis Antarctic
Survey (BAS) do Reino Unido; entre outros parceiros.

Após essa etapa, será realizada a primeira campanha de campo para coletar dados,
que ocorrerá nos meses de setembro e outubro deste ano. Um dos destaques será a 
utilização de uma aeronave pertencente à British Antarctic Survey (BAS), instituição
britânica que realiza pesquisas na Antártica, para monitoramento, que será em tempo
real, sobrevoando focos de incêndio, além do uso de drones.

O projeto prevê ainda a instalação de uma torre de monitoramento na Fazenda Experimental
da Ufopa e a utilização de dados fornecidos por satélites da Agência Espacial Europeia(
ESA). A iniciativa também contará com atividades de extensão e de divulgação científica,
como seminários e visitas guiadas à aeronave de monitoramento.

**Estrutura –** De forma estruturada, o projeto se baseia em três componentes principais
de observação e coletas de medidas: terrestre, aérea e orbital. A componente terrestre
será realizada através de instrumentos instalados em torres localizadas na Fazenda
Experimental da Ufopa e na Floresta Nacional do Tapajós; e em vários pontos ao redor
desses locais, como em escolas, por exemplo. “Nesses locais a gente pode espalhar
vários sensores de qualidade do ar e de monitoramento de fumaça”, afirma o meteorologista.

A componente aérea será realizada sobre a região de Santarém e sobre as torres do
projeto, por meio de observações e medidas com drones e avião, durante os meses 
de setembro e outubro de 2025. Já a componente orbital constitui-se no sensoriamento
remoto por satélites disponibilizados pela Agência Espacial Europeia (ESA).

“O principal interesse da nossa parte científica é entender como medidas feitas,
do chão para o céu (Botton Up) e do céu para o chão (Top Down), se combinam de tal
forma que a gente vai conseguir monitorar tridimensionalmente o fenômeno das queimadas
e suas emissões”, explica o pesquisador. “Esse é o objetivo do projeto: entender
como as queimadas evoluem, o que emitem para atmosfera e como interagem com a formação
de nuvens e com a circulação do ar. Entender os efeitos da deposição da fumaça que
as pessoas respiram sobre a vegetação de gramínea que o gado come, por exemplo”.

“Vamos integrar tudo isso para verificar também como a alteração da circulação do
ar realmente pode afetar o microclima e, possivelmente, a longo prazo, de que forma
esses períodos de queimadas mais intensas e prolongadas possam, de fato, mudar o
clima aqui na região”, conclui.

**Parcerias –** Para desenvolver a primeira campanha de monitoramento, que ocorrerá
nos meses de setembro e outubro deste ano, a iniciativa busca contar o apoio institucional
da Prefeitura Municipal de Santarém, Ibama, Embrapa, ICMBio, Defesa Civil, Corpo
de Bombeiros, entre outros. “Estamos contactando as instituições locais e realizando
reuniões periódicas com esses órgãos para planejarmos as nossas ações”, esclarece.

**Projeto –** O CarbonARA-Brazil é um projeto científico internacional que visa 
monitorar o carbono e as queimadas na Amazônia, com financiamento da Agência Espacial
Europeia (ESA) e a colaboração de pesquisadores do Brasil e de outros países. A 
iniciativa busca aprofundar a pesquisa e as ações de monitoramento na região amazônica.

Fonte: Ascom/Ufopa
