# Cerca de 26,8% dos brasileiros foram diagnosticados com ansiedade

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- Published: 2023-10-16T08:00:00-03:00
- Author: Redação

Cerca de 26,8% dos brasileiros foram diagnosticados com ansiedade, com um índice
alarmante de 31,6% entre os jovens de 18 a 24 anos, e prevalências notavelmente 
elevadas no Centro-Oeste com 32,2 — e também entre as mulheres, com 34,2%. Os dados
fazem parte do Inquérito Telefônico de Fatores de Risco para Doenças Crônicas Não
Transmissíveis em Tempos de Pandemia (Covitel), um estudo da Universidade Federal
de Pelotas (UFPel) em parceria com a Organização Global de Saúde Pública Vital Strategies.

Enquanto isso, 12,7% dos brasileiros foram diagnosticados com depressão, sendo mais
frequente na região Sul com 18,3%, entre mulheres com 18,1%, e nas faixas etárias
de 55 a 64 anos com 17% e 18 a 24 anos com 14,1%. A pesquisa foi realizada entre
2 de janeiro e 15 de abril, nas cinco regiões do país, pelo instituto Vital Strategies
Brasil, em parceria com a Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Associação Brasileira
de Saúde Coletiva (Abrasco) e Umane.

A neuropsicóloga e doutora em psicologia Roselene Espírito Santo Wagner avalia que
diversas condições sociais no Brasil, incluindo instabilidade financeira, baixa 
escolaridade e problemas de infraestrutura, como a má qualidade dos serviços públicos,
estão entre os fatores que contribuem para fazer do país um dos líderes em incidência
de transtornos de ansiedade na população.

“Os fatores ansiogênicos vêm da instabilidade financeira, baixa escolaridade, que
não permite a ascensão profissional; falta de transporte público, que facilite a
locomoção dentro da cidade; os engarrafamentos e horas perdidas no trânsito no ir
e vir; a violência, a alta criminalidade, a falta de acesso à saúde de qualidade,
principalmente à saúde mental, são estímulos estressores”, explica.

De acordo com o Ministério da Saúde, transtornos de ansiedade podem manifestar-se
de várias maneiras, incluindo ansiedade persistente sem motivo claro ou episódios
intensos que podem paralisar a pessoa. A sensação desconfortável pode levar o indivíduo
a alterar sua rotina para evitar a ansiedade, como por exemplo, deixar de usar o
elevador.

Diferença entre a ansiedade comum e um transtorno de ansiedade
O psiquiatra do Hospital
Anchieta de Brasília Pedro Leopoldo explica que a ansiedade é comum na natureza 
humana. Segundo ele, a ansiedade é uma resposta emocional e fisiológica normal, 
pois nos prepara para o estresse, por exemplo, para a defesa e para tomar decisões.“
Onde isso começa a nos adoecer? A ansiedade começa a aparecer em situações que não
precisava e não deveria, por exemplo numa reunião, no momento em que eu tenho que
entregar um produto”, expõe.

De acordo com psiquiatra, os sintomas da ansiedade incluem:

 * Preocupação excessiva;
 * Medo;
 * Tensão muscular;
 * Inquietação;
 * Insônia;
 * Taquicardia;
 * Sudorese;
 * Falta de ar.

Quando a ansiedade se torna uma condição crônica, pode impactar na vida pessoal 
e profissional da pessoa, prejudicando sua capacidade de tomar decisões e de realizar
atividades do dia a dia.

**Tratamentos**

A neuropsicóloga Roselene Espírito Santo avalia que a ansiedade, se não for tratada,
pode servir de gatilho para outros transtornos, chegando a desencadear doenças psicossomáticas,
que impactam tanto a saúde mental quanto a física. Por exemplo, condições como gastrite,
úlceras, colites, taquicardia e hipertensão. Adicionalmente, crises de ansiedade
também têm o potencial de gerar ataques de pânico e evoluir para a síndrome do pânico.

O Ministério da Saúde informa que existem três tipos de tratamento para os transtornos
de ansiedade:

 * Medicamentos (sempre com acompanhamento e receita médica);
 * Psicoterapia com psicólogo ou com médico psiquiatra;
 * Combinação dos dois tratamentos (medicamentos e psicoterapia).

Segundo a pasta, a maioria das pessoas começa a se sentir melhor e retorna às suas
atividades após algumas semanas de tratamento, tornando essencial a busca por auxílio
especializado na unidade de saúde mais próxima. Para alcançar melhores resultados
e minimizar prejuízos, é importante um diagnóstico precoce e preciso, um tratamento
eficiente e acompanhamento prolongado.

**_Fonte: Brasil 61_**
