# Cerca de 3 mil filhotes de quelônios retornam à natureza em Oriximiná

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- Published: 2024-02-19T15:52:38-03:00
- Author: Redação

A Praia do Capitari, no Lago Erepecú, em Oriximiná (PA), foi palco de um momento
emocionante na última semana: a soltura de cerca de 3 mil filhotes de quelônios 
na natureza. A iniciativa faz parte do Programa Quelônios do Rio Trombetas (PQT),
coordenado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio),
em parceria com a Mineração Rio do Norte (MRN), Instituto Ipê e comunidades quilombolas
do Alto Trombetas. O evento simbólico marca o retorno dos filhotes às águas após
meses de cuidado e proteção. Desde a coleta dos ovos nas praias de desova até a 
soltura dos animais, o PQT acompanha de perto o ciclo de vida dos quelônios, garantindo
a perpetuação das espécies na região.

A iniciativa é desenvolvida ao longo de todo o ano e conta com a participação de
famílias de comunidades locais, que atuam como voluntários na proteção dos ninhos,
na coleta dos ovos e na soltura dos filhotes. Essa participação é fundamental para
o sucesso do programa, pois garante a integração da comunidade às ações de preservação
ambiental.

Entre os participantes está Raimundo Dias Barbosa, de 77 anos, que é voluntário 
desde o começo da iniciativa e acompanha de perto a evolução do programa. “Esse 
projeto foi criado em 2003, no Lago Erepecú. Começamos com a soltura de 3 mil a 
4 mil quelônios e, no ano passado, mesmo ainda não fechando os dados, sei que foram
cerca de 35 mil tracajás soltos. Antigamente, não tínhamos tantos tracajás como 
temos hoje e a desova a cada ano sobe. Essa é uma razão de estar todo ano ajudando
e beneficiando a nossa comunidade”, afirmou.

Dulcinea de Jesus Barbosa, de 68 anos, também é voluntária do programa e relata 
sua motivação para participar. “A gente quer ver o bem-estar da comunidade. Aceitamos
a proposta de cuidar dos quelônios para ajudar a natureza. Amamos a comunidade e
os animais que vivem por lá. Me sinto feliz em cuidar da natureza”, disse.

**Mais de 40 anos de compromisso com a preservação**

O PQT atua há mais de 40 anos na região. Criada no início dos anos 80 para conservar
a maior área de reprodução da tartaruga-da-amazônia (Podocnemis expansa), a iniciativa
era chamada de “Quelônios Amazônicos”, conduzida na época pelo Instituto Brasileiro
de Desenvolvimento Florestal (IBDF) e, posteriormente, pelo Instituto Brasileiro
do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), vinculado ao Ministério
do Meio Ambiente (MMA). O programa contribuiu para manter a sobrevivência dessa 
espécie de quelônio aquático na Reserva Biológica do Rio Trombetas (Rebio Trombetas),
criada em 1979 para reforçar este trabalho de conservação.

Entre os anos de 2003 e 2004, o trabalho precisou ser ampliado e passou a ser chamado
de Programa Quelônios do Rio Trombetas (PQT), recebendo importante apoio da MRN,
além de contar com a presença de voluntários, formados por moradores locais, que
também atuam na conservação de três espécies de quelônios aquáticos nas regiões 
do Alto Rio Trombetas e Lago Erepecú: tartaruga-da-amazônia, tracajá (Podocnemis
unifilis) e pitiú (Podocnemis sextuberculata). Por meio de ações de manejo, monitoramento
e proteção, o PQT contribui para a preservação da fauna local e para o desenvolvimento
sustentável da região. A partir de 2007, o PQT passou a ser desenvolvido pelo ICMBio,
órgão do MMA responsável pela gestão das Unidades de Conservação Federais, mantendo
a parceria com a MRN.

O chefe do Núcleo de Gestão Integrada (NGI) do ICMBio Trombetas, Misael Freitas 
dos Santos, ressalta a importância desta atividade para o equilíbrio ambiental da
região. “Sem a existência do PQT, certamente a tartaruga-da-amazônia estaria extinta
no rio Trombetas e outras espécies, como tracajá e pitiú, se encontrariam no mesmo
processo de intenso declínio populacional. Essas espécies no passado já foram consideradas
como ‘vulneráveis’ e, atualmente, se encontram na categoria ‘quase ameaçado’”, afirmou.

**Parceria fundamental para o sucesso do programa**

Misael destacou, ainda, a parceria com a MRN para a garantia da execução do programa.“
Apenas o ICMBio não seria capaz de manter as atividades que fazemos hoje. A MRN 
contribui com as cestas básicas que são doadas para as famílias voluntárias durante
os cinco meses da temporada. Além disso, a empresa apoia com materiais para busca
e coleta de ninhos e também para abrigo nas praias”, completou.

A MRN aprovisiona recursos financeiros prevendo a aquisição de cestas básicas, materiais
e apoio logístico para as atividades do PQT, além de sensibilizar as comunidades
locais sobre a importância da preservação dos quelônios. “É com grande orgulho que
a MRN participa desse projeto como forma de garantir a preservação das espécies 
e o desenvolvimento sustentável da região. A forma que a gente tem de contribuir
com a preservação ambiental e o desenvolvimento sustentável é mantendo essa parceria
junto com o órgão e as comunidades, se empenhando nessa campanha de sensibilização
junto com os moradores”, destaca Genilda Cunha, analista de Relações Comunitárias
da MRN.

**_Fonte: MRN_**
