# Comunidade Borari e moradores de Alter do Chão protestam em defesa da Escola da Floresta

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- Published: 2024-11-11T11:05:41-03:00
- Author: Redação

Na manhã desta segunda-feira (11), moradores e lideranças da aldeia Borari bloquearam
a PA-457, estrada que dá acesso à vila de Alter do Chão, em Santarém, oeste do Pará.
O protesto pacífico é uma resposta às recentes atividades de construção e desmatamento
no terreno onde por décadas funcionou a Escola da Floresta, espaço reconhecido nacionalmente
pela educação ambiental voltada a crianças e adolescentes da rede pública.

Desmatamento e construção Irregular – No último dia 31 de outubro, moradores flagraram
um trator desmatando uma área de vegetação nativa à margem do Lago Verde. Fiscais
do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) 
foram acionados, e no dia 1º de novembro abordaram os responsáveis, que não apresentaram
nenhuma licença ambiental para a obra em andamento. A área, situada em uma Área 
de Proteção Ambiental (APA), foi recentemente adquirida por um grupo empresarial
que deu início à construção de um condomínio de luxo, além de um resort projetado
para o local.

O Ibama embargou a obra e multou a construtora Lima Empreendimentos em R$ 140 mil,
além de exigir a demolição de um muro erguido sem autorização. A construtora, representada
pelo advogado José Maria Lima, foi notificada oficialmente para interromper toda
e qualquer atividade no terreno.

Luta pela preservação – A manifestação desta segunda-feira também expressa a indignação
da comunidade Borari e dos moradores de Alter do Chão com a venda e o desmatamento
do terreno da Escola da Floresta, que além de estar dentro de uma APA, abriga árvores
consideradas sagradas, como o “Caraipezeiro”. A derrubada dessa árvore centenária
causou revolta entre os Borari, para os quais a destruição representa uma tentativa
de apagar a história e o patrimônio cultural e ambiental dos povos amazônicos.

“A escola e a floresta são símbolos da nossa identidade e da nossa relação com a
natureza. Alter do Chão é nossa casa e, para nós, um santuário sagrado. Precisamos
que o poder público proteja isso,” declarou um representante da aldeia Borari.

Histórico de irregularidades – Além das recentes atividades em Alter do Chão, a 
construtora responsável, Machado Lima, acumula um histórico de construções questionadas
na região. Em 2020, a Associação de Moradores e Amigos do Bairro Carauari protocolou
uma Ação Civil Pública contra a construtora por irregularidades no licenciamento
do prédio “Chão de Estrelas”, erguido no Lago Verde. Em outra ocasião, a empresa
também foi alvo de denúncias por problemas relacionados à construção do posto de
combustível “Pérola do Tapajós”, localizado na mesma estrada.

Futuro da Escola da Floresta – O ato desta segunda-feira se estenderá até que o 
Ministério Público responda às demandas da população. A comunidade Borari e os moradores
de Alter do Chão exigem que as autoridades intervenham para garantir a proteção 
da área, a preservação das árvores sagradas e o retorno do terreno ao uso comunitário
e educacional, com a restauração da Escola da Floresta.

Além disso, a população pede que o processo de venda e ocupação de áreas de proteção
ambiental seja revisto, para que se respeite a legislação vigente e os direitos 
das comunidades locais.

A manifestação desta segunda-feira simboliza a luta contínua dos povos tradicionais
e da população de Alter do Chão em defesa do meio ambiente e do patrimônio cultural.
Para os manifestantes, a proteção da Escola da Floresta é uma causa que transcende
a luta local, representando o direito dos povos amazônicos a preservar sua história,
cultura e a própria floresta.

A resposta do Ministério Público e das autoridades ambientais é esperada com urgência,
visto que o conflito sobre a ocupação da APA em Alter do Chão expõe a necessidade
de maior vigilância e ação para evitar a destruição de áreas que representam a essência
da identidade amazônica.
