# Comunidade entrega denúncia ao governador Helder Barbalho sobre a Escola da Floresta em Alter do Chão

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- Published: 2024-12-01T13:39:44-03:00
- Author: Redação

No último sábado, lideranças do Movimento de Preservação da [Escola da Floresta](https://www.instagram.com/escoladaflorestastm/),
em Alter do Chão, em Santarém, no oeste do Pará, entregaram ao governador Helder
Barbalho um requerimento e uma denúncia sobre o terreno onde funcionava a Escola
da Floresta. O espaço, localizado na Área de Proteção Ambiental (APA) Alter do Chão,
está ameaçado pela[ especulação imobiliária](https://www.jesocarneiro.com.br/justica/condominio-de-luxo-em-alter-do-chao-de-advogado-ligado-ao-prefeito-eleito-ze-maria-vira-alvo-do-mpf.html),
o que mobilizou a comunidade Borari e apoiadores na busca pela preservação do local.

Desde 2008, a Escola da Floresta tem sido referência em [educação ambiental](https://g1.globo.com/pa/santarem-regiao/noticia/2023/02/02/atividades-da-escola-da-floresta-permanecem-diz-prefeitura-de-santarem.ghtml)
e formação ecológica para crianças indígenas e santarenas. Situada na comunidade
Caranazal, às margens do Lago Verde, o espaço foi originalmente cedido pelo Conselho
Nacional dos Seringueiros e integrou o esforço comunitário para a valorização da
cultura Borari e da sustentabilidade.

No entanto, o terreno foi negociado recentemente com um grupo empresarial responsável
por empreendimentos de grande impacto em Alter do Chão, incluindo a construção de
um prédio de nove andares. Esse movimento preocupa a comunidade local, que vê no
espaço da escola um símbolo de resistência cultural e ambiental, além de um patrimônio
coletivo.

Leila Borari, uma das lideranças do movimento, destacou a urgência da questão. “
Estamos solicitando ao governador a desapropriação da área e a devolução desse território
para uso coletivo. Queremos que a Escola da Floresta volte a ser um espaço de saberes
e integração para a população, os indígenas e toda a região,” afirmou.

O requerimento também propõe que Alter do Chão seja transformada em uma unidade 
de conservação estadual, fortalecendo a proteção do território Borari frente à crescente
[especulação imobiliária](https://www.jesocarneiro.com.br/justica/condominio-de-luxo-em-alter-do-chao-de-advogado-ligado-ao-prefeito-eleito-ze-maria-vira-alvo-do-mpf.html).

Durante o encontro, o governador informou que o tema já está sendo discutido com
o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e o Ministério do 
Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar há um ano. Segundo Barbalho, a área
pertence ao governo federal, o que limita as ações imediatas do Estado.

“Formalizamos o pedido ao Incra e ao ministro Paulo Teixeira para que nos deem uma
posição. Até o final deste mês, esperamos uma resposta definitiva sobre a situação
da área,” afirmou o governador. Ele também destacou a importância das manifestações
da comunidade, que têm alertado para os riscos de perder este patrimônio cultural
e ambiental.

Nas redes sociais, o perfil [@salveaescoladafloresta](https://www.instagram.com/salveaescoladafloresta/)
tem mobilizado apoiadores e ampliado a visibilidade da causa. A página incentiva
a população a unir forças em defesa da Escola da Floresta e da cultura Borari, promovendo
ações que valorizem a história e a sustentabilidade do território.

O avanço da especulação imobiliária em Alter do Chão tem acendido o alerta na região.
Com a pressão por novos empreendimentos e o desrespeito às tradições locais, lideranças
Borari temem que a rica herança cultural seja substituída por interesses econômicos.

O movimento seguirá acompanhando as negociações entre o governo estadual e federal,
além de continuar cobrando ações concretas para proteger a Escola da Floresta. A
comunidade planeja novas mobilizações e busca ampliar a adesão de outros setores
da sociedade em defesa desse espaço único.

A preservação da Escola da Floresta não é apenas uma questão local, mas um exemplo
de luta pela manutenção de patrimônios culturais e ambientais ameaçados por interesses
econômicos.
