# Consórcio de pesquisa sobre biodiversidade no Pará é renovado por mais cinco anos

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- Published: 2023-11-14T11:45:01-03:00
- Author: Redação

Entre 2019 e 2022, o Brasil apresentou um aprofundamento em pesquisas nos temas 
biodiversidade, inovação e sustentabilidade, entre outros temas considerados estratégicos
para o país. Os dados do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), organização
social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), 
colocam o país em 13ª posição no ranking internacional em produção científica.

Não por coincidência, todos estes temas permeiam o Consórcio de Pesquisa em Biodiversidade
Brasil – Noruega (BRC), que completa dez anos em 2023 apoiando o conhecimento baseado
em ciência na Amazônia e nas áreas de mineração. Fundado em 2013, o BRC é uma parceria
entre a Hydro e quatro instituições de pesquisa: a Universidade Federal do Pará (
UFPA), o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), a Universidade Federal Rural da Amazônia(
UFRA) e a Universidade de Oslo (UiO).

“Ao longo desta década, o BRC amadureceu de um acordo formal para um consórcio de
pesquisa totalmente operacional. Os estudos desenvolvidos por meio dele trouxeram
conhecimento aplicado relacionado à reabilitação de áreas mineradas. Além disso,
aumentamos consideravelmente nosso conhecimento sobre a biodiversidade nas áreas
da Hydro Paragominas, desde grandes mamíferos até pequenos insetos. Todo esse aprendizado
pode e contribui para o processo de tomada de decisão na mina”, comenta Eduardo 
Figueiredo, Diretor de Sustentabilidade e Impacto Social da Hydro. Por meio do financiamento
dos projetos, a Hydro investiu aproximadamente R$ 5 milhões na instituição financeira
universitária, que apoia sua continuidade ajudando a gerenciar os investimentos 
de empresas privadas na academia.

Desde que foi fundado, o BRC já aprovou 26 projetos de pesquisa e 60 artigos científicos
foram publicados. Além disso, a Hydro investiu aproximadamente R$ 6 milhões de reais
em bolsas de estudo ao longo desses dez anos. Mais de 270 pessoas se beneficiaram
do consórcio, entre estudantes, técnicos e pesquisadores, muitos fazendo o mestrado,
doutorado ou pós-doutorado por meio das bolsas disponibilizadas. “A UFPA é a instituição
mais importante na produção de conhecimento científico sobre a Amazônia. Quando 
a Hydro possibilita essa parceria, ela também abre espaço para que a universidade
aumente a produção de conhecimento e forme recursos humanos em biodiversidade numa
das áreas mais carentes do Brasil”, pontua Leandro Juen, coordenador do programa
de pós-graduação em Ecologia da UFPA.

O investimento em materiais permanentes para melhorar a estrutura dos laboratórios
nas instituições também é um ponto de destaque nos últimos dez anos. “Aproximadamente
R$ 2,9 milhões foram investidos pela Hydro em material permanente para as universidades
e instituições envolvidas, destinados para a construção de estufas, aquisição de
equipamentos laboratoriais e eletrônicos, bem como remodelação de edifícios e outras
instalações universitárias. Esses investimentos promoveram melhor infraestrutura
nas instituições públicas para pesquisa e continuarão a ser usados em nome da ciência
mesmo após a conclusão dos projetos do BRC”, explica Eduardo Figueiredo.

Ao financiar os projetos do consórcio, a Hydro também contribuiu para a troca cultural
e científica de conhecimentos entre Noruega e Brasil. Aproximadamente R$ 950 mil
foram investidos em programas de intercâmbio, dando aos estudantes e pesquisadores
a oportunidade de fazer parte de uma experiência internacional.

“Além dos aspectos de pesquisa e treinamento dessas colaborações, não devemos ignorar
a importância do intercâmbio cultural entre a Noruega e o Brasil, que mudou a perspectiva
dos estudantes e pesquisadores em início de carreira envolvidos nos projetos. A 
colaboração também proporcionou a pesquisadores e estudantes uma visão sobre as 
complexidades, desafios e oportunidades ligadas às operações da indústria de mineração
na floresta tropical brasileira. Isto lhes dá uma melhor base para a formulação 
de futuras pesquisas básicas e aplicadas sobre conservação e restauração da biodiversidade”,
comenta Hugo de Boer, professor associado do Museu de História Natural da Universidade
de Oslo.

A professora Gracialda Ferreira, da UFRA, conta que o BRC é um consórcio que permite
prospectar o futuro de forma positiva: “Ao reunir instituições de pesquisa, ensino,
extensão e desenvolvimento tecnológico, o consórcio não somente fomenta o desenvolvimento
de pesquisa e tecnologia, mas permite melhoria na formação de mão de obra qualificada,
com vivência prática no desenvolvimento da mineração, que funciona como um laboratório
de produção científica que tem alavancado e estimulado melhorias nos processos envolvidos
no conhecimento da biodiversidade.”

**O futuro da biodiversidade no Pará e na Amazônia**

O BRC comemora ainda a assinatura do termo que estende a duração do consórcio por
pelo menos mais cinco anos, realizada na última sexta-feira, 10. A cerimônia contou
com Eduardo Figueiredo, diretor de Sustentabilidade e Impacto Social da Hydro, Nilson
Gabas Júnior, diretor do Museu Emílio Goeldi, Emmanuel Zagury Tourinho, reitor da
UFPA, Herdjania de Lima, reitora da Ufra e Svein Stølen, reitor da Universidade 
de Oslo.

A vice-coordenadora de Pesquisa e Pós-graduação do Museu Emílio Goeldi, Marlúcia
Martins, destaca a longevidade como um dos principais méritos do projeto. “Algumas
pesquisas exigem um monitoramento contínuo e mais detalhado, com muitos dias em 
campo. São trabalhos que exigem o suporte adequado que o BRC permite: esse envolvimento
mais intenso com a pesquisa”, comenta.

“Precisamos de programas de pesquisa de longa duração no Brasil e o BRC tem essa
característica, porque além de responder questões urgentes e pontuais, ele permite
que façamos um plano de ação de longa duração”, completa Leandro Juen, da UFPA.

Ampliar a longevidade do BRC significa contribuir de forma muito mais ampla para
a Amazônia, principalmente no campo da restauração da sua biodiversidade. “Ainda
há muito para compreender sobre o processo de restauração de uma área minerada, 
a eficiência das tecnologias que estão sendo empregadas e até mesmo daquelas que
já foram aprimoradas com nossa contribuição. Minha expectativa é que tenhamos muitos
anos para acumular informações suficientes para a restauração florestal como política
pública do Pará e da Amazônia como um todo. O que estamos fazendo na mina em Paragominas
terá muita utilidade em grande escala e que ela seja um piloto para que possamos
propagar, comparar e suprir lacunas de conhecimento sobre o tema na Amazônia”, comenta
Marlúcia.
