# Delegada do Pará é presa suspeita de receber R$ 50 mil para favorecer o PCC

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- Published: 2026-10-15T11:04:14-03:00
- Author: Redação

> **_Maria Virgínia Grimwood Pinto foi detida em Brasília; apontado como liderança
> da facção, Renato Henrique do Carmo, o “Gordão”, também foi preso em Pernambuco.
> Investigação apura suspeitas de corrupção, vazamento de informações sigilosas 
> e lavagem de dinheiro._**

Uma delegada da Polícia Civil do Pará foi presa nesta quinta-feira (15), suspeita
de receber R$ 50 mil para repassar informações sigilosas e oferecer proteção institucional
a integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Maria Virgínia Grimwood Pinto
foi detida em um hotel em Brasília. Na mesma operação, Renato Henrique do Carmo,
conhecido como “Gordão” e apontado como uma das lideranças da facção criminosa, 
foi preso em um resort em Porto de Galinhas, em Pernambuco.

As prisões fazem parte de uma nova etapa da Operação Sinalagma, conduzida pela Polícia
Civil de Pernambuco. A investigação apura a atuação de uma organização criminosa
suspeita de envolvimento em tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, ocultação de
patrimônio e corrupção de agentes públicos.

O Ministério Público do Pará, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao
Crime Organizado (Gaeco), acompanhou o cumprimento dos mandados judiciais.

Celular apreendido levou à suspeita contra delegada
A investigação teve início em
janeiro de 2025, quando Renato Henrique foi preso durante uma operação policial 
em Ipojuca, no litoral de Pernambuco. Na ocasião, os agentes apreenderam o celular
do suspeito. Com autorização judicial, os investigadores extraíram e analisaram 
os dados do aparelho.

As conversas encontradas levantaram suspeitas sobre a relação entre Renato e a delegada
paraense, além de apontarem possíveis integrantes e colaboradores da organização
criminosa.

Segundo as apurações, Maria Virgínia teria recebido vantagens financeiras em troca
do fornecimento de informações restritas e do acesso a sistemas de segurança pública.
Os investigadores também apuram a suspeita de que ela tenha usado sua posição funcional
para favorecer integrantes do grupo.

A possível relação amorosa entre a delegada e Renato também foi mencionada na investigação,
conforme informações divulgadas sobre o caso.

Investigação aponta movimentações financeiras suspeitas
Além das suspeitas de corrupção,
a Operação Sinalagma apura um esquema de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.
De acordo com os investigadores, os envolvidos teriam recorrido a documentos falsos,
empresas formalmente constituídas e contas bancárias de terceiros para movimentar
recursos e esconder a origem dos valores.

A análise financeira identificou transações consideradas incompatíveis com a renda
declarada por investigados. Para rastrear o dinheiro, a polícia utilizou dados telemáticos,
informações de inteligência e Relatórios de Inteligência Financeira do Conselho 
de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

O esquema investigado teria movimentado mais de R$ 14 milhões, segundo informações
sobre a apuração.

Operação cumpre mandados em diferentes estados
De acordo com a Polícia Civil de 
Pernambuco, a ação desta quinta-feira é a 85ª operação de repressão qualificada 
realizada pela instituição em 2026. Ao todo, estão sendo cumpridos três mandados
de prisão, 11 mandados de busca e apreensão domiciliar, além de ordens de sequestro
de bens e bloqueio de ativos financeiros.

As medidas foram autorizadas pela Vara Criminal da Comarca de Ipojuca. A operação
conta com a participação de forças policiais do Pará, de São Paulo e do Distrito
Federal, além dos grupos de combate ao crime organizado dos Ministérios Públicos
de Pernambuco e do Pará.

Os fatos atribuídos à delegada podem configurar, em tese, crimes de corrupção, violação
de sigilo funcional e colaboração com organização criminosa, entre outros delitos
investigados.

O nome Sinalagma faz referência à reciprocidade de obrigações e, no contexto da 
investigação, remete à suspeita de troca de vantagens ilícitas entre integrantes
da organização criminosa e agentes públicos.

A Polícia Civil de Pernambuco informou que os detalhes da operação serão divulgados
posteriormente. As suspeitas ainda dependem do avanço das investigações e da análise
das provas reunidas.
