# Deputada Flordelis, acusada de mandar matar o marido, tem o mandato cassado na Câmara

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- Published: 2021-08-11T18:20:38-03:00
- Author: Redação

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A deputada federal Flordelis (PSD-RJ) teve o mandato cassado na tarde desta quarta-
feira (11), por 437 votos a 7, pela Câmara dos Deputados. Outros 12 deputados se
abstiveram. As informações são do G1.

Flordelis é acusada de ser a mandante do assassinato do marido, o pastor Anderson
do Carmo, em junho de 2019. O processo criminal ainda não foi julgado, mas os deputados
consideraram que a atuação da parlamentar ao longo do caso feriu o Código de Ética
da Câmara.

Eram necessários, pelo menos, 257 votos favoráveis à cassação para a perda do mandato.

A deputada é ré na Justiça, acusada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro de
ter mandado matar o marido.

Flordelis responde por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, emprego 
de meio cruel e de recurso que impossibilitou a defesa da vítima), tentativa de 
homicídio, uso de documento falso e associação criminosa armada.

A deputada nega participação no crime, diz que é vítima de uma injustiça e que o
caso ainda não foi analisado pela Justiça.

A cassação do mandato de Flordelis já havia sido aprovada pelo Conselho de Ética
da Câmara em junho, mas a palavra final coube ao plenário da Casa.

O relator do processo, deputado Alexandre Leite (DEM-SP), considerou que as provas
já obtidas, em mensagens e depoimentos, mostram que a deputada teve participação
ativa no planejamento da morte de Anderson do Carmo.

**O que disse o relator**

Como relator, Alexandre Leite foi o primeiro a falar sobre o caso na sessão desta
quarta. Inicialmente, disse que a decisão sobre a eventual participação de Flordelis
no assassinato não será tomada pela Câmara – e sim, pelo Tribunal do Júri que analisar
o caso na Justiça do Rio.

“Aqui, nós nos ativemos às questões meramente ético-disciplinares que regem o mandato
parlamentar”, resumiu Leite.

Para o relator, a deputada usou o mandato para coagir testemunhas e ocultar provas.
Flordelis também teria se utilizado da função parlamentar para ocultar provas e 
obstruir investigações, além de ter mentido ao Conselho de Ética.

“[Tentou] obstruir as investigações com teses de latrocínio, confundindo a polícia,
direcionando a polícia em caminhos diversos daqueles em que, de fato, encontrariam
a verdade dos fatos”, afirmou.

Leite também fez a leitura de mensagens atribuídas a Flordelis, e descobertas ao
longo das investigações no Rio de Janeiro, que revelam “a frieza” da parlamentar.

“Faço a leitura de alguns trechos destacados na página 14 do parecer da quebra de
sigilo telemático a mostrar a frieza com que a Deputada tratava em suas mensagens
telefônicas seus filhos, outros interlocutores, todas essas juntadas nos autos, 
entre aspas: ‘Fazer o quê? Separar eu não posso, porque não posso escandalizar o
nome de Deus, isso não. Mas vou encontrar um jeito, uma saída'”, destacou o relator.

“O relacionamento entre a deputada e o seu ex-marido, perante as conversas interceptadas,
já vinha de longo tempo, de longa data em maus caminhos, e mal encaminhado, até 
que tomasse esse fim trágico”, acrescentou Leite.

Ele destacou ainda que Anderson Gomes foi morto com 30 tiros, que teriam sido efetuados
por um dos filho da parlamentar, chamado Flávio. Nove disparos atingiram a região
da genitália do pastor, narrou o relator.

“Os nove tiros, como podem ver, se encontram em área concentrada da região pélvica
do pastor Anderson do Carmo, ou seja, a vítima já havia, muito provavelmente, parado
de se contorcer. Este foi o nível da crueldade deste crime”, disse Leite.

Ao final do seu pronunciamento, o relator afirmou que as provas coletadas demonstram
que “a representada tem um modo de vida inclinado para a prática de condutas não
condizentes com aquilo que se espera de um representante do povo”.

**O que disse a deputada**

Flordelis falou após o relator, disse que o parecer foi baseado em “palavras sem
provas” e defendeu sua inocência em relação ao crime.

“Se caso eu sair daqui hoje, eu saio de cabeça erguida porque eu sei que sou inocente
e todos saberão que eu sou inocente. A minha inocência será provada. Vou continuar
lutando para garantir a minha liberdade, a liberdade dos meus filhos e da minha 
família, que está sendo injustiçada também com tudo o que está acontecendo. A minha
família está sofrendo. A minha família está sendo julgada”, declarou Flordelis.

Em outro momento, a deputada disse que filhos dela “erraram” – mas não todos.

“Houve filhos meus que erraram, mas não foram todos. Mas toda a minha família está
sendo criminalizada. Eu não posso e não devo pagar pelos erros de ninguém. A Flordelis
que está aqui está destruída”, afirmou.

Ela também frisou que ainda não foi julgada pela Justiça e que os parlamentares 
estavam cassando alguém que não passou por julgamento. A deputada também apelou 
para a religião para tentar sensibilizar os colegas.

“Desconstruíram a minha imagem me chamando de frequentadora de casa de suingue, 
porque não encontram provas contra mim, porque não existem provas contra mim, porque
eu sou inocente. Desconstruíram a minha imagem me chamando de feiticeira. São coisas
que eu não sou. Eu sirvo a um Deus que é Deus de Abraão, Isaque, Jacó e meu também”,
afirmou.

Advogado de Flordelis, Jades Marques disse que a parlamentar era totalmente apaixonada
pelo pastor Anderson do Carmo e vítima dessa paixão. Ele também fez acusações contra
o falecido, que, segundo o advogado, era um “estuprador”, que abusava das próprias
filhas do casal.

A defesa de Flordelis também pediu que os deputados aprovassem alguma alternativa
à perda definitiva do mandato. Como opção, sugeriram uma suspensão de seis meses
até que a deputada fosse julgada pelo Tribunal do Júri.

_**Fonte: G1**_
