# Dez pessoas são processadas por esquema de extração e venda ilegal de ouro no Pará

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- Published: 2026-10-13T18:35:55-03:00
- Author: Redação

A [Justiça Federal tornou réus dez empresários, pilotos e intermediários denunciados pelo Ministério Público Federal](https://webamazonia.com.br/noticia/56886/justica-abre-acao-penal-contra-dez-suspeitos-de-negociar-ouro-ilegal-no-para)(
MPF) por participação em um esquema de extração clandestina, falsificação de documentos
e comercialização de ouro ilegal no Pará. A decisão dá início à ação penal e mantém
o bloqueio de R$ 146,2 milhões em bens e ativos financeiros dos acusados, além do
sequestro de uma aeronave utilizada no transporte do minério.

As investigações apontam que o grupo teria utilizado empresas registradas, notas
fiscais com informações falsas e Permissões de Lavra Garimpeira (PLGs) vencidas 
ou sem autorização válida para dar aparência legal ao ouro extraído ilegalmente 
na Amazônia. Com a suposta fraude documental, o metal era inserido no mercado formal
e negociado com compradores no Brasil e no exterior.

O caso foi investigado no âmbito da Operação Ricezione, deflagrada em 5 de abril
de 2022. A apuração começou após uma abordagem realizada pela Polícia Militar de
São Paulo e pela Polícia Federal, em 20 de agosto de 2021, no Aeroporto Campo de
Marte, na capital paulista.

Na ocasião, dois pilotos transportavam 52 quilos de ouro em barras sem documentação
fiscal que comprovasse a origem da carga. Avaliado em R$ 13,5 milhões, o material
havia sido embarcado no distrito de Crepurizão, em Itaituba, no sudoeste do Pará.

Durante as investigações, análises periciais e imagens de satélite indicaram que
as áreas apontadas nas notas fiscais das empresas investigadas não apresentavam 
sinais de atividade mineral compatíveis com o volume de ouro comercializado.

Segundo o MPF, entre 2019 e 2021, o grupo declarou a produção de mais de 449 quilos
de ouro, avaliados em R$ 146,2 milhões, utilizando informações falsas sobre a origem
do metal precioso. Entre os denunciados estão administradores de empresas, gestores
de exportadoras, representantes empresariais e os dois pilotos responsáveis pelo
transporte aéreo do minério.

Na denúncia, o Ministério Público Federal atribui aos acusados, conforme a participação
de cada um, crimes de usurpação de bens da União, lavagem de dinheiro, receptação
qualificada e integração em organização criminosa transnacional.

O MPF pede a condenação dos denunciados, a perda definitiva do ouro apreendido e
o perdimento da aeronave supostamente utilizada no transporte ilegal. Também solicita
que a Justiça fixe valores mínimos para a reparação dos danos materiais e ambientais
associados à atividade clandestina.

Os pedidos de reparação solidária ultrapassam R$ 83 milhões e estão distribuídos
entre os diferentes núcleos de atuação apontados na investigação.

Com o recebimento da denúncia, os dez acusados passam à condição de réus e estão
sendo intimados para apresentar resposta à acusação. O processo seguirá para as 
próximas etapas da ação penal, quando serão examinadas as provas e as responsabilidades
individuais. O recebimento da denúncia não representa condenação, e os acusados 
têm direito à presunção de inocência até decisão judicial definitiva.

Fonte: [Web Amazônia](https://webamazonia.com.br/)
