# Diagnóstico Socioambiental impulsiona medidas de adaptação na Bacia do Paissandu, em Santarém

- Link: https://oquartopoder.com.br/diagnostico-socioambiental-impulsiona-medidas-de-adaptacao-na-bacia-do-paissandu-em-santarem/
- Published: 2025-08-18T12:09:26-03:00
- Author: Redação

As bacias hidrográficas devem ser a base para a gestão territorial. A resposta é
uma das mensagens centrais do projeto: “Águas para a vida: Diagnóstico Socioambiental
como estratégia de fortalecimento territorial da bacia do Paissandu, PAE Lago Grande
de Santarém-PA”, do Grupo de Estudos Avançados em Gestão Ambiental da Amazônia (
GEAGAA), ligado ao Instituto de Ciências e Tecnologias das Águas (ICTA), da Universidade
Federal do Oeste do Pará (Ufopa).

![/media/file/site/ufopa/imagens/2025/3bad5f65-b645-4ca2-8e8b-baf01dbb8422.jpg](
https://i0.wp.com/www.ufopa.edu.br/media/file/site/ufopa/imagens/2025/3bad5f65-b645-
4ca2-8e8b-baf01dbb8422.jpg?w=735&ssl=1)

**Medição na bacia do Paissandu. Foto: Acervo do projeto. **

Para o professor que coordena a pesquisa João Paulo de Cortes a abordagem com centralidade
nas bacias permite um planejamento ambiental e territorial mais eficiente. “A forma
natural de organização de território é a partir de suas águas e do relevo que as
acolhe”, explica.  

O projeto foi desenvolvido a partir de 2024, com a parceria dos comunitários que
participaram ativamente de todas as etapas. “Desde a apresentação da demanda para
a universidade, a definição dos pontos de coleta, reconhecimento de campo, coleta
de amostras em campo, análises em laboratório, discussão dos resultados e produção
dos materiais. Isso ocorreu por meio de oficinas, circulação de textos e assembleias,
ou seja, o projeto inteiro foi desenvolvido de forma participativa”.   

Maria das Graças Almeida, 58 anos, enfermeira que nasceu e hoje vive e trabalha 
na comunidade do Paissandu, cujo pais, foram fundadores da comunidade, participou
da pesquisa auxiliando os coordenadores a definir estratégias. “Foi muito gratificante
participar do trabalho e principalmente saber como está a bacia hidrográfica da 
nossa região”. Ela relembra os momentos difíceis que viveram com as últimas secas“
Ficamos sem estrada, sem condições de viajar de barco, as pessoas eram transportadas
por embarcações no meio da lama. Tudo bem diferente de quando eu era criança”.

Para os pesquisadores, uma questão crucial é entender como as comunidades amazônicas
podem ser fortalecidas para o enfretamento de crises. Pelo relato da dona Graça,
é possível perceber como comunidades estão vulneráveis às mudanças climáticas e 
a secas extremas como as ocorridas em 2023 e 2024.

“A pesquisa foi conduzida a partir de uma perspectiva de ciência participativa aplicada
ao fortalecimento territorial, envolvendo moradores, lideranças e organizações comunitárias.
O objetivo foi não apenas descrever a situação socioambiental, mas também fortalecer
estratégias locais de gestão e conservação da bacia”, afirmam os pesquisadores.

![/media/file/site/ufopa/imagens/2025/1bcd18e5-e221-41f4-bea0-a7c409045c26.JPG](
https://i0.wp.com/www.ufopa.edu.br/media/file/site/ufopa/imagens/2025/1bcd18e5-e221-
41f4-bea0-a7c409045c26.JPG?w=735&ssl=1)

**Análises em laboratório. Foto: Acervo do Projeto. **

Além disso, metodologias de mapeamento participativo foram aplicadas, integrando
conhecimentos locais sobre o uso e disponibilidade da água, degradação ambiental,
práticas tradicionais de manejo e efeitos dos eventos extremos. Como parte do compromisso
com a apropriação dos resultados, foram elaborados materiais acessíveis e didáticos,
como cartilhas, mapas, maquetes em 3D e realidade aumentada garantindo que as informações
geradas permanecessem ao alcance da comunidade. Os materiais foram doados para as
escolas e lideranças do território para subsidiar  as ações de ensino e mobilização
social dentro do PAE Lago Grande.

“A partir dos resultados alcançados o primeiro produto elaborado foi o Relatório
de Recomendação de Políticas Públicas (policy brief) indicando possíveis caminhos
para o fortalecimento das comunidades e povos tradicionais para o enfrentamento 
d a crise climática, a partir de demandas centradas no território, como avanço da
questão fundiária, saneamento e garantias de direitos fundamentais para essas comunidades”,
conclui Cortes.

**Sobre o assentamento** –** **O Projeto de Assentamento Agroextrativista (PAE) 
Lago Grande, em Santarém (PA) foi criado em 2005 e abriga cerca de 6.600 famílias
distribuídas em 154 comunidades. É um dos maiores assentamentos desse tipo no Brasil.
Apesar de reconhecimento oficial, o território enfrenta pressões crescentes devido
à exploração mineral e madeireira; a expansão do agronegócio e a conflitos relacionados
à pesca predatória. A situação é agravada pela falta de regularização fundiária.
Os moradores aguardam desde 2005, a emissão do Contrato de Concessão e Direito Real
de Uso (CCDRU), pelo INCRA. A falta desse documento limita o acesso dos comunitários
a políticas públicas essenciais. A comunidade de Paissandu, localizada no Médio 
Lago Grande, próxima ao distrito de Curuai, tem na agricultura familiar, pesca, 
extrativismo e pecuária suas principais atividades econômicas.

A pesquisa constatou uma significativa mudança no uso do solo nos últimos quarenta
anos. “Desde 1985, a bacia do Paissandu perdeu uma área de floresta equivalente 
a 921 campos de futebol. A partir de 2005, ano de criação do PAE, observamos uma
mudança na trajetória de degradação com uma ligeira recuperação da cobertura nativa
e aumento na área ocupada pela comunidade, reforçando os padrões observados pela
cartografia social”, informa o policy briefi, lançado oficialmente durante o evento
Pré-Cop 30 realizado no PAE Lago Grande pelo coletivo Guardiões do Bem Viver. 

O documento de Recomendação de Políticas Públicas (policy brief) pode ser consultado**
[(AQUI) ](https://zenodo.org/records/15652331)**

Fonte: Ascom Ufopa
