# Em maio, Festival do Açaí terá troca de experiências entre o Pará e a Colômbia

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- Published: 2024-04-05T18:25:13-03:00
- Author: Redação

Na segunda edição do Festival Açaí Pará – que será realizado no período de 14 a 
16 de maio, no Hangar Centro de Convenções e Feiras da Amazônia, em Belém -, será
assinado um Termo de Cooperação Técnica entre o Governo do Estado do Pará e o Estado
de Putumayo, na Colômbia, que vai possibilitar uma troca de experiências alusivas
ao melhoramento na produção do fruto, o que incluiu uma visita de reconhecimento
a uma estrutura de coleta de açaí por meio de cabeamento.

O Estado faz parte da região amazônica colombiana sendo uma das áreas de maior produção
de açaí no país. Diferente do Pará, onde o fruto faz parte dos hábitos alimentares
diários, no estado colombiano não há esse costume.

De 17 a 22 de março último, a missão paraense esteve em visita à Colômbia, para 
conhecer de perto o modo de produção e as tecnologias utilizadas para a melhoria
da cultura extrativista local. A equipe conheceu as áreas de cultivos com variedades
diferentes de açaizeiros e até de espécies que não existem no Pará no que se refere
à produtividade.

O grupo formado por três servidores da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário
e da Pesca (Sedap), um especialista na cultura do açaí da Embrapa Amazônia Oriental,
empresários e diretores de empresas também participou de uma reunião em Bogotá –
capital da Colômbia – com representantes de um grupo exportador de açaí no país.
O grupo também conheceu os municípios de Puerto Asis e Mocoa, a capital de Putumayo,
no sul do país, que trabalha com comunidades extrativistas.

Um dos integrantes da missão paraense, o engenheiro agrônomo Geraldo Tavares, que
é gerente de fruticultura da Sedap, informou que na reunião foi tratada a possibilidade
de assinatura do acordo com o Governo do Estado, de cooperação técnica, para troca
de experiências, o que incluiria, também, a participação das instituições de pesquisas,
como as universidades locais. O termo, como explicou Tavares, abrangerá a troca 
de material entre ambos estados, capacitação e instalação de empresas do Pará na
Colômbia.

“Também reunimos com o diretor de um fundo inglês que apoia e incentiva iniciativas
para a agricultura sustentável e que poderá aportar recursos para projetos desta
natureza”, detalhou o servidor da Sedap.

Diferente do que acontece no Pará, o açaí é produzido o ano inteiro e existe uma
linha de estudo para a aquisição do fruto produzido na Colômbia para suprir a escassez
do produto no período da entressafra paraense, conforme pontuou o engenheiro agrônomo.

“Eles produzem na nossa entressafra. Lá, eles têm quase o ano todo açaí porque chove
durante o ano inteiro. São 4000 ml de pluviosidade anual, bem mais do que aqui. 
Até se especula que possa ser montada uma empresa nossa lá para abastecer o nosso
mercado na entressafra”, comentou Tavares.

Apesar de ter muito açaí, Puerto Asis não é a maior produtora. A principal fica 
próxima ao oceano pacífico, que também é alvo de possibilidades, como revelou o 
engenheiro agrônomo.

O açaí e outras culturas são importantes na substituição do cultivo de coca, como
afirmou Tavares, que tem reduzido seu preço de venda em função do surgimento de 
drogas sintéticas.

“Putumayo é o maior produtor de coca da Colômbia e necessita mudar este perfil para
prática de cultivos legais”, observou.

Cabeamento – Segundo esclareceu o gerente de fruticultura, o modelo desenvolvido
na Colômbia por meio de cabos não é utilizado em nenhum estado brasileiro. O Pará,
então, como reiterou, será pioneiro na introdução desse tipo de transporte de produção.“
Na Colômbia eles usam para fazer o transporte de flores e de cachos de dendê, aqui
a gente está querendo fazer para o açaí objetivando tirar o fruto de dentro da mata,
a estrutura é formada por carrinhos acoplados”, informou.

O diretor de Feiras e Mercados da Sedap, Manoel Rendeiro, junto com o coordenador
do açaí da diretoria, Marivaldo Ferreira, integrou a comitiva e informou que durante
o Festival do Açaí o público vai poder conhecer o protótipo da estrutura utilizada
na Colômbia para fazer a coleta do açaí em áreas de difícil acesso. Atualmente, 
como explicou o diretor, o produtor do fruto enfrenta muitas dificuldades para conseguir
apanhar o açaí em áreas de mata mais fechada. A possível utilização do equipamento
facilitará o trabalho do apanhador do fruto.

“O objetivo maior é facilitar a coleta, a gente vê que o trabalhador – o apanhador
de açaí – tem dificuldade imensa para trazer de dentro da mata aquele saco de 20
a 30 quilos, andar por mais 50 metros até a beira do igarapé, às vezes ainda fica
muito açaí sem ser apanhado e esse equipamento vai melhorar o trabalho dele, essa
será uma das novidades que a gente vai apresentar no festival do açaí”, anunciou
Rendeiro.

Ainda sobre a programação no Hangar, o diretor explicou que a presença da delegação
colombiana permitirá uma grande troca de experiências. “Na Colômbia, visitamos uma
área de produção de açaí e, nessa troca de experiências, teremos a participação 
da comitiva colombiana para trazer o que eles têm de melhor no processo de produção
do açaí”, esmiuçou.

Avoado – A exemplo do ano passado, o festival terá programação de encerramento na
Feira do Açaí, no Complexo do Ver-o-Peso, onde será ofertado ao público o famoso“
avoado” prato típico dos paraenses, feito com peixe frito de açaí.

“Além da programação, nos dias 14 e 15, com a presença de expositores nos estandes
que ficam no primeiro piso do Hangar, no dia 16, o festival será encerrado com um
grande avoado que começa às quatro da manhã até terminar o açaí e o peixe”, garantiu
Manoel Rendeiro.

A organização do evento será realizada pela Sedap, por meio de sua Diretoria de 
Feiras e Mercados, em colaboração com o Instituto Ver-o-Peso e o Instituto de Desenvolvimento
e Tecnologia da Amazônia (Idtama).

Fonte: Agência Pará
