# Em Santarém, “Encontro das Águas” debate sobre uma gestão hídrica participativa no Tapajós

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- Published: 2024-06-17T14:22:46-03:00
- Author: Redação

“Nós somos os rios e somos a terra. O rio é nossa rua e a nossa vida, por isso devemos
lutar por todos que vivem nele e dependem dele.”, essa é a essência do compromisso
que os representantes de Povos Indígenas, Quilombolas, povos tradicionais, organizações
de base e militantes de movimentos populares da região da Bacia do Rio Tapajós manifestaram
durante o “Encontro das Águas: Construindo uma Gestão Hídrica Participativa no Tapajós”,
realizado nos dias 14 e 15 de junho em Alter do Chão.
O Encontro das Águas teve 
como objetivo criar um espaço de escuta e compartilhamento para as organizações 
locais, visando a construção de estratégias coletivas para a governança das águas
e proteção dos rios da bacia hidrográfica do Tapajós. A iniciativa busca promover
a participação ativa das populações locais na formulação de instrumentos para proteção
dos rios, fortalecendo a articulação entre os diferentes atores envolvidos na gestão
dos recursos hídricos.Entre os presentes estava Maria Leusa, liderança do Povo Munduruku.
Maria Leusa destaca que o trabalho coletivo e unificado é fundamental para proteger
o Tapajós e a vida dos Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais que aqui vivem.

“É um momento em que nos reunimos, nos encontramos, e nos fortalecemos em nossa
luta pela proteção do Tapajós e a vida do nosso povo. O rio Tapajós é fundamental
para nossa existência e resistência. Ele é um símbolo da nossa luta e da nossa defesa
contra as ameaças que estão surgindo. Estamos construindo um caminho para o futuro,
lutando pela defesa da nossa vida. Essa é uma construção importante, um momento 
de aliança e cooperação. Nossa luta é também uma luta por defesa das causas dos 
quilombolas, ribeirinhos, pescadores e extrativistas. Por isso, é muito importante
que estabeleçamos uma rede de apoio e cooperação para fortalecer a nossa resistência
e proteger o rio Tapajós e a vida do nosso povo.”, declarou a liderança do Povo 
Munduruku.O evento, organizado pelo Movimento Tapajós Vivo (MTV), Federação dos 
Povos Indígenas do Pará (FEPIPA), Instituto Centro de Vida (ICV) e WWF-Brasil, marca
um importante passo para discutir temas relacionados à gestão participativa das 
águas. O encontro começou na sexta-feira (14) com debates sobre a importância dos
rios vivos e saudáveis, bem como uma análise da conjuntura em defesa das águas e
ameaças à Bacia Hidrográfica do Tapajós.

O Encontro das Águas simboliza o início do projeto “Rumo a uma Gestão Participativa
da Água na Bacia do Tapajós”, uma iniciativa conjunta que tem como intenção fortalecer
a participação e a influência política dos povos indígenas e das comunidades tradicionais
da bacia do Tapajós nos espaços de gestão das águas. O objetivo é promover processos
participativos que permitam às populações locais atuarem de forma ativa, qualificada,
reconhecida e empoderada nos debates políticos sobre as águas do Tapajós.“A chegada
desse projeto ao Tapajós é de suma importância. Ele não traz soluções prontas, mas
busca alinhar a luta já existente nos territórios, reafirmando nossa resistência.
É fundamental valorizar nossos conhecimentos tradicionais e ancestrais, toda a cosmovisão
de luta que já se pratica nos territórios, alinhada a essa ferramenta de proteção
dos rios. Nossa perspectiva é fortalecer nossa força coletiva, juntamente com os
povos indígenas e comunidades tradicionais, para que possamos nos empoderar cada
vez mais sobre esse tema”, disse Concita Sompré, presidente da FEPIPA.**Formação
de Defensores e Defensoras das Águas do Tapajós**No sábado (15), o Encontro das 
Águas celebrou o lançamento do Curso de Formação de Defensores e Defensoras das 
Águas do Tapajós, que tem o propósito de fortalecer as vozes locais sobre a temática
das águas. O curso destaca a importância dos povos das águas e da floresta sobre
seus direitos de participação em políticas públicas e decisões que afetam diretamente
o ambiente e a vida das Comunidades Tradicionais e Povos Indígenas.Valdeci Oliveira
da Comissão Pastoral da Pesca destacou a importância do curso, afirmando que ele
ressalta a relevância dos Povos Indígenas e das Comunidades Tradicionais, especialmente
no contexto atual. “Como pescadora, acredito que defender o rio e o ambiente onde
ocorre a pesca é crucial diante dos vários desafios impostos. O curso será essencial
para o contexto da pesca, contribuindo significativamente para a dinâmica do nosso
trabalho com essas comunidades, na luta pela defesa dos territórios e pelo manejo
adequado do pescado.” afirma Valdeci.

Desenvolvido em parceria com a Escola de Militância Socioambiental da Amazônia (
EMSA), vinculada ao Movimento Tapajós Vivo, e com o apoio de professores do Instituto
de Ciência e Tecnologia das Águas da Universidade Federal do Oeste do Pará (ICTA/
UFOPA),Essa iniciativa marca um passo significativo na luta pela preservação do 
Tapajós, destacando a importância de uma abordagem sistêmica e participativa na 
gestão das águas e na valorização das culturas tradicionais que dependem desse ecossistema.“
O curso é importante por promover a proteção das águas do Rio Tapajós através de
um processo formativo que cria um espaço educativo dedicado à defesa da bacia do
rio. Os participantes aprendem sobre as dinâmicas do Teles Pires, Juruena e das 
regiões do Alto, Médio e Baixo Tapajós. Além disso, o curso aborda a diversidade
cultural da bacia, fornecendo ferramentas e instrumentos para a defesa legal e prática
do rio, capacitando os alunos a atuarem efetivamente na sua proteção”, destaca Johnson
Portela, do Movimento Tapajós Vivo e diretor pedagógico do curso.**_Ascom/Movimento
Tapajós Vivo_**
