# Entidades empresariais repudiam ocupação à Cargill e cobram ação imediata das autoridades

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- Published: 2026-02-21T19:04:17-03:00
- Author: Redação

As principais entidades que representam o setor produtivo do Pará divulgaram nota
pública de repúdio contra a invasão e os atos de violência registrados na noite 
de sexta-feira (20) e na madrugada de sábado (21) nas instalações da Cargill, em
Santarém, no oeste do Pará, e também no escritório central da multinacional em São
Paulo. No documento, as instituições classificam as ações como graves, ilegais e
incompatíveis com o Estado de Direito, e cobram providências urgentes para restabelecer
a segurança e o funcionamento do terminal portuário.

A tensão envolvendo o protesto contra o Decreto nº 12.600/2025 ganhou um novo capítulo
na madrugada deste sábado (21), quando indígenas ocuparam o setor administrativo
do terminal da empresa em Santarém. O decreto inclui a hidrovia do Rio Tapajós no
Plano Nacional de Desestatização, autorizando a concessão e privatização de trechos
considerados estratégicos na região. A empresa confirmou a ocupação e informou que
suas operações estão integralmente interrompidas.

Desde o dia 22 de janeiro, movimentos de povos originários bloqueavam o acesso de
caminhões ao terminal, exigindo a revogação do decreto que trata da desestatização
da hidrovia do Tapajós. Após 30 dias de mobilização do lado de fora da unidade, 
o grupo decidiu ocupar o prédio administrativo. Segundo a empresa, o plano de emergência
foi acionado e todos os funcionários que estavam no local foram evacuados por motivos
de segurança.

Na nota, as entidades afirmam que os episódios registrados envolveram invasão, depredação,
destruição de equipamentos, danos a estruturas operacionais, além de ameaças diretas
a trabalhadores e restrição de liberdade por horas, sob risco à integridade física.
Para o grupo, tais práticas são inaceitáveis e não se justificam como forma legítima
de reivindicação.

O documento também destaca que as demandas apresentadas pelos manifestantes são 
de competência exclusiva do Governo Federal e que direcionar atos de violência contra
uma empresa privada, que não teria ingerência sobre a pauta, desvirtua o debate 
democrático e enfraquece os canais institucionais adequados para tratar das reivindicações.

As entidades reforçam que respeitam o direito constitucional à livre manifestação,
mas sustentam que nenhuma causa autoriza ocupação irregular, intimidação de trabalhadores,
danos ao patrimônio ou interrupção forçada de atividades econômicas. Diante da continuidade
da ocupação, o setor produtivo solicita às autoridades competentes que adotem medidas
imediatas para restabelecer a posse e o funcionamento seguro do terminal portuário
de Santarém, garantir a integridade dos trabalhadores, assegurar a realização de
perícias e investigações e evitar novos prejuízos materiais e operacionais.

Assinam a nota a Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa), a Federação
da Agricultura do Estado do Pará (Faepa), a Federação das Associações Comerciais,
Industriais e Agropastoris do Estado do Pará (Faciapa), a Federação das Câmaras 
de Dirigentes Lojistas do Pará (FCDL), a Federação das Micro e Pequenas Empresas
do Estado do Pará (Fampep), a Associação Comercial do Pará (ACP), a Associação das
Indústrias Exportadoras de Madeiras do Estado do Pará (Aimex), a Associação Paraense
de Supermercados (Aspas), a Associação dos Dirigentes de Marketing e Vendas do Brasil–
Seção Pará (ADVB PA), o Centro das Indústrias do Pará (CIP), a Câmara de Dirigentes
Lojistas de Belém (CDL) e o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Pará(
Sebrae PA).

No posicionamento conjunto, o Fórum das Entidades Empresariais reafirma seu compromisso
com a defesa do Estado de Direito, da livre iniciativa e do diálogo institucional
como caminho legítimo para a construção de soluções, reiterando disposição para 
colaborar, dentro de sua esfera de atuação, com iniciativas que promovam segurança
jurídica, respeito às normas e convivência democrática.
