# Esclerose Múltipla: diagnóstico precoce pode melhorar qualidade de vida de pessoas com a doença

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- Published: 2023-08-28T08:00:00-03:00
- Author: Redação

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Dificuldade para enxergar, perda de memória e fadiga diária são alguns dos principais
sintomas que afetam Juliana Papeira, diagnosticada aos 28 anos com esclerose múltipla(
EM). Hoje, com 35, ela lembra que, ao descobrir a doença, desenvolveu ansiedade 
e depressão pelas incertezas que acompanham o diagnóstico — já que existem tratamentos
para a EM, mas ainda não há cura. A moradora do Distrito Federal conta que os principais
sintomas apareceram aos 13 anos, mas levou 15 anos para os médicos identificarem
a doença. Por isso, defende que a conscientização sobre a EM é fundamental. No dia
30 de agosto é celebrado o Dia Nacional de Conscientização Sobre a Esclerose Múltipla.

“Se tivesse uma conscientização maior, nós, pessoas com esclerose, não sofreríamos
tanto, passando por todos esses problemas. Se eles tivessem descoberto, desde o 
início, essa minha doença, eu não teria perdido a minha visão, eu não teria múltiplas
sequelas igual eu tenho, tanto no cérebro, quanto na coluna. Conheço outras pessoas
que passaram pelo mesmo problema”, afirma.

Juliana Papeira perdeu a visão do olho esquerdo em decorrência da esclerose múltipla.
Ela elogia a atuação dos profissionais de saúde, mas avalia que o tratamento da 
doença pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é ruim, devido à dificuldade de acesso 
aos medicamentos, que são de alto custo. Agora, na sexta medicação — as outras apresentaram
falha terapêutica — Juliana explica como é conviver com a EM.

“Então, são cinco dias de tratamento, fora isso eu tenho que fazer reposição de 
vitamina D, alimentação também tem que ser controlada, não posso tomar nada que 
venha a inflamar o meu sistema nervoso, tenho que cortar muita coisa de alimentação,
fazer atividade física, pilates, que também ajuda bastante; yoga, e tudo o que me
deixa sempre mais calma, para não ter nenhum tipo de surto”, ressalta. 

De acordo com o neurologista Felipe Toscano, a melhor forma de possibilitar qualidade
de vida às pessoas com a doença é através de um diagnóstico precoce. Segundo Toscano,
quanto antes iniciar o tratamento melhor para reduzir as chances de evolução da 
esclerose múltipla, que pode levar o indivíduo a ter tonturas frequentes e dificuldades
para andar e enxergar, entre outros sintomas. O médico afirma não existir uma forma
de prevenção da doença porque depende da carga genética.

“A doença acontece, principalmente, em pessoas jovens que têm uma predisposição 
genética para ter essa doença. Isso é, principalmente, em pessoas brancas, caucasianas,
e tem alguns fatores de risco que ajudam a que essa doença se desenvolva. Então,
deficiência de vitamina D, pouca exposição ao sol, obesidade na infância, sedentarismo,
infecção pelo vírus da mononucleose, que é conhecida como doença do beijo, tudo 
isso isolado ou em conjunto pode contribuir para que a doença se desenvolva”, explica.

**Esclerose Múltipla **

De acordo com a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (Abem), a EM é uma doença
neurológica crônica e autoimune — as células de defesa do organismo atacam o próprio
sistema nervoso central, provocando lesões cerebrais e medulares. A doença não tem
cura. No entanto, existem tratamentos que consistem em atenuar os sintomas e desacelerar
a progressão.

Estima-se que aproximadamente 35 mil pessoas convivem com a doença no Brasil. Deste
total, 15 mil estão em tratamento pelo SUS. No mundo, cerca de 2,3 milhões de pessoas
vivem com esclerose múltipla. A doença afeta, normalmente, adultos entre 18 e 55
anos de idade. Além disso, é duas a três vezes mais frequente em mulheres. Entretanto,
crianças e pessoas idosas também podem ser atingidas. As informações são do Ministério
da Saúde. O órgão recomenda buscar atendimento com especialistas ao identificar 
os seguintes sintomas: 

 * Alterações cognitivas;
 * Alterações emocionais;
 * Alterações sensoriais;
 * Desequilíbrio;
 * Dificuldade para articular a fala;
 * Dificuldade para engolir;
 * Disfunção da bexiga e/ou do intestino;
 * Disfunção sexual;
 * Distúrbios visuais;
 * Dor;
 * Fadiga;
 * Fraqueza muscular;
 * Rigidez.

**_Fonte: Brasil 61_**
