# Escolas municipais devem ter aulas remotas ou híbridas em 2021

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- Published: 2021-03-11T05:54:05-03:00
- Author: Redação

A maior parte das escolas públicas municipais já iniciou ou deverá iniciar o ano
letivo de 2021 de forma remota ou híbrida, mesclando o ensino presencial e o remoto.
O acesso à internet e a infraestrutura escolar são, no entanto, desafios para as
redes de ensino e estão entre os maiores problemas enfrentados no ano passado. As
informações são de pesquisa da União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime)
divulgada nesta quarta-feira (10).

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**Dados fazem parte de pesquisa divulgada na última quinta-feira (10) pela Undime**.
Foto: Agência Brasil

O estudo, realizado com apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef)
e do Itaú Social, ouviu 3.672 dos 5.570 municípios brasileiros. Neles, as aulas 
estão sendo retomadas, na maior parte dos casos, até este mês. As redes municipais
concentram a maior parte das matrículas das creches, pré-escolas e ensino fundamental
públicos.

A maior parte das redes de ensino municipais (63,3%) já iniciou ou planeja começar
o ano letivo de 2021 de forma remota. Cerca de um quarto das redes (26,3%) pretende
adotar o ensino híbrido. Apenas 3,8% querem retomar as aulas de forma presencial
e 6,6% ainda não definiram.

A pesquisa foi feita entre 29 de janeiro e 21 de fevereiro. Desde então, segundo
o presidente da Undime, Luiz Miguel Martins Garcia, o cenário, com o agravamento
da pandemia em todo o país, pode ter mudado o planejamento do ano letivo em diversas
localidades. A pesquisa mostra, no entanto, a intenção dos municípios e como eles
estão se preparando para o ano letivo de 2021.

“Nós entendemos que, nesse momento, não temos segurança nem informação para garantir
com segurança as aulas presencias”, diz Garcia.

O vice-presidente da Undime, Marcelo Ferreira da Costa, acrescenta que cada município
tem uma situação diferente e que isso deve ser levado em consideração na hora do
planejamento do ano letivo. Apesar das realidades locais distintas, é preciso um
esforço conjunto (federal, estadual e municipal) para que as crianças e os adolescentes
tenham acesso à educação. Ele reforça ainda a importância da imunização dos docentes.

“Se achamos que é tão importante que a escola volte e se damos a importância que
dizemos, tínhamos que investir no processo de vacinação. É preciso trazer os professores
mais para frente, senão não conseguiremos garantir a segurança para conseguirmos
voltar”, defende.

**Protocolos**

Mesmo que ainda não retomem o ensino presencial imediatamente, o estudo mostra que
33,9% das redes de ensino definiram os protocolos de segurança sanitária que irão
seguir. A maioria (59,6%), no entanto, ainda está discutindo as medidas e 6,5% não
iniciaram esse processo. Já os protocolos pedagógicos para a volta às aulas presenciais
estão sendo discutidos por 70,4% das redes, já foram concluídos em 22,7% delas e
não foram iniciados em 6,9%.

“Independentemente de as escolas estarem com atividades presenciais ou não, é preciso
ir atrás de estudantes que não tiveram atividades escolares em 2020. É preciso ir
atrás desses meninos e meninas que não tiveram atividades nem mesmo impressas ou
por WhatsApp, porque a gente corre um risco enorme de voltar a mais de 15 anos atrás
no número de crianças e adolescentes fora da escola”, diz o chefe de Educação do
Unicef no Brasil, Ítalo Dutra.

**Dificuldades**

Segundo os dados levantados, o acesso à internet e a infraestrutura escolar foram
os maiores desafios das redes municipais de educação em 2020. Esses problemas terão
que ser enfrentados também este ano.

Em relação ao acesso à internet, 78,6% das redes respondentes identificaram um grau
de dificuldade de médio a alto nesse quesito. Quase a totalidade dos municípios (
95,3%) declarou que as atividades não presenciais de 2020 foram concentradas em 
materiais impressos e orientações por WhatsApp. Os números mostraram, no entanto,
que as redes têm recorrido mais a esses recursos, na falta de conexão. Em pesquisa
realizada em maio de 2020, com uma pergunta semelhante, foi apurado que 43% das 
redes municipais apontavam os materiais impressos como parte da estratégia.

“São condições muito limitantes. Imagine uma criança, nos anos iniciais da alfabetização,
com um a professora se desdobrando e mandando orientações por WhatsApp”, ressalta
a gerente de Pesquisa e Desenvolvimento do Itaú Social, Patricia Mota Guedes.

As organizações defendem a sanção do Projeto de Lei 3447/2020, que permite que recursos
do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) sejam direcionados
para estados e municípios para garantir a conectividade de crianças e adolescentes
de famílias inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), bem como
daqueles matriculados nas escolas das comunidades indígenas e quilombolas, e professores
da rede pública.

“Ampliar o acesso à tecnologia é ampliar a possibilidade de fazer com que a educação
vá para ambientes além da sala de aula”, diz o presidente da Undime.

Além da internet, outras dificuldades foram apontadas pelas redes de ensino como
adequação da infraestrutura das escolas públicas municipais. As redes afirmaram 
ter dificuldades de nível médio a alto em planejamento pedagógico (58,4%); acesso
dos professores à internet (52,6%); formação dos profissionais e trabalhadores em
educação (54,5%); e, por fim, a reorganização do calendário letivo 2020 e 2021 (
30,1%), que aparece como a menor das dificuldades. (ABr)
