# Escritora indígena lançará livro sobre a resistência dos povos originários e respeito à natureza na Amazônia

- Link: https://oquartopoder.com.br/escritora-indigena-lancara-livro-sobre-a-resistencia-dos-povos-originarios-e-respeito-a-natureza-na-amazonia/
- Published: 2023-08-23T14:44:34-03:00
- Author: Redação

![](https://i0.wp.com/oquartopoder.com.br/wp-content/uploads/2023/08/0k12.jpg?resize
=735%2C440&ssl=1)

A escritora Márcia Wayna Kambeba lança, no próximo sábado (27), durante a primeira
edição do Festival Literário de Paracatu (Fliparacatu), o livro De almas e águas
kunhãs, com ensaios e poemas sobre temas como resistência de povos originários e
respeito à natureza na Amazônia. Ela apresentará a palestra Narrando ancestralidades,
ao lado da também escritora e pesquisadora indígena Trudruá Dorrico, a partir das
11h30, na Igreja Nossa Senhora do Rosário.

“Escrever e compor (ela tem mais de 30 músicas autorais) são necessidades para expressar
resistência, comunicar e respeitar a cultura da gente, a natureza, o nosso olhar
e compreender o entendimento que temos do mundo”, afirma a autora, de 44 anos, em
entrevista à **Agência Brasil**.

Ela explica que a inspiração para a arte veio da ancestralidade, a avó. “Ela me 
motivava a escrever. Ela comprou minha primeira máquina de datilografia. Me colocou
em um curso. Ela sempre apostou e apoiou para que eu me tornasse uma poeta, uma 
escritora”.

Incentivada, aos 14 anos de idade ela começou a escrever os primeiros poemas. A 
avó morreu quando ela tinha 21 anos. Só foi depois de concluir o mestrado conseguiu
publicar os primeiros livros. Ao todo, são seis impressos. Mais três devem ser publicados
em setembro (esses para o público infantil).

**Mulher**

“O meu livro trata do papel da mulher indígena em todas as relações estabelecidas
em que nós adentramos, a mulher indígena como pajé, na política, na proteção do 
meio ambiente e de nosso território”, disse a escritora, que é também pesquisadora
de geografia. Com 44 anos de idade, é da etnia Omágua Kambeba, nasceu na Aldeia 
Belém de Solimões, do povo Ticuna, no interior do Amazonas, onde morou até os oito
anos de idade.

Ela enfatiza que a literatura é voz contra as adversidades e violências que os povos
indígenas sempre enfrentaram no Brasil. “Nós sofremos violências das mais diversas
formas, nos aspectos culturais e territoriais, por exemplo. A própria natureza, 
quando é violentada, também nós sentimos dentro das aldeias”. Nesse sentido, ela
explica que a mulher indígena tem ocupado mais espaço, como ser liderança, cacique
e pajé.

A gente não quer ser melhor que os homens e também não quer ficar atrás deles. Os
nossos parentes, homens indígenas, têm compreendido bem esse posicionamento das 
mulheres”. Não aquela que fica em casa, mas a que lidera. A pesquisadora explica
que a literatura entrou na vida dela quando a avó recitava poemas que ela mesmo 
escrevia. “Ela era compositora da aldeia. Eu cantava para os turistas que visitavam
nosso povo”.

Com nove anos de idade, mudou-se para São Paulo de Olivença e depois para Tabatinga,
onde cursou geografia. Depois, fez mestrado na mesma área. Mas, encantada pelas 
poesias, foi para Belém cursar doutorado em letras.

_**Fonte: Agência Brasil**_
