# Espécie tóxica de cogumelo é encontrada em áreas urbanas de Santarém

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- Published: 2024-12-19T18:10:32-03:00
- Author: Redação

Foto: Acervo de pesquisa / Ufopa

Por Guilherme Ferreira

Pesquisadores da [Universidade Federal do Oeste do Pará](https://www.ufopa.edu.br/ufopa/)(
Ufopa) encontraram, pela primeira vez em solo paraense, o cogumelo conhecido como
Chlorophyllum molybdites, espécie considerada tóxica que ocorre especialmente na
região sul do Brasil. O cogumelo tem poucos registros de ocorrência na Amazônia,
e ainda não há informações oficiais de casos de intoxicação por ingestão acidental
da espécie na região.

A pesquisa é resultado do trabalho de conclusão de curso (TCC) de Daniel Marinho,
aluno de graduação em Ciências Biológicas do Instituto de Ciências da Educação (
Iced), que contou com a orientação dos servidores Marcos Santana e Eveleise Canto,
ambos do Instituto de Ciências e Tecnologia das Águas (ICTA).

No estudo, os pesquisadores observaram que o cogumelo tende a se desenvolver principalmente
em áreas antropizadas, aquelas transformadas pela ação humana, com interferência
na vegetação, solo e/ou relevo. A espécie pode crescer em quintais e gramados, áreas
comuns na zona urbana de Santarém, e não representam grandes problemas.

Os pesquisadores destacam que esse tipo de cogumelo desempenha um papel importante
na natureza, auxiliando na decomposição da matéria orgânica e contribuindo com o
ciclo de nutrientes. O risco, segundo eles, está na manipulação inapropriada do 
cogumelo, sobretudo no consumo.

Para o orientador Marcos Santana, o trabalho é fundamental para aumentar o conhecimento
sobre os fungos da Amazônia brasileira, especialmente da diversidade paraense. Ele
explica que “o ponto central do estudo é o relato, pela primeira vez, da ocorrência
dessa espécie no estado do Pará, o que acrescenta dados de conhecimento sobre essa
espécie para a Amazônia. Existem maiores pontos dessa espécie em outras regiões 
brasileiras, mas na Amazônia é pouquíssimo relatada, quase não se tem conhecimento
sobre isso, e o que se tem está muito restrito a amostras com problemas de má conservação,
com problemas de identificação, entre outros fatores que podem limitar o avanço 
das pesquisas”.

Embora a espécie possa ser perigosa, Santana esclarece que o potencial toxicológico
do cogumelo pode ser aproveitado. Ele também explica que o objetivo da pesquisa 
não é desencorajar as pessoas a serem curiosas sobre os fungos, mas alerta para 
o riscos de manipular o cogumelo sem a devida orientação. “Em caso de encontrar 
a espécie, é não mexer, mas se for o caso de remoção, por causa de crianças e animais
domésticos, é só retirar com cuidado, colocar em um saquinho, amarrar, descartar
normalmente e lavar bem as mãos depois”, comenta o orientador.

Amostras da espécie foram coletadas na Unidade Tapajós da Ufopa, em trechos do canteiro
central da Avenida Cuiabá, na estação científica da Ufopa em Curuá-Una, no município
de Oriximiná e em outras regiões do Pará. Todo o material coletado foi depositado
na Coleção de Fungos do Herbário HSTM da Ufopa e os dados secundários já estão disponíveis
nos bancos de dados de biodiversidade do país para ampla consulta.

O trabalho de pesquisa foi publicado na revista científica ACTA Amazônica, com o
título “New occurrence data of the toxic mushroom Chlorophyllum molybdites (Basidiomycota,
Agaricaceae) in the Brazilian Amazon region”.

Com informações da Ascom/Ufopa.
