# Estudo relata violência contra jornalistas e comunicadores na Amazônia

- Link: https://oquartopoder.com.br/estudo-relata-violencia-contra-jornalistas-e-comunicadores-na-amazonia/
- Published: 2024-04-23T11:07:27-03:00
- Author: Redação

Alertar a sociedade sobre a relação de crimes contra o meio ambiente e a violência
contra jornalistas na Amazônia é o objetivo do estudo Fronteiras da Informação –
Relatório sobre jornalismo e violência na Amazônia, lançado hoje (23) pelo Instituto
Vladimir Herzog (IVH), em Belém.

O material traça um panorama sobre a situação na região amazônica, palco de crescente
onda de violência, atingindo diretamente os profissionais de imprensa.

Dados da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) revelam a ocorrência de 230
casos de violência contra liberdade de imprensa nos nove estados da Amazônia Legal,
nos últimos dez anos. Segundo a Fenaj, o Pará é o estado mais violento para repórteres
na Amazônia, com 89 casos registrados em uma década, seguido por Amazonas (38),
Mato Grosso (31) e Rondônia (20).

Um dos casos mais emblemáticos e que chocou o Brasil e o mundo foi o assassinato
do jornalista inglês Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira, em 2022

Segundo o coordenador de Jornalismo e Liberdade de Expressão do Instituto Vladimir
Herzog, Giuliano Galli, a morte brutal dos profissionais levou o instituto a se 
debruçar com maior atenção aos casos de violência na região. O instituto desenvolve
projetos relacionados à proteção de jornalistas em todo o país.

“Especificamente, nos últimos anos, principalmente após o assassinato do Bruno e
do Dom, a gente começou a receber um volume de denúncias muito maior de jornalistas
e comunicadores que atuam na região amazônica. Então, a grande motivação foi produzir
um documento que embasasse essa nossa percepção – de ter um número de casos maior
naquela região – para que a gente pudesse utilizar para um trabalho de incidência
junto a atores do Estado brasileiro para que possa adotar medidas e criar políticas
públicas de proteção aos jornalistas e comunicadores na Amazônia.”, disse Galli 
à Agência Brasil.

O relatório traz diversos relatos de casos em que a violência contra os profissionais
aparece diretamente ligada às investigações sobre crimes ambientais. Outro dado
presente no documento diz respeito ao fato de que, em 2022, por exemplo, ano eleitoral,
o registro de violência contra jornalistas na Amazônia mais que dobrou em relação
a 2021. Foram 45 casos contra 20 no ano anterior, segundo levantamento da Fenaj.

“Os relatos que a gente recebe é que, especificamente no Vale do Javari, a situação
ainda continua bastante perigosa e pouco foi feito desde então. Então, não deixa
de ser uma motivação para evitar que casos parecidos como o do Bruno e do Dom se
repitam, não só no Vale do Javari, mas em toda a Amazônia e em todo o país”, acrescentou
Galli.

Para o coordenador de Jornalismo e Liberdade de Expressão do Instituto Vladimir 
Herzog, o relatório é claro ao apontar a relação de atividades ilegais como garimpo,
mineração, ocupação de territórios indígenas e a ausência de de políticas públicas
de proteção. Ele destaca ainda que a violência não é sofrida apenas por jornalistas
e comunicadores, mas também por defensores de direitos humanos em geral.

_**Fonte: Agência Brasil**_
