# Ex-vereadora é dona de posto de combustível clandestino dentro de terra indígena no Pará

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- Published: 2023-10-03T21:36:14-03:00
- Author: Redação

**Murilo Pajolla[Brasil de Fato ](https://www.brasildefato.com.br/)

A ex-vereadora do município de Alto Horizonte (GO), Lauanda Peixoto Guimarães, está
entre os invasores com negócios clandestinos dentro da Terra Indígena (TI) Apyterewa,
a mais desmatada durante o governo Bolsonaro. Eleita pelo PRB, antigo nome do Republicanos,
ela foi cassada pela Câmara de Vereadores em 2018, após ter sido gravada tentando
extorquir o prefeito da cidade. Segundo o governo federal, ela está foragida. [As informações são do Brasil de Fato.](https://www.brasildefato.com.br/2023/10/03/ex-vereadora-e-dona-de-posto-de-combustivel-clandestino-dentro-de-terra-indigena-no-para)

A informação foi divulgada nesta terça-feira (3) pela força tarefa do governo federal
que conduz uma megaoperação para expulsar mais de 3 mil não indígenas que ocupam
de forma ilegal a área demarcada para o povo Parakanã.

Segundo o Ministério dos Povos Indígenas, dois postos de gasolina clandestinos, 
identificados como Posto do Divino e Posto Lauanda, foram inspecionados e desativados
nesta segunda-feira (2), primeiro dia da desintrusão, como é chamada a expulsão 
de invasores de terras indígenas. Ambos os estabelecimentos estão localizados na
invasão chamada de Vila Renascer, que tem casas, igrejas, escolas e comércio.

A TI Apyterewa perdeu uma área do tamanho de Fortaleza (CE) por causa da pecuária,
do garimpo e da grilagem. Metade de todo o desmatamento ocorreu durante o governo
Bolsonaro, quando, segundo o Ibama, as invasões se proliferavam “sem restrição”.
Neste ano, o Ibama começou a desativar os acampamentos clandestinos e conseguiu 
derrubar o desmatamento em 94% no primeiro semestre, números do Instituto Socioambiental.

“Em retaliação à decisão judicial [que determinou a expulsão dos invasores], houve
uma tentativa da população de construir um galpão improvisado e realizar uma manifestação.
Porém, a população foi dispersada sem a necessidade de atuação em controle de multidões”,
afirmou em nota o Ministério dos Povos Indígenas.

De acordo com o governo federal, também foram identificados 15 pontos com rebanho
bovino e realizadas abordagens de 10 veículos que transportavam 199 animais dentro
da terra indígena. Os moradores da invasão Vila Renascer foram notificados pelo 
oficial de Justiça que terão que deixar o local.

**Ex-vereadora responde por ataques contra agentes do Ibama e da Funai**

De acordo com comunicado do Ministério dos Povos Indígenas, o posto de combustível
clandestino era de propriedade da ex-vereadora Lauanda Peixoto Guimarães e do marido,
Rogério da Silva da Fonseca, conhecido na região como Goiano. O motivo da cassação
foi um áudio divulgado pela imprensa em que ela o marido tentam extorquir dinheiro
do então prefeito, Luiz Borges (PSD).

Em 2021, Lauanda foi uma das cinco pessoas denunciadas pelo Ministério Público Federal(
MPF) por organizar e realizar ataques contra agentes da Funai e do Ibama, que tentavam
combater invasores na TI Apyterewa.

Segundo o governo federal, Rogério da Silva Fonseca, marido de Lauanda, também está
foragido. O Brasil de Fato não localizou as defesas dele e da esposa. A reportagem
também perguntou ao Republicanos se a ex-vereadora continua filiada ao partido. 
Caso haja posicionamentos, esta reportagem será atualizada.

**Sede da COP30, Pará tem pecuária ilegal em terras indígenas**

No Pará, estado que sediará a COP30 em 2025, a pecuária ilegal integra cadeias de
produção de grandes multinacionais. Segundo a Repórter Brasil, de fazendas localizadas
na TI Apyterewa saíram milhares de cabeças de gado para a Marfrig, a segunda maior
empresa produtora de carne no mundo. Invasores também forneceram gado indiretamente
para a JBS.

O Ministério Público Federal (MPF) estima que mais de 3 mil não indígenas ocupavam
de maneira ilegal a região, numero maior do que os 1,4 mil indígenas que ocupam 
o território de forma legítima. Enquanto crescia o número de invasores, que construíram
fazendas e pequenas cidades dentro da área protegida, os indígenas foram progressivamente
confinados no próprio território. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), eles
ocupam atualmente apenas 25% da TI.

Esta é a segunda maior operação de expulsão de invasores de terras indígenas, atrás
apenas da que ocorre na TI Yanomami, em Roraima. Centenas de servidores da Funai,
Polícia Federal (PF), Abin, Força Nacional e Ibama, além de outros órgãos.

**Edição: Thalita Pires**
