# Força-tarefa resgata 48 trabalhadores em condições análogas à escravidão no Pará em 2025

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- Published: 2026-01-29T20:41:04-03:00
- Author: Redação

Dados de 2025 das forças-tarefas de combate ao trabalho escravo integradas pelo 
Ministério Público do Trabalho (MPT) revelam que o trabalho escravo contemporâneo
é uma realidade persistente no Brasil. Ao longo do ano, 1.986 trabalhadores foram
resgatados de condições análogas à escravidão por meio de 196 ações com participação
do MPT em todo o território nacional. Deste número, 48 foram no estado do Pará, 
em 13 operações realizadas.  

A atuação resultou em 228 Termos de Ajustamento de Conduta firmados, sendo 21 no
Pará, e 11 ações civis públicas ajuizadas. Em termos de reparação, foram assegurados
aproximadamente R$ 7,88 milhões em indenizações por dano moral individual aos trabalhadores
resgatados e R$ 5,37 milhões em dano moral coletivo. Desse montante, R$ 1.426.692,00
e R$ 1.892.000,00, respectivamente, referem-se ao Pará. Os valores totais da atuação
do MPT são ainda maiores, já que os números correspondem a valores assegurados imediatamente
no curso de forças-tarefas, não abrangendo os valores de condenações judiciais. 

A distribuição geográfica das operações demonstra que o trabalho escravo ocorre 
em todo território nacional. Minas Gerais liderou com 42 operações, seguido por 
São Paulo com 22 e Rio Grande do Sul com 15. O Pará ficou na quarta posição, com
13 ações. Entre os municípios com propriedades fiscalizadas no estado estão: Altamira,
Anapu, Acará, Brasil Novo, Bonito, Brejo Grande do Araguaia, Canaã dos Carajás, 
Cumaru do Norte, Novo Progresso, Medicilândia, Moju, Oeiras do Pará, Parauapebas,
Rurópolis, Santarém, Santana do Araguaia,  São Félix do Xingu, Tailândia, Tomé-Açu,
Uruará e Xinguara. 

Dentre as condições degradantes às quais os trabalhadores são submetidos estão: 
alojamentos improvisados em barracos de lona ou galpões, ausência de água potável
e banheiros adequados, alimentação precária ou insuficiente, exposição a agrotóxicos
e outros produtos químicos sem qualquer equipamento de proteção. Jornadas exaustivas,
servidão por dívida e trabalho forçado também configuram os elementos do trabalho
escravo contemporâneo. 

**Atuação –** A atuação do Ministério Público do Trabalho no combate ao trabalho
escravo vai da fiscalização em campo à responsabilização estratégica de cadeias 
produtivas. De acordo com o coordenador nacional da Coordenadoria de Erradicação
do Trabalho Escravo e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (CONAETE), o procurador
do Trabalho Luciano Aragão, “a escravidão contemporânea não se esconde apenas em
fazendas isoladas do interior do país. Ela abastece cadeias produtivas de grandes
corporações e chega às prateleiras dos supermercados, às roupas que vestimos e ao
cafezinho que tomamos”. 

Neste cenário, o projeto Reação em Cadeia do MPT atua justamente nas cadeias produtivas
que se beneficiaram de trabalho escravo, identificando e responsabilizando empresas
que mantiveram relações comerciais com fornecedores flagrados em situação de trabalho
escravo. No Pará, a atividade econômica selecionada é a pecuária. 

“A escolha se deu em razão do número de trabalhadores encontrados na condição análoga
à de escravo e da necessidade de atuação em face das empresas líderes desse setor.
Com isso o MPT pretende que essas empresas assumam a sua responsabilidade evitando
que graves violações de direitos humanos sejam cometidas na cadeia e, em caso de
ocorrências, assumam responsabilidade solidária para uma legítima reparação”, explica
a procuradora do Trabalho Silvia Silva, coordenadora regional da CONAETE.

Regionalmente, o MPT no Pará também realiza a capacitação da rede de atendimento
às vítimas da exploração de trabalho escravo contemporâneo. Nos últimos anos, a 
capacitação foi desenvolvida nos municípios de Xinguara, Itupiranga, Ulianópolis,
Marabá, Dom Eliseu, Redenção e São Félix do Xingu.

A iniciativa visa sensibilizar gestores públicos de municípios que concentram maior
número de casos de resgates e crimes na região, ou com maior número de trabalhadores
neles arregimentados e resgatados em outros estados da federação, para atuação preventiva.
Busca ainda capacitar servidores para identificar e denunciar casos de acordo com
o fluxo nacional de atendimento às vítimas.

As denúncias de trabalho análogo ao escravo podem ser feitas de forma remota e sigilosa
pelo Disque 100 ou pelo site do MPT PA-AP (www.prt8.mpt.mp.br). Acesse nossos canais
de atendimento remoto [aqui](https://www.prt8.mpt.mp.br/procuradorias/prt-belem/732-plantao-e-canais-de-atendimento).

[Fonte: MPT-PA](https://oquartopoder.com.br/forca-tarefa-resgata-48-trabalhadores-em-condicoes-analogas-a-escravidao-no-para-em-2025/ MPT-PA)
