# “Guia de Qualidade do Cacau paraense” incentiva fortalecimento da cadeia do fruto no Estado

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- Published: 2025-08-29T12:15:19-03:00
- Author: Redação

Com o intuito de fortalecer a competitividade do cacau produzido no Pará e abrir
novas oportunidades para produtores, cooperativas e indústrias, o Centro de Valorização
de Compostos Bioativos da Amazônia (CVACBA), laboratório da Universidade Federal
do Pará (UFPA), dentro do Parque de Ciência e Tecnologia (PCT) Guamá, iniciativa
do Governo do Estado, lançou, neste mês de agosto, o “Guia de Qualidade do Cacau
paraense”.

“Desde 2009, o Centro desenvolve pesquisas com o cacau amazônico, abrangendo todas
as etapas da cadeia produtiva: desde a colheita dos frutos até o processamento, 
o desenvolvimento de novos produtos e o aproveitamento de resíduos. O foco central
dessas pesquisas, diretriz também do novo Guia, é preservar os compostos bioativos
do cacau e potencializar seus benefícios para a saúde do consumidor, além de promover
a valorização da produção local e ampliar as oportunidades de mercado”, explica 
o professor Jesus Silva, coordenador do CVACBA. 

**GUIA**

O material orienta sobre o momento ideal de colheita, transporte das amêndoas frescas,
métodos adequados de fermentação e secagem, além de técnicas corretas de armazenamento.
Também traz critérios oficiais de classificação, explicando como identificar defeitos,
avaliar características sensoriais e compreender como esses fatores influenciam 
no preço pago ao produtor. Além das etapas de pós-colheita, o guia também enfatiza
a importância do manejo adequado no campo, do controle de pragas e doenças, da rastreabilidade
e da utilização de tecnologias que permitam padronizar e manter a qualidade das 
amêndoas.

Doutora em Biotecnologia e Pesquisadora do CVACBA, Giulia Lima, explica que o Guia
reúne, de forma integrada, uma parte teórica sobre os fatores que influenciam a 
qualidade das amêndoas de cacau e resultados práticos obtidos a partir de amostras
comerciais do Estado, com parâmetros físicos e físico-químicos.

“Essas informações permitem ao comprador identificar características de interesse:
amêndoas bem fermentadas, por exemplo, são ideais para a produção de chocolates 
finos, enquanto aquelas com alto teor de gordura podem ser direcionadas à indústria
de manteiga de cacau. Ao evidenciar a diversidade de perfis existentes dentro do
próprio Pará, o guia amplia as oportunidades de mercado e fortalece a competitividade
internacional do cacau paraense”, ressalta a pesquisadora.  

**PRODUÇÃO**

Atualmente, o Pará é o maior produtor de cacau do Brasil e apresenta a maior produtividade
do mundo, superando, inclusive, países historicamente líderes na produção mundial.
Além disso, o cacau cultivado no Pará reúne uma ampla diversidade genética, que 
resulta em amêndoas diferenciadas, com perfis sensoriais únicos, com aromas e sabores
que se destacam no cenário internacional.

Por ser uma planta nativa da Amazônia, a pesquisadora pontua que o cacau encontra
no Pará condições naturais ideais de clima e solo para o seu cultivo. O Pará é o
único lugar no mundo que produz cacau de várzea, e a diversidade de espécies que
convivem com o cacaueiro influencia diretamente no perfil das amêndoas. 

**INOVAÇÃO TECNOLÓGICA**

Com papel central na valorização do cacau amazônico, a inovação tecnológica permite
tanto o aproveitamento integral da matéria-prima quanto a diferenciação de produtos
no mercado. O professor Jesus Silva ressalta que o conhecimento científico garante
maior competitividade ao cacau paraense; estimula o desenvolvimento de novos produtos
funcionais, valorizando a biodiversidade amazônica; amplia renda e abre oportunidades,
sobretudo, para agricultores familiares e cooperativas. 

“No CVACBA, a pesquisa aplicada busca desenvolver e adaptar metodologias modernas
para avaliar e preservar os compostos bioativos presentes nas amêndoas e subprodutos
do cacau, ampliando suas aplicações em alimentos, bebidas e chocolates funcionais
e premium. Esse processo assegura maior qualidade, rastreabilidade e singularidade
ao cacau paraense. A inovação tecnológica se torna um vetor de desenvolvimento econômico
regional sustentável”, finaliza Jesus Silva.

**_Fonte: Agência Pará_**
