# Hana Ghassan sanciona lei inédita da Educação Escolar Indígena no Pará

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- Published: 2026-05-11T19:34:34-03:00
- Author: Redação

O Pará deu um passo histórico na valorização dos povos originários com a sanção 
da lei que institui a Política Estadual de Educação Escolar Indígena. A nova legislação
foi assinada nesta segunda-feira (11), em Belém, pela governadora Hana Ghassan, 
e estabelece, pela primeira vez no Estado, diretrizes específicas para uma educação
diferenciada, intercultural e multilíngue voltada às comunidades indígenas.

A medida tem como base o Projeto de Lei nº 617/2025, encaminhado pelo Poder Executivo
e aprovado por unanimidade pela Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa)
no último dia 28 de abril. A proposta foi construída a partir de um amplo processo
de escuta e participação social, envolvendo lideranças indígenas, professores, organizações
representativas e instituições públicas.

Durante a cerimônia de sanção, Hana Ghassan destacou que a nova política representa
o reconhecimento dos direitos, das culturas, das línguas e dos saberes tradicionais
dos povos indígenas do Pará. Segundo a governadora, a legislação nasceu do diálogo
coletivo e da participação direta das comunidades indígenas em todas as etapas de
elaboração.

Desde setembro de 2025, o projeto percorreu as oito etnorregiões do Estado por meio
das Consultas Livres, Prévias e Informadas (CLPIs). O processo reuniu representantes
da Secretaria de Estado de Educação do Pará (Seduc), da Universidade do Estado do
Pará (Uepa), da Federação dos Povos Indígenas do Estado do Pará (Fepipa) e da Procuradoria-
Geral do Estado, garantindo que o texto refletisse a diversidade cultural e linguística
dos mais de 70 povos indígenas presentes no território paraense.

A nova lei cria o Subsistema Estadual de Educação Escolar Indígena, institui o Conselho
Estadual de Educação Escolar Indígena e estabelece um regime específico para os 
profissionais que atuam nas aldeias. Entre os principais avanços estão a garantia
do ensino em língua materna indígena e em português, além da inclusão dos saberes
tradicionais no currículo escolar.

Outro ponto considerado fundamental é o fortalecimento da participação indígena 
nas decisões sobre a política educacional e a garantia do direito à Consulta Prévia,
Livre e Informada, conforme previsto na Convenção 169 da Organização Internacional
do Trabalho (OIT). A legislação também preserva direitos já assegurados anteriormente,
evitando retrocessos e ampliando a segurança jurídica para implementação das ações.

A política prevê ainda concursos públicos específicos para professores indígenas,
ampliação do Sistema Modular de Ensino Indígena (Somei) e fortalecimento de programas
educacionais voltados às realidades culturais e territoriais de cada povo.

O secretário estadual de Educação, Ricardo Sefer, afirmou que a sanção marca um 
momento histórico para a educação pública paraense. Segundo ele, pela primeira vez
o Estado passa a contar com uma legislação construída com respeito às especificidades
da educação indígena, fortalecendo uma política mais inclusiva e conectada às realidades
dos povos tradicionais.

Representantes indígenas também celebraram a conquista. Smaick Tembé destacou que
a lei garante maior reconhecimento aos profissionais que atuam nas comunidades. 
Já Giandria Kabamunduruku afirmou que a aprovação da política representa uma vitória
histórica após anos de luta dos povos indígenas do Pará.

Cofundadora da Fepipa, Concita Sompré ressaltou o caráter inédito da iniciativa 
e lembrou que nenhum governo anterior havia encaminhado uma legislação específica
sobre educação escolar indígena à Alepa.

A professora Mila Munduruku comemorou a criação da política e destacou que a nova
lei contempla demandas históricas dos povos originários, permitindo que os saberes
tradicionais sejam fortalecidos dentro das escolas indígenas.

Com a sanção da nova legislação, o Pará consolida uma política pública voltada à
valorização da diversidade cultural, da inclusão e da justiça social, fortalecendo
a educação como instrumento de preservação da identidade e da autonomia dos povos
indígenas da Amazônia.
