# Heineiken na lista do trabalho escravo com recorde de empregadores

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- Published: 2023-10-06T16:37:37-03:00
- Author: Redação

A chamada Lista Suja do trabalho escravo publicada na última quinta-feira (5) pelo
Ministério do Trabalho e Emprego incluiu número recorde de empregadores que submeteram
trabalhadores a condições semelhantes à escravidão. Entre as empresas, chama atenção
a inclusão de uma [famosa cervejaria na lista, a Kaiser, ligada ao Grupo Heineken no Basil](https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2023-10/lista-do-trabalho-escravo-tem-cervejaria-e-recorde-de-empregadores).

[Confirma aqui a lista completa.](https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/assuntos/inspecao-do-trabalho/areas-de-atuacao/cadastro_de_empregadores.pdf%C2%A0)

A lista é publicada a cada semestre desde 2003 e, nesta edição, incluiu 204 novos
empregadores, a maior inclusão já registrada na história, segundo o MTE.

Dos 204 novos empregadores incluídos na lista, a maioria é do setor da produção 
de carvão vegetal (23), seguido por criação bovina (22), serviços domésticos (19),
cultivo de café (12) e extração e britamento de pedras (11). Entre as unidades da
federação, a maior quantidade de novos casos foi registrada em Minas Gerais (37),
seguida por São Paulo (32), Pará (17), Bahia (14), Piauí (14) e Maranhão (13).

A Lista Suja mostra que os 473 empregadores submeteram, ao todo, 3.773 trabalhadores
a condições análogas à escravidão. Já o total de pessoas resgatadas nessas condições
pela Inspeção do Trabalho no Brasil, desde 1995, chega a mais de 61 mil pessoas,
segundo o site do ministério.

A diferença é explicada porque, para entrar na lista, é preciso esgotar os recursos
administrativos contra o auto de infração aplicado pelos fiscais que encontraram
pessoas em condições semelhantes à escravidão.

**Pobreza e fiscalizaçãoA vice-presidente da Associação Nacional dos Procuradores
da Procuradores de Trabalho (ANPT), Lydiane Machado e Silva, afirmou que o aumento
da pobreza nos últimos anos, em especial devido à pandemia, e o apoio do novo governo
à fiscalização contra o trabalho escravo explicam o recorde no número de novos empregadores.

“A pandemia agravou a vulnerabilidade econômica das pessoas. Então, essas pessoas
são presas mais fáceis para os cooptadores de trabalhadores. Fica mais fácil aceitar
promessas de emprego que, no final das contas, são empregos que não estão observando
os requisitos mínimos da legislação brasileira”, disse.

A procuradora Lydiane contou que as condições precárias de trabalho costumam se 
repetir nesses casos marcadas por alojamentos precários, sem banheiros e com alimentação
sem armazenamento adequado.

Outra situação que tem aumentado é a de resgate de mulheres submetidas a essas condições
no trabalho doméstico. “Em que pese sempre haver uma desculpa de que ela é tratada
como uma pessoa da família, o que a gente percebe, na realidade, é que ela é colocada
em um quartinho dos fundos, muitas vezes em condições insalubres, sem acesso à convivência
social com outras pessoas”, relatou.

Também chama atenção da procuradora a inclusão, na lista, de empresa de grande apelo
social do público brasileiro. “A gente se pergunta porque empresas tão grandes não
entendem que também é responsabilidade delas verificar toda a sua cadeia produtiva”,
destacou Lydiane. Para ela, a Lista Suja é importante porque a sociedade brasileira
merece saber o que está acontecendo em suas cadeias produtivas.

**Heineiken**
Em nota, o Grupo Heineken afirmou que foram surpreendidos pelo caso,
que ocorreu em 2021, com uma das prestadoras de serviços da companhia, a Transportadora
Sider.

“Na ocasião, perplexos, nos mobilizamos para prestar todo apoio aos trabalhadores
envolvidos e para garantir que todos os seus direitos fundamentais fossem reestabelecidos
prontamente. Além disso, asseguramos as medidas necessárias junto à transportadora,
que não faz mais parte do nosso quadro de fornecedores”, informou.

Além disso, a nota diz que “a partir desse caso, compreendemos a necessidade de 
avançar ainda mais nessa agenda e na checagem do cumprimento das regras presentes
em nosso Código de Conduta. Entre as iniciativas, desenvolvemos uma plataforma robusta
de controle de terceirização”.

A reportagem entrou em contato com a Transportadora Sider, para que se manifeste
sobre o caso, e aguarda posicionamento.

[Fonte: Agência Brasil](https://oquartopoder.com.br/heineiken-na-lista-do-trabalho-escravo-com-recorde-de-empregadores/ Agência Brasil)
