# Ilegalidade na mineração cresce e impacta negativamente pilares socioambientais

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- Published: 2025-03-29T09:47:05-03:00
- Author: Redação

**Por: Ícaro Ambrósio**

Um estudo publicado por pesquisadores brasileiros na revista Nature, em fevereiro
deste ano, identificou que o garimpo aumentou 12 vezes, enquanto a mineração industrial
cresceu cinco vezes no período de 2019 a 2022. O documento ainda indica que pelo
menos 77% dos locais de garimpagem, dentro do período observado, atuavam com sinais
explícitos de ilegalidade.

Paralelo a isto, um outro estudo, desta vez publicado na revista Science of the 
total Environment, identificou o impacto da mineração ilegal. As informações são
que a execução de atividades minerárias desenfreadas foram responsáveis pela perda
de ao menos 50% dos estoques de carbono no ar e pelo aumento de 70% da concentração
de mercúrio no solo das regiões destacadas.

O impacto disso é catastrófico e se enquadra em pautas de diferentes estrofes. Vai
desde a conflitos territoriais – muitos destes em terras demarcadas a população 
indigena -, passando por situações de exploração do trabalho e alcançando até mesmo
em perdas irreparáveis para ecossistemas e nichos ambientais.

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Na contramão disso, existe a mineração responsável, que nasce com um conceito que
envolve práticas e princípios voltados para a extração de recursos minerais de forma
sustentável, ética e consciente, minimizando os impactos negativos no meio ambiente,
na sociedade e na economia. Cercada de tecnologias limpas e cumprindo rigorosamente
com as regulamentações e atuando com transparência, busca também restaurar o respeito
aos direitos humanos e às comunidades.

“O conceito de mineração responsável foi gradualmente formado à medida que se tornava
evidente que, embora a mineração fosse essencial para a economia global, ela precisava
ser realizada de maneira mais ética, sustentável e transparente. O crescente interesse
em questões de responsabilidade social corporativa (RSC) e desenvolvimento sustentável
no final do século XX ajudou a moldar esse conceito”, esclarece Pedro Portugal, 
engenheiro de minas e CMO (Chief Mining Officer) da Keystone

Pedro ainda esclarece que tais práticas responsáveis buscam promover a transparência
nas operações, garantir a governança ética das empresas mineradoras e investir em
tecnologias que minimizem o impacto ambiental, como o uso eficiente da água e a 
redução de poluição. “É uma abordagem que vai além do simples lucro, buscando um
equilíbrio entre exploração e sustentabilidade para as gerações presentes e futuras.
Importante também destacar que, quando regularizada, é mais fácil para os órgãos
regulamentadores fiscalizar e indicar o caminho certo para a indústria extrativista
naquela região”.

O mais curioso de tudo isso é que esse termo surgiu como uma resposta às crescentes
preocupações sociais e ambientais relacionadas à indústria da mineração, especialmente
entre os anos 1980 e 1990. Durante esse período, o setor enfrentou críticas devido
aos impactos ambientais negativos, condições de trabalho precárias e à falta de 
atenção para as comunidades locais afetadas pelas atividades mineradoras.

Pelo menos 40 anos passaram e os problemas são parecidos. Porém a aplicação das 
práticas acompanhou o desenvolvimento do setor e tem paralelos tão importantes quanto
a atenção para o desenvolvimento sustentável e seguro. Além da gestão ambiental,
questões como segurança e saúde dos trabalhadores, respeito ao direito das comunidades,
transparência e governança também aderiram à pauta como prioridade.

Ainda na década de 90, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) começou a criar
e promover normas internacionais de trabalho que influenciaram a indústria da mineração,
incentivando melhores condições de trabalho e proteção dos direitos dos trabalhadores.
Foi então que grandes empresas mineradoras começaram a adotar códigos de conduta
e compliance, comprometendo-se com a melhoria das práticas ambientais e sociais.
Isso incluiu a implementação de práticas para minimizar danos ambientais e engajamento
com as comunidades locais.

“Bom esclarecer que para que uma empresa tenha autorização para minerar seja qual
área for, é necessário uma série de processos e procedimentos que viabilizam o serviço.
Somado a isso, nós também construímos uma compliance e definimos rígidos critérios
para a execução tanto do serviço quanto do relacionamento com as pessoas envolvidas.
É assim que se combate o lado mal da mineração. Com respeito tanto pela terra, quanto
pelas pessoas e valorizando a atuação das empresas sérias e comprometidas”, completa
o CMO da Keystone.

—
É jornalista
