# Julho turquesa conscientiza população sobre doença do olho seco

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- Published: 2023-07-18T19:45:20-03:00
- Author: Redação

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Julho é o mês de conscientização da população sobre o olho seco, doença que está
aumentando muito em todas as faixas etárias da população feminina e masculina, embora
as mulheres sejam mais impactadas, principalmente pelas alterações hormonais que
experimentam ao longo da vida, como a menopausa, uso de pílulas contraceptivas e
terapia de reposição hormonal. A campanha mundial Julho Turquesa é fruto, no Brasil,
de parceria entre a Associação dos Portadores de Olho Seco (APOS) e a Tear Film 
Ocular Surface Society (TFOS), líder global em educação em saúde ocular.

No Brasil, a campanha acontece pelo quarto ano consecutivo no inverno, em julho,
mês mais seco do ano, e ganhou a cor turquesa, que representa a cor da água limpa,
da lágrima, segundo explicou nesta terça-feira (18) à Agência Brasil o presidente
da APOS, oftalmologista José Alvaro Pereira Gomes, também professor de oftalmologia
da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A
campanha visa mostrar a importância da doença também para a saúde pública, destacou
o professor da Unifesp.

**Lágrima**

Olho seco é uma doença relacionada à diminuição ou alteração da produção da qualidade
da lágrima. “E a lágrima é fundamental para a manutenção da transparência da córnea,
que é essa lente que a gente tem na frente do olho. A lágrima nutre a célula da 
superfície da córnea, protege de infecções e regulariza. Então, ela tem também uma
função óptica”, informou o médico.

A pessoa que não tem lágrima, ou tem uma alteração na qualidade da lágrima, começa
a ter problemas de visão e apresenta vários sintomas que interferem com a qualidade
de sua vida pessoal. Entre esses sintomas, o presidente da APOS destacou sensação
de areia e de secura, dificuldade de sair na luz, irritação ocular. “Isso vai piorando
durante o dia e, no final do período, costuma estar bem pior. É uma coisa que interfere
com a qualidade da vida das pessoas”.

Há uma piora da doença nessa época do ano no Brasil, quando o clima fica mais seco,
cai a umidade relativa do ar, o ar fica mais poluído. “Com isso, a lágrima evapora
mais rápido e as pessoas que têm olho seco começam a se sentir pior, começam a sentir
mais sintomas”. Depois, a doença pode se tornar crônica. O primeiro tratamento é
feito com lubrificantes tópicos, ou colírios. A segunda linha de tratamento, quando
tem um componente inflamatório, envolve colírios antiinflamatórios ou que contenham
algum corticoide. “Isso tem que ser baseado em um bom exame oftalmológico para a
gente indicar um tratamento”. Casos mais graves vão para oclusão da parte lacrimal
e incluem até mesmo cirurgia.

Segundo destacou Gomes, o ideal é, aos primeiros sintomas, o paciente procurar um
oftalmologista que poderá identificar o grau da doença, diferenciar o tipo de olho
seco e tratar de maneira apropriada. Ele condenou a automedicação porque o paciente,
muitas vezes, usa colírios errados que podem piorar o quadro, em vez de melhorar.

A lágrima é formada por várias camadas: camada aquosa, produzida pelas glândulas
lacrimais; camada de mucina, produzida pelas células da conjuntiva; e camada lipídica,
mais externa, que controla a evaporação da lágrima. Essa combinação mantém a superfície
do olho lubrificada, protegida e clara.

**Fatores de risco**

Segundo José Alvaro Pereira Gomes, o olho seco é muito comum em todo o mundo. Trabalhos
recentes publicados na literatura internacional mostram que 14% da população brasileira
sofrem de olho seco. Na cidade de São Paulo, esse número alcança 24%. Outras pesquisas
feitas pelas universidades de Campinas (Unicamp) e pela Unifesp revelaram que o 
olho seco afeta entre 24% e 25% da população jovem das duas instituições.

Alguns fatores de risco chamaram a atenção dos pesquisadores. O primeiro é o número
de horas de sono. “Abaixo de seis horas de sono, a pessoa fica mais exposta e tem
mais olho seco”. Outro fator é o uso de contraceptivo oral. Um terceiro fator que
contribui para essa doença é o número de horas que as pessoas ficam nas telas de
computadores e celulares. “Esse é um dos fatores mais importantes. É por isso que
o olho seco está aumentando a frequência nos jovens porque o mundo, hoje em dia,
é praticamente digital. São fatores que, realmente, têm aumentado demais a incidência
de olho seco nessa faixa da população que não é a mais tradicionalmente afetada 
pela doença”.

Contribuem também para o olho seco outros elementos, como fumaça, ar-condicionado,
alguns medicamentos, entre os quais antialérgicos e antidepressivos, além da isotretinoína
para tratamento da pele. “É multifatorial”. Gomes lembrou também dos casos mais 
graves do olho seco, que englobam algumas doenças como a artrite reumatoide, síndrome
de sjogren. Esses tipos mais graves de olho seco podem levar, inclusive, à perda
visual.

**Doença silenciosa**

José Alvaro Gomes disse que o olho seco é uma doença silenciosa. “Ela não faz muito
barulho mas pode começar a incomodar de tal forma que a pessoa fica sintomática 
e, muitas vezes, tem até que parar de trabalhar. Principalmente, quem lida o tempo
inteiro na frente do computador. Porque, quando você olha na tela de um computador
ou por qualquer outro dispositivo de tela, você diminui muito o número de piscadas
que renovam a lágrima. A pessoa deixa a lágrima evaporar de forma mais rápida. Então,
os sintomas pioram demais”.

A córnea é uma estrutura extremamente enervada e talvez seja a estrutura do corpo
humano que tenha mais densidade de enervação. “Aí, quando começa a dar sintomas,
eles vão se agravando, inclusive com intolerância e dor, o que leva a pessoa a não
poder exercer a profissão. Há pacientes mesmo que não conseguem sair de uma sala
escura, usam óculos escuros o tempo todo. Quando entram nessa fase, o tratamento
é um pouco mais difícil”.

Uma ótima recomendação, segundo o presidente da APOS, é a pessoa piscar várias vezes
quando estiver trabalhando em um computador. Outra dica é a altura da tela. O ideal
é que fique abaixo da linha do olhar, “porque aí você deixa um pouco mais fechado
e diminui a evaporação da lágrima”. Se o ambiente tem um ar-condicionado muito forte,
a sugestão é colocar um umidificador de ar; fazer pausas a cada 20 minutos ou meia
hora, quando se deve lembrar de pingar um lubrificante. Depois, voltar para a rotina.“
Não ficar direto na frente do computador. São recomendações muito importantes”.

_**Fonte: Agência Brasil**_
