# Justiça aceita denúncia e torna réu trio acusado de montar artefato explosivo perto do Aeroporto de Brasília

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- Published: 2023-01-15T19:39:24-03:00
- Author: Redação

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A Justiça do Distrito Federal aceitou a denúncia contra três pessoas acusadas de
envolvimento na tentativa de explosão de um artefato instalado em um caminhão-tanque
de combustível, nos arredores do aeroporto de Brasília, em dezembro do ano passado.
O documento assinado na terça-feira (10) foi obtido pela TV Globo.

À época, a Polícia Militar foi acionada após o motorista do caminhão perceber o 
objeto estranho no veículo e alertou policiais na área (veja detalhes abaixo). A
decisão do juiz Osvaldo Tovani, da 8ª Vara Criminal de Brasília, é da primeira instância
e atende denúncia do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT),
a partir das investigações da Polícia Civil.

Segundo a denúncia, Washington de Oliveira Sousa, Alan Diego dos Santos e Welligton
Macedo de Souza montaram o artefato e entregaram o material para que fosse colocado
no caminhão de combustível por Wellington Macedo. Ao g1, a defesa disse que não 
vai se manifestar até analisar a decisão da Justiça.

Os réus vão responder na Justiça pelo crime de explosão, quando se expõe “a perigo
a vida, a integridade física ou o patrimônio de outrem, mediante explosão, arremesso
ou simples colocação de engenho de dinamite ou de substância de efeitos análogos”.
A pena é de 3 a 6 anos de prisão e multa.

No entanto, o Ministério Público considera que é preciso aumentar a pena em 1/3,
já que o crime foi cometido tendo como alvo depósito de combustível.

Já as acusações de atos de terrorismo vão ser enviadas para a Justiça Federal, instância
competente para analisar se estão configurados crimes contra o Estado Democrático
de Direito.

**Investigação**

Os investigadores dizem que o plano foi feito no acampamento montando em frente 
ao Quartel-General do Exército, em Brasília, por onde passaram bolsonaristas radicais
com ideias golpistas.

Segundo a investigação, a ideia inicial dos criminosos era que o explosivo fosse
colocado próximo a um poste, para prejudicar a distribuição de energia elétrica 
na capital. De última hora, a decisão mudou e o objeto foi colocado no caminhão 
de combustível, carregado de querosene de aviação.

“O objetivo dos denunciados era cometer infrações penais que pudessem causar comoção
social a fim de que houvesse intervenção militar e decretação de Estado de Sítio”,
afirma a denúncia.
“Já em Brasília-DF, em frente ao Quartel General, em 23/12/2022,
George, Alan e Wellington e outros manifestantes não identificados, elaboraram o
plano de utilização de artefato explosivo para detonação em lugares públicos”, completa
o documento.

Ainda segundo a denúncia, a Polícia Civil afirma que horas após a identificação 
do explosivo, Alan e George se falaram por uma ligação de aplicativo de mensagens
e trocaram imagens do explosivo. A partir da análise de geolocalização, foi possível
identificar que um carro que seria da esposa de Wellington também circulou pelos
arredores do aeroporto no dia.

A Justiça também atendeu ao pedido de MP de enviar a parte da investigação sobre
organização criminosa para a Procuradoria-Geral da República, para que o caso seja
analisado no âmbito da Operação Nero, que investiga os atos de vandalismo do dia
12 de dezembro em Brasília.

**Relembre o caso**

A Polícia Militar detonou, na véspera de Natal, o explosivo após o artefato ser 
encontrado pelo motorista do caminhão-tanque. À época, o homem não soube dizer quem
havia deixado o material ali e a polícia descartou a participação dele no caso.

O caso não impactou as operações no aeroporto, tendo as decolagens e pousos sido
mantidos normalmente.

No mesmo dia, George Washington de Oliveira Sousa foi preso pela polícia por suposto
envolvimento no caso. Ele veio do Pará a Brasília para participar das manifestações
em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que ocorriam no quartel-general do
Exército.

O homem foi localizado e preso em um apartamento no Sudoeste, na região central 
do DF, e confessou que tinha intenção de explodir o artefato no aeroporto. Com ele,
foi apreendido um arsenal com pelo menos duas espingardas, um fuzil, dois revólveres,
três pistolas, centenas de munições e uniformes camuflados. No apartamento, foram
encontradas outras cinco emulsões explosivas.

**_Fonte: G1_**
