# Máscaras não afetam respiração ou trazem risco à prática de exercícios

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- Published: 2022-01-08T14:54:54-03:00
- Author: Redação

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Lazer no Parque do Ibirapuera após a flexibilização do isolamento social durante
a pandemia de covid-19.

Uma pesquisa da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo aponta que o 
uso de máscaras não afeta a respiração ou traz riscos para pessoas saudáveis na 
prática de exercícios físicos. Para o estudo foram avaliados 17 homens com idade
média de 30 anos e 18 mulheres com faixa etária média de 28 anos, todos saudáveis.

“A gente fez com o objetivo de investigar se o uso das máscaras durante o exercício
atrapalhava o desempenho, o funcionamento do corpo em pessoas que fazem atividade
física regular, mas não são atletas”, explica o professor Bruno Gualano, responsável
pelo estudo. Para isso, os participantes da pesquisa correram em uma esteira com
e sem máscara de proteção, com monitoramento da respiração, oxigenação do sangue
e função cardíaca.

Para o trabalho, os participantes usaram uma máscara de pano com três camadas, seguindo
as recomendações da Organização Mundial de Saúde. Os exercícios foram realizados
em diversas intensidades.

Nos níveis de esforço moderado e intenso foi verificada apenas uma pequena alteração
no esforço de inspiração. “Nós observamos, especificamente, com o uso da máscara
um aumento na capacidade inspiratória. O indivíduo tinha que inspirar mais com a
máscara do que sem ela”, explica Gualano. Fora isso, porém, o corpo se adapta ao
item de proteção e não houve mudanças na resposta do corpo das pessoas. “Não alterou
débito cardíaco ou saturação de oxigênio, que era uma preocupação que se tinha”,
acrescenta o professor.

No esforço considerado crítico, que é a máxima carga de exercício que a pessoa consegue
desenvolver, o estudo apontou que houve perda de desempenho. De acordo com Gualano,
ao contrário do que acontece nas outras intensidades, o corpo não consegue compensar
a dificuldade adicional que a máscara impõe à respiração. Assim, as pessoas acabam
chegando ao limite mais rápido do que chegariam sem o uso da proteção facial.

Porém, nem mesmo nesse nível de esforço foram constatadas alterações significativas
na oxigenação do sangue ou na função cardíaca. “Não tem nenhuma alteração fisiológica
sugestiva que possa incorrer em risco à saúde do praticante”, enfatiza o professor
da Faculdade de Medicina.

O nível chamado de crítico de esforço é quando, explica Gualano, a pessoa que está
se exercitando é incapaz de falar durante a tarefa. Nos níveis moderado e intenso,
o praticante conseguiria falar, ainda que ofegante.

Para manter a boa saúde e até por razões estéticas, os níveis moderado e intenso
são, segundo o professor suficientes. “Essa intensidade é suficiente para promover
todos os benefícios que a gente conhece do exercício físico”, ressalta.

Apesar dos resultados dos testes mostrarem que o uso de máscara afeta pouco fisicamente
os praticantes de exercício, no questionário aplicado aos participantes foram registradas
diversas queixas em relação ao item de proteção.

“No geral eles se sentiam muito mal com o uso da máscara. As pessoas reclamavam 
que com a máscara sentiam mais calor, desconforto, maior fadiga, resistência”, enumera
o pesquisador.

_**Fonte: Agência Brasil**_
