# Mel de abelhas sem ferrão gera renda e preservação ambiental em Terra Santa

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- Published: 2023-08-24T10:25:42-03:00
- Author: Redação

Em Alema, comunidade do município de Terra Santa, no oeste do Pará, há pouco mais
de seis anos a produção de mel com abelhas sem ferrão tem garantido uma renda extra
para a artesã Ellen Machado. Com a formação constante recebida por meio do Projeto
de Meliponicultura, a meta da comunitária é ampliar ainda mais a produção nos próximos
anos. “Eu quero aprender cada vez mais. Fazer cursos e trabalhar melhor com o própolis,
o pólen e com tudo que a abelha pode nos proporcionar”, afirma.

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Como parte do Programa de Educação Socioambiental (PES), da Mineração Rio do Norte(
MRN), o Projeto de Meliponicultura é realizado em parceria com a Secretaria Municipal
de Agricultura de Terra Santa (Semagri) e o Sindicato dos Trabalhadores Rurais do
município. A iniciativa, segundo Cristina Leite, secretária de Agricultura, tem 
aproximado os meliponicultores do poder público e demais parceiros. “Isso também
tem agregado na renda dos participantes. Eles participam dos cursos e o conhecimento
só aumenta. Costumo dizer que 2023 está sendo o ano da meliponicultura em Terra 
Santa”, garante.

O mesmo pensamento é compartilhado por Ellen. A comunitária conta que é ela quem
coleta, manipula e multiplica as abelhas, o que faz a diferença no resultado do 
produto. “O mel de abelha é muito procurado e as pessoas querem sempre o natural.
O nosso é natural e não fazemos nenhuma modificação ou adição de produtos nele”,
destaca a produtora, que reconhece a importância das formações. “Os cursos são realizados
frequentemente. Eu sei que quanto mais eu participo, mais eu cresço. E a intenção
é essa: crescer sempre mais”.

**Empreendedorismo Sustentável**

No sítio do agricultor Renan Godinho, a produção rural se concentra na fruticultura
de acerolas. Mas a flexibilidade, a renda gerada pela meliponicultura e o apoio 
da família têm levado Renan a repensar os rumos de sua produção. “Fazer parte do
projeto tem sido muito bom. É algo que não exige dedicação exclusiva, então é possível
conciliar com o trabalho que já temos. Minha mãe e minha esposa têm me auxiliado
nas coletas também”, explica. Segundo o agricultor, as formações que auxiliam no
processo de beneficiamento do produto têm impulsionado os planos de priorizar a 
meliponicultura. “Isso vai trazer um bom retorno financeiro. Por isso que estamos
trabalhando para que seja a principal atividade do sítio futuramente”.

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Mas não é só na renda que o projeto tem feito a diferença. Renan conta que essa 
oportunidade o ajudou a enxergar o respeito ao meio ambiente como um bem inegociável.“
Mudou muito a minha visão sobre a importância das abelhas para a natureza e para
a produção. Antes, infelizmente, não era algo que dávamos atenção. Então, esse ganho
de conhecimento agrega um cuidado especial ao negócio”, detalha.

“Aqui em Terra Santa nós vivemos ao lado de uma zona de proteção ambiental e isso
impacta na disponibilidade de área para a população. Iniciativas como esse projeto
são uma alternativa à derrubada de árvores e, ao trazer benefícios ambientais, também
melhoram a qualidade de vida das pessoas. As abelhas precisam de flores e, ao plantar
espécies frutíferas relacionadas à produção de mel, é possível ampliar a produção
de frutos, evitando o desmatamento”, pontua.

**Modelo Consciente**

Criado pela MRN em 2010, em parceria com o Sebrae e o Sindicato dos Trabalhadores
Rurais de Terra Santa, o Projeto de Meliponicultura atendia, inicialmente, 20 famílias
das comunidades Alema, Casa Grande e Redobra. De lá para cá, a iniciativa tem promovido
capacitações para ensinar como construir caixas racionais para a criação de abelhas
melíponas – ou seja, sem ferrão -, visando a autonomia dos comunitários. Também 
foram executadas visitas técnicas e outras capacitações e treinamentos.

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Em 2022, as atividades seguiram com o monitoramento das colmeias, além de capacitação
sobre técnicas e aprimoramentos da produção de mel de abelhas nativas. Para atingir
esse objetivo, houve a distribuição de mudas para a ampliação do pasto melípona.
Este ano, os comunitários da comunidade Alema receberam mais caixas de abelhas por
meio do projeto.

Em paralelo, a MRN, em parceria com a Semagri, tem incentivado e investido nos comunitários
para que estes trabalhem com própolis, pólen e resinas, envolvendo ainda as famílias
na produção das colmeias. Isso contribui, principalmente, pela função das abelhas
na natureza, para a melhora da polinização das plantas, preservação das espécies
e conservação da biodiversidade. “Atualmente, temos 25 famílias atendidas nas comunidades
Alema, Jauaruna, Redobra e Urubutinga. A participação tem sido ativa e colaborativa.
Essa troca de conhecimento reflete cada vez mais o empenho pela melhoria dos processos
e do produto”, explica Genilda Cunha, coordenadora do projeto pela MRN.

**Fonte: MRN/Temple Comunicação**
