# Metade dos bebês que têm de corrigir cardiopatias fica sem atendimento

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- Published: 2022-06-19T14:16:27-03:00
- Author: Redação

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Metade dos recém-nascidos que precisariam de uma cirurgia para correção de cardiopatia
congênita ficam sem atendimento no Brasil, conforme dados da Sociedade de Cardiologia
do Estado de São Paulo (Socesp). A entidade estima, porém, que o percentual pode
ter se elevado para 70% durante a pandemia da covid-19.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 130 milhões de crianças em
todo o mundo têm alguma cardiopatia congênita.

De acordo com o Ministério da Saúde, no Brasil, são dez casos a cada mil nascidos
vivos, ou uma criança a cada 100 nascimentos tem malformação cardiovascular. Segundo
o site da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), é o equivalente a cerca de 30 mil crianças
com cardiopatia congênita por ano, das quais 6% morrem antes de completar 1 ano.
Após o nascimento, as formas graves da doença podem ser responsáveis por 30% dos
óbitos no período neonatal. No último domingo (12), comemorou-se o Dia da Cardiopatia
Congênita.

A diretora médica da organização não governamental (ONG) Pro Criança Cardíaca, Isabela
Rangel, explicou que as cardiopatias congênitas são más formações ou anomalias na
estrutura ou não função cardiorrespiratória do coração. “Isso ocorre durante a vida
fetal [da criança].”

Isabela disse que não há uma causa definida para as cardiopatias congênitas, que
ocorrem pela interação de fatores genéticos e ambientais. “Genéticos, a gente fala
quando são pacientes com outras síndromes, que podem vir associadas às malformações
cardíacas. Ambientais, quando as mães usaram algum tipo de droga ou medicação, tiveram
doenças como lúpus, diabetes ou algumas viroses que a gestante contraiu e podem 
acarretar malformação intracardíaca”. A médica lembra que é preciso estar atento
também à história de cardiopatia em gestações anteriores e à herança genética.

As síndromes genéticas também são fatores associados à má formação intracardíaca,
como é o caso da Síndrome de Down, em que um percentual de pacientes pode apresentar
defeito do septo atrioventricular, entre outras cardiopatias. A idade materna avançada
também é considerada fator de risco para cardiopatias congênitas.

**Prevenção**

Isabela Rangel ressaltou que não existe prevenção, mas disse que toda mulher que
deseja engravidar precisa saber como estão suas condições de saúde, para que seu
médico faça a acompanhe e oriente sobre drogas e medicamentos que não devem ser 
usados durante a gestação. A mulher tem que manter alimentação e hábitos saudáveis,
evitando bebidas alcoólicas e fumo, que podem acarretar alteração no desenvolvimento
do feto.

É importante checar também o calendário de vacinação e verificar se é preciso fazer
alguma vacina antes de engravidar.

Isabela enfatizou a importância dos hábitos alimentares saudáveis, citando estudos
recentes, segundo os quais o enriquecimento de alguns alimentos com ácido fólico
foi associado a reduções na taxa de cardiopatias congênitas.

**Diagnóstico**

O diagnóstico da cardiopatia congênita é feito ainda com a criança ainda na barriga
da mãe. Isabela disse que a ONG dirigida por ela vem tentando conscientizar todos
os profissionais que lidam com gestantes sobre a importância de fazer o exame morfológico
e o ecocardiograma fetal (ecofetal), capaz de detectar as cardiopatias congênitas.

O ecocardiograma fetal é um método capaz de identificar lesões estruturais antes
do nascimento e, em geral, deve ser feito entre a 24ª e a 28ª semanas de gestação.“
E se você tem uma cardiopatia que precise de intervenção logo nos primeiros dias
de vida, isso é primordial para o prognóstico do bebê. Ainda mais quando se sabe
que essa gestante tem um feto com cardiopatia e, sendo uma cardiopatia crítica, 
complexa, há todo um cuidado para que ela tenha o bebê em uma unidade de saúde que
tenha UTI [unidade de terapia intensiva], em que a criança faça um eco após o nascimento,
onde haja recursos, para o bebê ser tratado com toda atenção.”

Nem todos os bebês que têm cardiopatia congênita precisam ser operados ao nascer.
Depende da patologia intracardíaca. As intervenções vão variar de acordo com a patologia
e a gravidade. Isabela destacou que alguns bebês só vão ser operados bem mais tarde,
enquanto outros, com cardiopatias mais graves, têm que passar pela intervenção logo
no período neonatal.

Algumas cardiopatias ser tratamento por meio de hemodinâmica. Em vez de passar por
uma cirurgia de peito aberto, a criança pode passar por um procedimento menos invasivo,
o chamado cateterismo cardíaco terapêutico. “Este é um exemplo. Existem algumas 
cardiopatias em que se pode fazer o tratamento pelo cateterismo terapêutico. É invasivo,
mas muito menos do que uma cirurgia cardíaca”. O diagnóstico precoce é fundamental,
principalmente nas cardiopatias mais graves, reforçou Isabela.

A médica salientou que um dos entraves que retardam o diagnóstico é a falta de informação
das famílias sobre a existência de cardiopatias em crianças. “O acompanhamento pediátrico
dos bebês é essencial, visto que, na consulta de rotina, pode ser identificada alguma
alteração que sugira cardiopatia; assim, o pediatra encaminha para o centro especializado.”

**Foco**

O foco do projeto Pro Criança Cardíaca é cuidar de crianças e adolescentes carentes
portadores de cardiopatia. O projeto recebe as crianças em nível ambulatorial e,
dependendo de o caso ser cirúrgico, elas podem ser encaminhadas ao Hospital Pediátrico
Pro Criança Jutta Batista, parceiro da ONG. O mesmo ocorre quando há diagnóstico
para cateterismo terapêutico. “Qualquer procedimento invasivo é feito em nível hospitalar.”

O Pro Criança Cardíaca acompanha a criança desde bebê até a fase adulta, aos 18 
anos de idade, e oferece uma equipe multidisciplinar de atendimento, que inclui 
medicamentos, cardiologistas, nutricionistas, assistentes sociais, psicólogos e 
dentistas, “porque os pacientes não podem ter nenhum foco infeccioso na boca”.

O projeto Pró Criança Cardíaca não é um hospital; é uma instituição médica sem fins
lucrativos, fundada em 1996 pela cardiologista Rosa Celia, que atende gratuitamente
crianças e adolescentes com cardiopatias congênitas. Em 25 anos de existência, já
atendeu 15,1 mil crianças e adolescentes cardíacos carentes, realizou mais de 33
mil consultas cardiológicas e encaminhou para o hospital parceiro 1,659 mil procedimentos
invasivos, cirurgias cardíacas e cateterismos.

Em sua sede, no Rio de Janeiro, a ONG atende no ambulatório em torno de 160 crianças
por mês, que passam por avaliação clínica, eletrocardiograma, ecocardiograma e holter
24 horas. Outros exames ambulatoriais, como avaliação hematológica e tomografia,
e procedimentos invasivos, entre os quais cirurgias cardíacas e cateterismos, são
realizados no Hospital Pediátrico Pro Criança Jutta Batista.

Após a alta hospitalar, é agendado o retorno ao ambulatório para que a criança continue
o tratamento. Durante todo o processo, a equipe que acompanha o paciente é a mesma
e oferece todo o suporte.

Para se cadastrar para o primeiro atendimento, a pessoa deve ligar para o número(
21) 3239-4500, de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h. O Pro Criança Cardíaca dispõe
atualmente de 16 vagas para primeiro atendimento. As vagas são preenchidas de acordo
com a disponibilidade ou pela urgência avaliada previamente pela equipe médica. _**(
ABr)**_
