# Morre a jornalista Glória Maria, ícone do jornalismo brasileiro

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- Published: 2023-02-02T10:08:59-03:00
- Author: Redação

O jornalismo brasileiro está de luto. Morreu na manhã desta quinta-feira 92), a 
jornalista Glória Maria. “É com muita tristeza que anunciamos a morte de nossa colega,
a jornalista Glória Maria”, informou a TV Globo, em nota. Glória Maria era um dos
ícones do jornalismo brasileiro. Ela morreu no Rio de Janeiro.

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**A jornalista Glória Maria morreu nesta manhã, no Rio de Janeiro, aos 73 anos**

Em 2019, Glória foi diagnosticada com um câncer de pulmão. O tratamento com imunoterapia
teve sucesso. Depois, ela sofreu metástase no cérebro, que também pôde, inicialmente,
ser tratada com êxito por meio de cirurgia, mas os novos tratamentos não avançaram.

“Em meados do ano passado, Glória Maria começou uma nova fase do tratamento para
combater novas metástases cerebrais que, infelizmente, deixou de fazer efeito nos
últimos dias, e Glória morreu esta manhã, no Hospital Copa Star, na Zona Sul do 
Rio”, afirma o comunicado.

Glória foi pioneira inúmeras vezes. Ela foi a primeira a entrar ao vivo e em cores
no Jornal Nacional, mostrou mais de 100 países em suas reportagens e protagonizou
momentos históricos.

Glória Maria Matta da Silva nasceu no Rio de Janeiro. Filha do alfaiate Cosme Braga
da Silva e da dona de casa Edna Alves Matta, estudou em colégios públicos e sempre
se destacou. “Aprendi inglês, francês, latim e vencia todos os concursos de redação
da escola”, lembrou, ao Memória Globo.

Glória também chegou a conciliar os estudos na faculdade de Jornalismo da Pontifícia
Universidade Católica (PUC-Rio) com o emprego de telefonista da Embratel.

Em 1970, foi levada por uma amiga para ser radioescuta da Globo do Rio. Naquele 
tempo sem internet, ela descobria o que acontecia na cidade ouvindo as frequências
de rádio da polícia e fazendo rondas ao telefone, ligando para batalhões e delegacias.

Na Globo, tornou-se repórter numa época em que os jornalistas ainda não apareciam
no vídeo. A estreia como repórter foi em 1971, na cobertura do desabamento do Elevado
Paulo de Frontin, no Rio de Janeiro. “Quem me ensinou tudo, a segurar o microfone,
a falar, foi o Orlando Moreira, o primeiro repórter cinematográfico com quem trabalhei”.

Glória Maria trabalhou no Jornal Hoje, no RJTV e no Bom Dia Rio. Coube a ela a primeira
reportagem do matinal local, há 40 anos, sobre a febre das corridas de rua.

No Jornal Nacional, foi a primeira repórter a aparecer ao vivo. Cobriu a posse de
Jimmy Carter em Washington e, no Brasil, durante o período militar, entrevistou 
chefes de estado, como o ex-presidente João Baptista Figueiredo.

“Foi quando ele [João Figueiredo] fez aquele discurso ‘eu prendo e arrebento’ – 
para defender a abertura [1979]. Na hora, o filme [para fazer a gravação da entrevista]
acabou e não tínhamos conseguido gravar. Aí eu pedi: ‘Presidente, é a TV Globo, 
o Jornal Nacional, será que o senhor poderia repetir?’. ‘Problema seu, eu não vou
repetir’, disse Figueiredo. O ex-presidente dizia para a segurança: ‘Não deixa aquela
neguinha chegar perto de mim’”, relembrou.

As informações são do G1
