# MP Eleitoral pede inelegibilidade de Daniel Santos, Alessandra Haber e Alexandre Gomes por suposto abuso de poder econômico

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- Published: 2026-10-28T11:07:39-03:00
- Author: Redação

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> **_Ação no TRE-PA aponta uso eleitoral do projeto “Olhar Cidadão”, que oferecia
> consultas oftalmológicas e óculos gratuitos, e pede inelegibilidade por oito anos
> e cassação de registros ou diplomas._**

O Ministério Público Eleitoral (MPE) acionou o Tribunal Regional Eleitoral do Pará(
TRE-PA) contra o governador eleito do Pará, Daniel Barbosa Santos, a deputada federal
reeleita Alessandra Haber Carvalho Santos e o deputado estadual eleito Alexandre
Cesar Santos Gomes, por suspeita de abuso de poder econômico e político nas Eleições
2026. Protocolada nesta segunda-feira (26), a ação aponta que os investigados teriam
utilizado o projeto social “Olhar Cidadão”, que oferecia consultas oftalmológicas,
exames de vista e óculos gratuitos, para promover suas imagens e obter vantagem 
eleitoral.

De acordo com o procurador regional Eleitoral no Pará, Bruno Araújo Soares Valente,
responsável pela ação, os atendimentos foram associados de maneira ostensiva aos
nomes, às imagens e às cores partidárias dos investigados. Para o Ministério Público,
a estrutura de divulgação, com vans adesivadas, banners e publicações nas redes 
sociais, transformou as atividades de saúde em instrumentos de promoção política
antes do período oficial de campanha.

Os eventos ocorreram em dezembro de 2025, quando Daniel Santos era prefeito de Ananindeua
e pré-candidato ao governo estadual, Alessandra Haber exercia o mandato de deputada
federal e era pré-candidata à reeleição, e Alexandre Gomes era vereador em Ananindeua
e pré-candidato a deputado estadual.

A ação descreve uma estrutura itinerante que passou por diferentes municípios paraenses.
Os atendimentos foram realizados em Ananindeua, no conjunto residencial Júlia Seffer,
em 3 de dezembro; em Tucuruí, no dia 5; em Breu Branco, no dia 6; em Jacundá, no
dia 7; e nas localidades de Curupati e Fernandes Belo, em Viseu, no dia 12 de dezembro
de 2025.

Segundo o MPE, as atividades em Jacundá, Viseu, Tucuruí e Breu Branco já haviam 
sido questionadas em representações anteriores. Nesses processos, o TRE-PA reconheceu
o caráter eleitoreiro das ações, destacando o chamado “efeito outdoor” provocado
pelos veículos adesivados e pelas peças publicitárias que associavam os serviços
oferecidos às pré-candidaturas.

Outro elemento citado na nova ação é a distribuição de óculos em Ananindeua. Conforme
as provas digitais reunidas durante a investigação, mais de cem unidades foram entregues
em caixas personalizadas com os rostos dos três investigados. Para o procurador 
regional Eleitoral, esse material reforça a suspeita de desvio da finalidade social
do projeto para promoção política.

A origem dos recursos utilizados no “Olhar Cidadão” também está no centro da investigação.
Durante o procedimento, o Ministério Público solicitou informações sobre o financiamento,
a base legal da iniciativa, a contabilidade das despesas, o número de municípios
atendidos e a quantidade de pessoas beneficiadas. De acordo com a ação, os investigados
afirmaram genericamente que o projeto era financiado por doações privadas, mas não
apresentaram documentação comprobatória suficiente.

Na avaliação do MPE, a ausência de transparência sobre o financiamento não afasta
a possibilidade de irregularidade. Caso tenham sido utilizados recursos privados
para associar serviços gratuitos às imagens dos pré-candidatos e influenciar eleitores
em situação de vulnerabilidade, pode haver abuso de poder econômico. Se houver emprego
de recursos ou estrutura pública para essa finalidade, também poderá ser caracterizado
abuso de poder político e desvio de finalidade administrativa.

A ação atribui funções distintas aos três investigados. Daniel Santos é apontado
como articulador político e principal beneficiário da iniciativa, por divulgar sua
imagem em municípios para além de Ananindeua. Alessandra Haber é apontada como coautora
e beneficiária direta da associação entre sua imagem e os atendimentos de saúde.
Já Alexandre Gomes é indicado como responsável pela organização e execução dos eventos.
Como elemento para sustentar a atuação conjunta, o Ministério Público cita publicações
nas redes sociais em que o vereador agradece nominalmente ao então prefeito Daniel
Santos e à deputada Alessandra Haber pelo apoio ao projeto.

O órgão eleitoral sustenta ainda que, para a configuração do abuso de poder, não
é necessário demonstrar que a conduta alterou diretamente o resultado das eleições.
Segundo a legislação eleitoral e os precedentes citados na ação, a análise deve 
considerar a gravidade das circunstâncias e o impacto potencial das práticas sobre
a igualdade de oportunidades entre os candidatos, inclusive quando os fatos ocorrem
antes do período oficial de campanha.

Entre os pedidos apresentados ao TRE-PA estão a suspensão imediata de novos eventos
ou distribuições de bens e serviços do “Olhar Cidadão” vinculados à imagem dos investigados,
com previsão de multa de R$ 100 mil por evento realizado em caso de descumprimento.
O Ministério Público também requer que os três apresentem, no prazo de cinco dias,
documentos sobre a movimentação financeira, extratos bancários, relação de doadores
e contabilidade do projeto. Caso as informações não sejam fornecidas ou sejam consideradas
incompletas, pede a quebra dos sigilos bancários.

O MPE solicita ainda que as provas reunidas nas representações anteriores sejam 
utilizadas no processo e, ao final do julgamento, que a Justiça Eleitoral reconheça
a prática de abuso de poder econômico e político. Como consequência, pede a declaração
de inelegibilidade dos três investigados por oito anos e a cassação dos registros
ou diplomas obtidos nas Eleições 2026.

A ação ainda será analisada pela Justiça Eleitoral. Os investigados deverão ser 
citados para apresentar defesa no prazo legal. Até uma decisão definitiva, as acusações
permanecem sob apreciação judicial.
