# Mulheres indígenas e MPF pedem apoio para reconstrução de casas incendiadas por garimpeiros no Pará

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- Published: 2021-05-28T13:46:00-03:00
- Author: Redação

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**_Moradias da coordenadora da Associação das Mulheres Munduruku Wakoborũn e de 
seus familiares foram queimadas por grupo pró-garimpo_. Fotos: povo Munduruku/arquivo
MPF**

Uma associação de mulheres indígenas contrárias à mineração ilegal e o Ministério
Público Federal (MPF) lançaram nesta sexta-feira (28) campanha de arrecadação de
recursos para a reconstrução das casas da família da coordenadora da associação,
localizadas em Jacareacanga, no sudoeste do Pará.

As moradias foram incendiadas na última quarta-feira por grupo favorável ao garimpo
em terras indígenas, como retaliação contra operação de forças federais para coibir
esse crime em território Munduruku.

Os incendiários destruíram completamente uma das casas da família e parcialmente
outra. Nas moradias viviam 19 pessoas, na aldeia Fazenda Tapajós, na Terra Indígena(
TI) Munduruku.

As doações em dinheiro podem ser transferidas para o pix de chave tipo e-mail para
laysamazonia@gmail.com , em nome de Lays Branco Uchôa (por segurança, a Associação
das Mulheres Munduruku Wakoborũn prefere que as doações sejam enviadas a uma apoiadora
da associação e não diretamente para a conta-corrente da coordenadora da entidade,
para evitar a divulgação de dados pessoais, como o CPF).

Ainda na quinta-feira o MPF enviou uma série de ofícios para autoridades federais
e estaduais requisitando reforço na segurança pública na região de Jacareacanga 
e proteção para lideranças indígenas ameaçadas por garimpeiros.

Os ataques ocorreram no momento em que equipes de forças federais estavam na região
em operação contra o garimpo. A própria Polícia Federal (PF) chegou a ser atacada,
com tentativa de invasão na base de operações. Mesmo com a escalada de violência,
as forças federais e estaduais se retiraram da região na quinta-feira.

**Ataques em série** – A queima das residências é apenas o mais recente de uma série
de ataques que as indígenas vêm sofrendo este ano, quando a invasão garimpeira ao
território Munduruku – que já vinha crescendo desde 2018 – foi intensificada.

Em março, na zona urbana de Jacareacanga, o grupo pró-garimpo depredou o prédio 
da associação Wakoborũn, destruindo documentos, móveis e equipamentos, além de produtos
indígenas à venda no local.

Na época, o MPF e a associação de mulheres também divulgaram campanha para conseguir
fundos para a reforma do prédio, reposição dos itens destruídos, e para a ampliação
da mobilização e da luta contra o avanço da mineração ilegal. A campanha segue recebendo
doações (detalhes em www.mpf.mp.br/pa/campanha-wakoborun).

Em abril, novamente na zona urbana de Jacareacanga, por duas vezes o grupo pró-garimpo
roubou itens pertencentes à associação, como combustíveis e tanque de motor de barco.

Além desses ataques diretos às mulheres indígenas e de ameças frequentes contra 
elas, desde março o grupo favorável ao garimpo ilegal também violentou fisicamente
homens indígenas contrários à mineração ilegal, e impediu trânsito de viatura de
fiscalização ambiental.

O MPF abriu investigações sobre essa série de ataques dos garimpeiros, além de atuar
em ações judiciais que desde 2018 cobram o combate contínuo e efetivo à mineração
ilegal nas TIs Munduruku e Sai Cinza, em processos ou investigações sobre os grupos
criminosos, e em apurações e investigações para verificar suspeitas de vazamento
de informações sobre operação, sobre transporte de garimpeiros em aviões da Força
Aérea Brasileira (FAB), sobre a ocorrência de improbidade administrativa por parte
de autoridades responsáveis por evitar a invasão garimpeira, e sobre a ocorrência
de dano coletivo aos indígenas.

**Enfrentamento às forças federais** – Os ataques levaram o ministro Luís Roberto
Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), a decretar a adoção de medidas contra
o avanço dos criminosos no território Munduruku. A ordem atendeu um pedido da Articulação
dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) para proteção dos povos Munduruku e Yanomami
contra os ataques cada vez mais violentos de garimpeiros ilegais.

Batizada de Mundurukânia, a operação para cumprimento da ordem do STF foi deflagrada
na terça-feira desta semana pela PF, Polícia Rodoviária Federal (PRF), Instituto
Nacional do Meio Ambiente (Ibama) e Força Nacional.

Na quarta-feira, o grupo pró-garimpo atacou as forças federais na tentativa de depredar
equipamentos que seriam utilizados na retirada dos garimpeiros. Houve confronto 
nas ruas de Jacareacanga.

Segundo a PF, os garimpeiros tentaram invadir a base montada pela corporação e incendiar
carros, em uma tentativa de impedir a operação contra as dezenas de garimpos ilegais
que invadiram o território Munduruku nos últimos anos.

Os garimpeiros são investigados por associação criminosa, exploração ilegal de matéria-
prima pertencente à União e delito contra o meio ambiente.

As informações são do MPF
