# Mulheres na mineração: força feminina do setor cresce no oeste paraense

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- Published: 2023-06-15T19:21:12-03:00
- Author: Redação

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Entre os maquinários da oficina de caminhões de pequeno porte da Mina Aviso, no 
distrito de Porto Trombetas, em Oriximiná, oeste do Pará, dezenas de homens estão
a postos para garantir que as manutenções, caso necessárias, ocorram de maneira 
rápida e eficaz. Na liderança da equipe, quem tem garantido essa fluidez é Juciléia
Costa, técnica de Planejamento de Manutenção de Máquinas Móveis da Mineração Rio
do Norte (MRN). “Sempre tive o desejo de trabalhar em uma grande empresa, multinacional
e reconhecida”, pontua a técnica ao lembrar os motivos que a têm feito conquistar
espaço em um setor majoritariamente masculino. Entrou na empresa como assistente
administrativa e quase 10 anos depois já lidera uma equipe de profissionais.

Há poucos quilômetros dali, na área de Beneficiamento da Mina Saracá, a jovem eletricista
Ádina Santos, da comunidade Moura, também tem escrito sua história de conquista 
de espaço. Em fevereiro de 2021, entrou na empresa como Jovem Aprendiz e, em novembro
de 2022 viu seu nome compor o quadro de empregados efetivos. “Quando eu cheguei 
aqui, fiquei surpresa porque eu olhava e não via muitas mulheres, me senti uma formiguinha
ao lado de um elefante. Foi em meio à pressão para execução de algumas tarefas, 
que pude perceber a mudança de olhar deles ao verem que também conseguiria executá-
las”, conta.

Relatório desenvolvido pela Women in Mining Brasil (WIM Brasil), em parceria com
a EY People Advisory Services, revelou que as mulheres representam 17% da força 
de trabalho do setor mineral do país. Para refletir e estimular perspectivas de 
mudanças nesse quadro, não muito diferente em outros países, a International Women
in Mining (IWiM) criou, em 2022, o Dia Internacional das Mulheres na Mineração, 
celebrado anualmente no dia 15 de junho. “Mesmo que os nossos números não pareçam
tão expressivos, eles já representam uma mudança no setor mineral e, passa a ser
preocupação recorrente tendo em vista a pauta da inclusão de gênero, mostrando que
a mulher pode estar onde ela quiser”, destaca a diretora da WIM Brasil e gerente
geral de Comunicação da MRN, Karen Gatti.

**Presente e futuro**

Ainda de acordo com o relatório da WIN Brasil, 97% das empresas participantes da
pesquisa disseram possuir um programa de Diversidade, Equidade e Inclusão estruturado.
Para acompanhar essas mudanças, a MRN tem investido na ampliação de espaço para 
as mulheres por meio da implementação de práticas como a reformulação de programas
de Trainee e Jovem Aprendiz, e ampliação do programa de Diversidade & Inclusão, 
o MRN pra Todos. Os resultados são vistos no dia a dia. Em 2021, a força feminina
da MRN aumentou de 6,6% para 9,2%. Já em 2022, o quantitativo aumentou novamente
para 11,8%.

“Quando eu cheguei, eu pensei ‘nossa, como é que vou trabalhar com caminhões, no
meio de um universo de homens?’ Mas, sempre fui muito bem tratada, muito bem recebida
e tive colegas que sempre me apoiaram e isso fez uma diferença imensa dentro de 
minha trajetória na MRN”, relembra Juciléia Costa.

Karen Gatti destaca que os números deste cenário da empresa refletem, especialmente,
o direcionamento desenvolvido pelos pilares de diversidade da MRN. De acordo com
a executiva, o objetivo é ampliar cada vez mais a representatividade e inclusão 
nos diferentes setores. “Além dos pilares de Gênero, temos o pilar de Etarismo, 
Raça e Etnia, LGBTQIA+, que são trabalhados de maneira integrada e conjunta, mas
sempre respeitando a individualidade de cada um”, explica.

**Orgulho e Perspectivas**

Mãe de três filhos, Ádina conta que sua maior conquista é, sem dúvida, saber que
dará a eles o que ela não pôde alcançar quando criança e que eles, ao chegarem à
fase adulta, terão uma certeza. “A primeira e única mulher eletricista da comunidade
a conquistar um espaço tão grande assim”, afirma. A profissional acredita ainda 
que a presença de mulheres em ambientes de trabalho dominados por homens pode estimular
o interesse de outras mulheres a ousarem em suas escolhas profissionais. “Daqui 
para a frente sei que não verei mais esse cenário, uma multidão de homens com uma
ou duas mulheres, será mais igual”, aponta.

A técnica de planejamento Juciléia Costa conta que em nenhum momento se viu em meio
à indiferença por parte dos colegas, mas que, segundo ela, ainda há um receio de
mulheres em aceitar desafios nesses espaços. “Acreditem em você. Busquem seus sonhos,
busquem seus objetivos. Não parem. Se alguém olhar torto, não deem importância. 
Foque no seu processo porque você sabe que é capaz”, garante.

“As mulheres têm um papel fundamental dentro da mineração. Elas são pioneiras e 
trazem uma perspectiva diferenciada com novas abordagens. É sabido que uma empresa
diversa consegue, inclusive, ter melhores resultados financeiros do que uma empresa
que não trabalha essas pautas. Então focar na inclusão das mulheres na mineração
não é apenas uma questão estratégica, mas de futuro”, pontua Karen Gatti.

_**Fonte: MRN**_
