# NA FOME E NO FUZIL: Deputado questiona o valor da vida das pessoas na Terra Indígena Apyterewa

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- Published: 2023-10-17T08:49:48-03:00
- Author: Redação

O deputado estadual Torrinho Torres voltou a usar suas redes sociais para alertar
sobre as consequências da operação de desintrusão da Força Nacional, iniciada para
retirar supostos invasores das Terras Indígenas Apyterewa, do povo Parakanã, e Trincheira
Bacajá, dos povos Kayapó e Xikrin. A ação acontece desde o início deste mês. A morte
de um trabalhador é fruto do clima tenso que começou com a presença dos agentes 
federais na região.

No vídeo, o deputado questiona o valor de cada vida na Apyterewa. “Matar de bala
e matar de fome. A vida não vale mais nada na Apyterewa, meus amigos. Eu pelo que
vocês compartilhem esse vídeo e me perdoem a franqueza. Não foi por falta de aviso”,
lembrou o parlamentar que foi uma das primeiras vozes a se levantar na Assembleia
Legislativa do Pará (Alepa), alertando sobre as graves consequências que a operação
para expulsar os trabalhadores causaria à região.

E de fato aconteceu.

Após tomar conhecimento do assassinato brutal de um trabalhador rural, o deputado
juntamente com o prefeito João Kleber ligou para o governador Helder Barbalho para
deixá-lo ciente dos acontecimentos trágicos na região.

“O governador prontamente ligou ao presidente Lula, que por sua vez, mandou suspender
a operação na região. Eu digo e repito, que decisão judicial não é pra ser questionada,
mas para ser cumprida’, completou.

O deputado, no entanto, lembrou que havia alguns dias que ele vinha tentando evitar
essa tragédia, alertando na tribuna da Alepa. “O nosso governador parou a agenda
no estado para irmos a Brasília junto com uma comissão de deputados estaduais exclusivamente
para resolver essa questão. E a bancada federal do Pará também se empenhou”, recordou.

O parlamentar lamentou que a suspensão da operação só aconteceu após a morte de 
um trabalhador rural inocente. “Por que foi necessário que sangue fosse derramado
para que uma operação fosse repensada?”, questionou.

Torrinho Torres criticou a falta de preparo dos agentes da Força de Segurança na
execução da operação na Apyterewa. “Ao invés de proteger tirou a vida de um único
homem, desarmado com dois tiros de fuzil. Que decisão judicial é essa que não respeita
os direitos humanos? Que impede de entrar alimentos, corta energia, impõe a lei 
do medo e entra tocando o terror contra gente humilde?’, disparou o deputado.

Segundo ele, enquanto existirem debates sobre decisões judiciais envolvendo terras
indígenas, a vida e a dignidade do povo nunca podem ser colocada em riscos.

O parlamentar voltou a afirmar que a Apyterewa é só a ponta do iceberg. “Aguardem
o que vem por aí. Será pior que Apyterewa. Eu digo e repito. O que está acontecendo
Apyterewa não é uma desintrusão. É uma expulsão de gente que está consolidada ali
há mais de 40 anos. A criação da Apyterewa foi uma condicionante da construção da
usina de Belo Monte. Aqueles produtores rurais estão ali naquelas terras muito antes
e convivem pacificamente com os povos indígenas. Com uma terra desse tamanho meus
amigos, dá pra viver todo junto e em paz. E o péssimo exemplo desse assassinato 
minimamente permita que o poder judiciário e o governo federal, em pleno século 
XXI, revejam com muita antecedência as suas decisões para garantir que nenhuma outra
vida seja sacrificada por ações apressadas e imprudentes”, finalizou.
