# No Pará, a cada 14 horas uma pessoa é morta por policiais. 93,90% das vítimas são negras

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- Published: 2023-11-22T11:21:14-03:00
- Author: Redação

Em 2022, o Pará registrou 631 mortes provocadas pela polícia. Esse é o primeiro 
estado da Região Norte a fazer parte do estudo Pele Alvo da Rede de Observatórios
e já se coloca como a terceira unidade federativa com maior número de vítimas da
violência de agentes de segurança, com um caso a cada 14 horas. O Pará superou em
50,60% o número de vítimas notificadas por São Paulo, mesmo tendo apenas um quinto
da população paulista.

Esse é um dos dados que fazem parte no novo boletim Pele Alvo: a bala não erra o
negro, que será divulgado no dia 16 de novembro. Há quatro anos a Rede de Observatórios
monitora as informações sobre a cor da letalidade causada por ação policial a partir
dos dados obtidos junto às secretarias estaduais de segurança pública via Lei de
Acesso à Informação (LAI). Nesta edição, além de Pará, são avaliados os números 
e registros de Bahia, Ceará, Maranhão, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo.

Este é o primeiro ano que o estado paraense é contemplado no monitoramento, sendo
já o segundo com maior percentual de negros mortos em operações policiais, com 93,90%
dos casos em que foram identificadas cor e raça das vítimas. Só fica atrás da Bahia,
com 94,76% de casos nas mesmas condições. Os números reais podem ser diferentes,
tanto pela subnotificação como pelo não registro de dados sobre cor e raça. No Pará,
essa informação é omitida para 66,24% das vítimas. Outro dado que se destaca é a
faixa etária dos mortos por agentes de segurança: em 66,87% dos casos as vítimas
tinham entre 18 e 29 anos.

“Como pesquisador, observamos não apenas os dados, mas a mídia e, principalmente,
a população diretamente afetada por essa violência. E quando conversamos com os 
familiares das vítimas, temos acesso às informações sistematicamente negligenciadas
pelo governo. No Pará, temos uma política estadual que há 30 anos circula pela mesma
família e que oferece poucas ações promotoras de segurança para a população negra,
que é a grande maioria no estado e nas periferias”, diz Lucas Patrick, pesquisador
do Observatório no Pará. “Quando identificamos informações de raça e cor, não é 
sobre violência sofrida, mas sim sobre quem cometeu um delito”, completa.

O principal epicentro da violência policial no Pará se concentra em Belém, a capital,
que registrou 83 mortes por policiais, seguida pelo município de Parauapebas, distante
700 quilômetros, com 41 vítimas em 2022. Ananindeua, cidade que faz parte da Grande-
Belém, vem em terceiro lugar com mais 35 casos.

**A bala não erra o negro**

O novo boletim Pele Alvo: a bala não erra o negro revela que a cada quatro horas
uma pessoa negra foi morta, em 2022, pela polícia nos oito estados monitorados pela
Rede de Observatórios da Segurança. Considerando os dados oficiais sobre raça e 
cor disponíveis, eram negros 87,35% (ou 2.770 pessoas) dos mortos por agentes de
segurança estaduais no ano passado. Como nos estudos anuais anteriores, o novo monitoramento
demonstra o alto e crescente nível da letalidade policial contra pessoas negras.

“São quatro anos de estudo e nos causa perplexidade e inquietação observar que o
número de negros mortos pela violência policial continua a representar a imensa 
maioria de um total elevado de vítimas”, diz a cientista social Silvia Ramos, coordenadora
da Rede de Observatórios. “Ainda lidamos com uma prática de negligenciamento do 
perfil dos mortos por agentes de segurança, fato que impacta diretamente no desenvolvimento
de políticas públicas que possam mudar essa realidade e efetivamente trazer segurança
para toda a população”, acrescenta.

As informações completas dos outros estados analisados no boletim Pele Alvo: a bala
não erra o negro podem ser acessadas no site da Rede de Observatórios.

Fonte: Rede de Observatórios da Segurança.
