# Nove municípios paraenses lideram produção nacional do açaí, aponta Fapespa

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- Published: 2024-07-04T11:31:48-03:00
- Author: Redação

Originário de solos de várzea, igapó e terras firmes próximas a áreas úmidas, o 
açaí é a joia nutritiva da Amazônia. Antes consumido predominantemente na região
norte, hoje o fruto é conhecido mundialmente, devido às suas propriedades nutricionais
e versatilidade culinária, além da utilização na indústria cosmética. Na produção,
o Estado do Pará é protagonista disparado: 90,4% do açaí do Brasil foi produzido
no Pará em 2022, o equivalente a de 1,7 milhão de toneladas. 

Considerando o destaque paraense e a importância econômica do fruto para a região,
a Diretoria de Estudos e Pesquisas Socioeconômicas e Análise Conjuntural (Diepsac)
da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa) lança a Nota Técnica“
Conjuntura Econômica do Açaí 2024”. O estudo explora o potencial produtivo do fruto
dentre os estados e municípios brasileiros, além de abordar detalhes da exportação
no Pará, empreendimentos, mercado de trabalho e um dado inédito sobre os municípios
paraenses mais especializados no cultivo e produção de açaí.

Conforme Marcio Ponte, diretor da Diepsac, o estudo desenvolvido busca colaborar
com o atual estágio de discussões a respeito do desenvolvimento desta atividade 
produtiva no Estado. “Entendemos, a partir desta pesquisa, que a exploração em cadeia
do açaí não apenas enriquece a biodiversidade local, mas também impulsiona a economia
regional, evidenciando-se como um dos principais produtos de destaque para o desenvolvimento
econômico sustentável na região”, analisa.

**PRODUÇÃO –** O cenário da produção de açaí no Brasil revela uma ascensão notável
ao longo das últimas décadas. Entre 1987 e 2022, houve um aumento notável, com a
produção passando de 145,8 mil toneladas para impressionantes 1,9 milhão de toneladas,
um aumento de mais de 13 vezes em um período de 36 anos. Atualmente, o açaí cultivado
representa a parcela dominante da produção nacional, respondendo por impressionantes
87,3% do total. Grande parte deste feito está diretamente ligado ao Pará. 

Historicamente, o Pará é o primeiro colocado entre os maiores produtores brasileiros,
enquanto o Amazonas ocupa a segunda posição. Mas sempre houve uma discrepância na
produção do fruto entre os dois estados. A partir de 2015, com a implantação do 
sistema de açaí cultivado no país, a diferença cresceu ainda mais. Essa disparidade
ressalta não apenas as práticas distintas entre cultivo e a infraestrutura agrícola
nos dois estados, mas também a importância do Pará como líder incontestável na produção
de açaí no Brasil.

Em 2022, quatorze estados brasileiros contribuíram para a produção de açaí, com 
destaque para o Pará, que manteve sua posição de liderança com 90,4% da produção.
Em seguida, o Amazonas e o Maranhão ocuparam, respectivamente, o segundo e terceiro
lugares, contribuindo com 7,4% e 1,1% da produção total do país. Nessa análise, 
o Pará superou a média nacional de 13,8% em crescimento, fechando 2022 com mais 
14,1% de produção. Esse percentual significa um incremento bruto de 217,8 mil toneladas,
gerando o maior impacto positivo para o país.

Nove, dos dez municípios que mais produzem açaí no Brasil são do Pará. O município
de Igarapé-Miri desponta no topo do ranking, contribuindo com 21,7% da produção 
nacional, totalizando 422,7 mil toneladas. Os outros dois municípios mais representativos
também são paraenses: Cametá, com 8% da produção, e Abaetetuba, com 5,8%. No ranking
de maior crescimento de produção no período de um ano (2021-2022), os municípios
em destaque foram Mocajuba (514,4%), Bagre (115,1%) e Anajás (40,1%). Todos esses
municípios foram os principais responsáveis por impulsionar o resultado médio nacional.

**EXPORTAÇÃO –** Os produtos exportados derivados do açaí paraense saltaram, exponencialmente,
de menos de 1 tonelada em 1999 para pouco mais de 61 mil toneladas em 2023. Já no
Amazonas, os derivados do açaí passaram de menos de 1 tonelada para 57 toneladas,
no mesmo período. Quanto ao valor exportado, neste, observou-se que os produtos 
derivados do açaí paraense saltaram de US$ 1,00, em 1999, para quase US$ 45 milhões,
em 2023. Na economia amazonense, os derivados do açaí passaram de US$ 692, em 2002,
para pouco mais de US$ 93 mil, no mesmo período.

Outra valorização expressiva está nos preços praticados no mercado internacional.
A nota mostra que entre 1999 e 2023, os preços dos produtos derivados do açaí paraense
aumentaram em mais de 5.000%, indicando um forte processo de agregação de valor 
ao açaí do Pará comercializado com o setor externo.

“Outro ponto importante a ser destacado é que o Pará é o maior produtor do mundo
e uma referência internacional do açaí, mas outras regiões do país de clima até 
oposto ao nosso estão plantando açaí – e não queremos ver a história se repetir 
como aconteceu com a borracha, levada para a Malásia pelos ingleses e aniquilando
nossa economia da borracha. Precisamos certificar, criar um selo, identificar geograficamente,
capturar carbono, fazer manejo, investir em pesquisa e tecnologia, construir um 
Museu do Açaí e contar sua história e sua cultura, entre tantas potencialidades 
que essa fruta e sua identidade podem nos proporcionar econômica e culturalmente”,
complementa Márcio Ponte.

**O fruto é responsável por novos empreendimentos e novas frentes de trabalho**

Os três últimos Censos Agropecuários mostram aumento significativo de empreendimentos
associados à produção de açaí no Estado. De quase 13 mil, em 1996, o quantitativo
fechou 2017 com pouco mais de 81 mil estabelecimentos, o que representou um aumento
de 533% em 22 anos. Em comparação à realidade econômica do Amazonas, os empreendimentos
do Pará representaram quatro vezes o número existente naquele estado, segundo o 
último Censo.

No mercado de trabalho ligado ao açaí, o Pará apresentou variação positiva da ordem
de 864,5% no número de vínculos empregatícios formais, entre os anos de 2010 e 2022.
Entre 2021 e 2022, a variação, neste sentido, foi de 107,6%, passando de 288 para
598 vínculos, um aumento de 310 postos formais. Estes dados expõem a crescente participação
do cultivo de açaí na geração de empregos formais. Com base em cálculos estatísticos
abordados na nota técnica quanto ao estoque de vínculos formais no ano de 2022, 
foram criados 598 empregos diretos e 2.536 indiretos no cultivo de açaí ao longo
de toda a cadeia produtiva do fruto. A soma dos vínculos totaliza, portanto, 3.143
empregos gerados no setor.

**CRÉDITO RURAL –** A análise do crédito rural fornecido aos produtores ajuda a 
compreender as prioridades na produção de açaí por estado. Há uma disparidade significativa
entre o Pará e o Amazonas, maiores produtores do fruto no país. Os números mostram
que o Pará obteve um montante de recursos destinados ao crédito rural cerca de trinta
vezes superior ao destinado ao Amazonas no período analisado. 

Na distribuição das linhas de crédito, em 2023, no Amazonas, a linha de custeio 
predominou, representando 78,5% do crédito total, enquanto a linha de investimento
contribuiu com os restantes 21,5%. Por outro lado, no Pará, a alocação de recursos
foi significativamente diferente, com a linha de crédito de investimento representando
a maioria, ou seja, 81% do total destinado à cultura do açaí. Em contrapartida, 
a linha de custeio foi responsável por 19% do montante total disponibilizado. 

Os dados evidenciam variação na estratégia de financiamento, destacando a preferência
por diferentes tipos de investimento na produção de açaí. Enquanto no Amazonas o
foco parece estar mais no financiamento das despesas operacionais da produção, no
Pará há maior orientação para investimentos de longo prazo na expansão e melhoria
da infraestrutura para a cultura do açaí.

**ESPECIALIZAÇÃO –** O estudo apresenta ainda um dado inédito sobre os municípios
paraenses com potencial de especialização no cultivo e produção de açaí, considerando
a instalação de novos sistemas técnicos, inovativos e tecnológicos no campo, para
expandir níveis de intensidade e produtividade no setor. Sendo assim, em 2022, 14
municípios apresentaram níveis acima da média produtiva. Dentre esses municípios,
Igarapé-Miri, Bagre e Ponta de Pedras estão no topo da especialização produtiva 
do açaí. Já o município de Anajás apresentou maior aceleração e intensidade no processo
de especialização, seguido de Mocajuba.

A conclusão da análise, portanto, considera que estes 14 municípios altamente especializados
na produção de açaí devem ser priorizados nas tomadas de decisões de investimentos,
seja por agentes públicos que objetivem o desenvolvimento da cadeia produtiva dessa
cultura, seja por agentes privados que desejem a expansão de sua atuação no ramo
do açaí. 

“Esse estudo sobre açaí mostra claramente a grande liderança que o Pará tem na produção
do açaí, mas também nos mostra que, apesar dessa grande produção, há necessidade
da diversificação dos produtos a serem ofertados a partir deste fruto, a partir 
desta cadeia produtiva. A verticalização, a criação de novos produtos, vai garantir
não só a liderança na produção, mas também a liderança na exportação e a maior agregação
de valor a este produto da bioeconomia paraense”, avalia o presidente da Fapespa,
Marcel Botelho.

**_Fonte: Agência Pará_**
