# Número de casos de dengue em 2024 é 305% maior que em 2023

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- Published: 2024-02-15T11:28:00-03:00
- Author: Redação

O número de casos de dengue no Brasil em 2024, até a sexta semana epidemiológica,
foi 305% maior que no mesmo período de 2023. No total, o país registrou 524.066 
casos prováveis da doença neste ano, contra 128.842 no ano anterior. Os dados são
do Painel de Monitoramento das Arboviroses, divulgado pelo Ministério da Saúde.

Conforme a pasta, os estados que apresentam mais casos prováveis da doença são Minas
Gerais, (177.552 casos prováveis), São Paulo, (85.661), Distrito Federal, (65.847)
e Paraná, com 56.559 casos prováveis de dengue. A incidência da doença é maior em
Distrito Federal, Minas Gerais e no Acre, que já declararam situação de emergência
para a dengue.

De acordo com a diretora do Comitê de Imunização da Sociedade Brasileira de Infectologia,
Rosana Richtmann, alguns fatores podem ter tido influência direta no aumento, como
a variação climática e o maior volume de chuvas.

“A gente sabe que a fêmea do mosquito Aedes aegypti se replica mais fácil em ambientes
quentes — e foi o que vimos esse ano devido ao fenômeno El Niño e muitas chuvas.
Com isso, você encurta o tempo em que ela faz para colocar os seus ovos, então a
quantidade de vetor nesta época do ano aumenta bastante. A pandemia tem também seu
papel nisso, porque nós sabemos que durante 2020, 2021 e praticamente 2022, a preocupação
foi basicamente com a Covid-19 e os próprios agentes de saúde acabaram não conseguindo
entrar nas casas, fazer orientação habitual. Mas o impacto maior, na minha opinião,
são as questões climáticas”, ressalta.

Ainda conforme o painel epidemiológico do MS, 75 mortes pela doença foram confirmadas
e 346 estão sob investigação. O coeficiente de incidência de casos no país é de 
258,1 a cada 100 mil habitantes. Além das medidas de prevenção que a população pode
adotar nas suas casas e pátios para evitar a proliferação do mosquito da dengue,
a infectologista destaca que é importante ter algumas medidas para proteção individual.

“Infelizmente, a essa altura que a gente já está cheio de casos e cheios de vetor,
eu acho que o mais importante agora é a barreira individual, principalmente as pessoas
de maior risco, que são os idosos, as crianças pequenas, as gestantes. Ou seja, 
passar repelente na frequência em que o fabricante orienta e também usar de preferência
roupas claras, mangas e calças compridas para evitar a picada da fêmea do Aedes 
aegypti. Do ponto de vista de você não ter criadouros em volta da sua casa, também
é muito importante que você não deixe água parada. Todas as orientações que a gente
já sabe em relação a isso”, explica.

**Vacinação contra a dengue**
Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 3,2 milhões
de pessoas devem ser vacinadas ao longo de 2024. O lote inicial de vacinas, com 
712 mil doses, já começou a ser distribuído para as unidades da federação selecionadas
pela pasta.

Na última quinta-feira (8), Goiás e Distrito Federal receberam as primeiras doses
para a vacinação contra a dengue, para a faixa etária de 10 a 11 anos. Na Bahia,
Mato Grosso do Sul e em São Paulo, os primeiros lotes chegaram na última sexta-feira(
9). No sábado (10), foi a vez do Amazonas receber a primeira remessa do imunizante.
Já no Maranhão e Paraíba, os lotes chegaram na segunda-feira (12). No Acre, a primeira
remessa chegou na terça-feira (13). No Rio Grande do Norte, a previsão de entrega
é para esta quinta-feira (15). Para os demais estados priorizados pelo Ministério
da Saúde, a previsão é que todos recebam doses para a vacinação nos próximos dias.

A vacinação no DF iniciou na sexta-feira (9). Segundo a Secretaria de Saúde do DF,
até a segunda-feira (12), cerca de 10 mil crianças já tinham sido imunizadas. A 
secretaria ainda informou que “a procura pelas vacinas da dengue, considerando o
período festivo, está dentro do esperado”. No Mato Grosso do Sul, a vacinação iniciou
no domingo (11). Já em Goiás e no Amazonas, a vacinação começa nesta quinta-feira(
15).

Na avaliação da infectologista Rosana Richtmann, apesar de importante, o impacto
positivo da vacinação não deve ser observado ainda este ano. “Em 2024, nós não vamos
ver o impacto da vacina contra a dengue porque o quantitativo é muito reduzido. 
Uma pequena parcela da população será vacinada e esse impacto não será sentido em
2024, mas é o primeiro passo”, diz.

Para 2025, o Ministério da Saúde já contratou 9 milhões de vacinas junto ao laboratório
japonês Takeda.

**Sinais e sintomas**
Apesar de os sintomas da doença serem muito semelhantes aos
da gripe e da Covid, a infectologista explica que a principal diferença é que os
sintomas da dengue não apresentam um quadro respiratório.

“Em relação aos sintomas da dengue, o mais importante é a febre de início agudo,
de início abrupto. Essa febre é acompanhada de dor de cabeça, dor atrás dos olhos,
dor no corpo, muita mialgia. Pode ser acompanhada de náusea e vômito. E depois do
segundo ou terceiro dia, você pode apresentar também uma erupção na sua pele, que
pode ou não coçar. O mais importante nesse momento que nós estamos também vendo 
o aumento do número de casos de Covid é que a Covid costuma dar sintomas respiratórios
como coriza, a tosse, dor de garganta — e a dengue, não”, explica.

De acordo com Richtmann, é preciso procurar atendimento médico a qualquer sinal 
de febre, principalmente se a pessoa estiver em locais com alto número de casos 
da doença.

“Se você tiver com uma suspeita, você mora num local onde está tendo caso de dengue
e começa com uma febre de início abrupto; primeira coisa é iniciar a hidratação.
A hidratação é fundamental na dengue no sentido de evitar as complicações — e, claro,
procurar um serviço de saúde para poder ser classificado em termos de risco e receber
orientação adequada”, destaca.

Com suspeita de dengue, a moradora de Brasília, Distrito Federal, Mariana Alves,
de 23 anos, conta que teve a doença pela primeira vez durante a pandemia de Covid.
Ela relata que, mesmo após tratar a doença, apresentou sintomas tardios.

“O tratamento foi água, foi repouso. Eu fiquei internada porque como não estava 
conseguindo comer, eu estava bem desidratada. E ainda para piorar, eu tive o pós-
dengue. Tive uma hepatite medicamentosa porque eu não podia tomar dipirona. Então,
durante todo o meu tratamento da dengue com as febres, dores, etc. tive que tomar
paracetamol, que é uma bomba para o fígado. Ainda tive que tratar um mês essa hepatite.
Algo que eu não sabia e eu acho que ainda muita gente não sabe é que a dengue, assim
como a Covid, gera queda severa de cabelo. Então eu tive alopecia depois de 3 meses”,
conta.

Fonte: Brasil 61
