# O início do fim: novo estudo alerta sobre o declínio do cultivo de peixes na Amazônia

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- Published: 2024-08-08T20:56:56-03:00
- Author: Redação

O cultivo de peixes nativos na Amazônia não tem recebido a merecida atenção dos 
governos federal e estaduais, considerando seu potencial econômico e baixo impacto
ambiental. É o que mostra o novo estudo do Instituto Escolhas, “Solução debaixo 
d’água: o potencial esquecido da piscicultura amazônica”, lançado nesta quinta-feira(
08/08), que traz um levantamento inédito sobre o atual panorama da piscicultura 
de espécies nativas nos nove estados da Amazônia Legal.

O mapeamento geoespacial identificou 76.942 hectares de lâmina d’água naquela região
e 61.334 empreendimentos de piscicultura – um número 39% maior do que mostra o Censo
Agropecuário. “A ausência de dados robustos e atualizados do setor, que envolvam
mais do que o volume de produção, foi um dos grandes desafios da pesquisa e já é
um sinal, por si só, da pouca atenção recebida pela piscicultura por parte do poder
público”, pontua Sergio Leitão, diretor executivo do Instituto Escolhas.

Segundo o estudo, o cultivo de peixes nativos da Amazônia é viável economicamente,
tem a vantagem de usar até 10 vezes menos espaço para produzir a mesma quantidade
de carne que a pecuária extensiva e pode gerar uma renda significativa – especialmente
para os pequenos produtores, que respondem por 95,8% das propriedades mapeadas. 
Para isso, no entanto, a atividade precisa alcançar novos mercados para se manter
relevante regionalmente e ganhar competitividade no cenário nacional.

“Um avanço consistente no mercado nacional depende da resolução de dois gargalos:
solucionar os problemas responsáveis pela baixa produtividade, como a falta de acesso
à assistência técnica adequada, e aumentar a produção, que oscila entre 160 mil 
e 175 mil toneladas anuais desde 2015. Para efeito de comparação, somente o estado
do Paraná, maior produtor de peixes do país, produziu 150 mil toneladas em 2022”,
afirma Sergio Leitão, diretor executivo do Instituto Escolhas. O estado de Rondônia
detém a liderança da produção regional, tendo produzido 57,2 mil toneladas, também
em 2022.

De acordo com a pesquisa, os empreendimentos de piscicultura na Amazônia têm, em
média, 19% de área inativa. Esse percentual chega a 20% nas pequenas propriedades.
Isso acontece porque, no atual contexto de pequena produção e baixa produtividade,
o investimento necessário para manter os tanques ativos não compensa. Os estados
do Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Roraima foram diagnosticados com baixa
produtividade (2,5-4,9 toneladas de peixe/hectare/ano). Isso significa que eles 
poderiam aumentar a produção local sem expandir a lâmina d’água, apenas combinando
a reativação das áreas não usadas com estratégias de aumento da produtividade, como
assistência técnica e o uso de ração e alevinos de melhor procedência.

O acesso ao crédito, que poderia mudar essa realidade, emerge como mais um gargalo,
principalmente devido à necessidade de regularizar o empreendimento para acessar
o recurso. Em 2022, pouco mais de R$ 189 milhões (ou 28,4% do total nacional) foram
efetuados em operações de crédito para custeio de piscicultura na Amazônia Legal.
Em termos de investimento, os estados da Amazônia Legal participaram apenas com 
R$ 5,3 milhões ou 10,5% em relação ao total nacional.

Além da falta de dados, da saturação do mercado regional e da baixa produtividade
decorrente da ausência de assistência técnica e infraestrutura, outros dois fatores
ajudam a explicar a situação atual da piscicultura amazônica: o desinteresse dos
governos estaduais e federal em reconhecer o potencial da piscicultura e investir
no setor e o marco regulatório defasado de alguns estados. Combinando as tendências
atuais verificadas em cada estado, o estudo prevê um crescimento de 175 mil toneladas
para 183 mil toneladas nos próximos dez anos, ao fim dos quais, o setor terá crescido
apenas 4,6%.

“Temos milhares de pequenos piscicultores na Amazônia que se mantêm atuantes apesar
da falta de acesso à assistência técnica e infraestrutura e da ausência de visão
dos governos locais sobre o potencial dessa cadeia produtiva e sua importância no
contexto regional”, finaliza Leitão.

Leia a íntegra do estudo [aqui.](https://escolhas.org/wp-content/uploads/2024/08/Sumario-Solucao-debaixo-dagua_o-potencial-esquecido-da-piscicultura-amazonica.pdf)
