# Operação “Erga Omnes” prende advogada santarena suspeita de integrar núcleo político do CV e lavar R$ 70 milhões

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- Published: 2026-02-23T11:00:22-03:00
- Author: Redação

A advogada santarena Adriana Almeida Lima, de 40 anos, foi presa na última sexta-
feira (20), em Manaus, durante a operação[ “Erga Omnes”, deflagrada pela Polícia Civil do Amazonas](https://oquartopoder.com.br/2026/02/20/operacao-desmantela-esquema-do-comando-vermelho-com-braco-politico-no-amazonas/).
Doutora em Direito e professora da Universidade do Estado do Amazonas, Adriana é
acusada de integrar o “núcleo político” da facção Comando Vermelho (CV), atuando
na engrenagem financeira de um esquema de lavagem de dinheiro que, segundo as investigações,
movimentou cerca de R$ 70 milhões desde 2018.

[A informação é do blog do Jeso Carneiro.](https://www.jesocarneiro.com.br/para/quem-e-a-advogada-e-professora-universitaria-de-santarem-presa-em-manaus-por-ligacao-ao-comando-vermelho.html)

Natural de Santarém, no oeste do Pará, Adriana construiu ao longo dos anos uma imagem
pública de prestígio acadêmico e influência política. Advogada, mestre em Direito
Ambiental pela UEA e doutora pela Universidade Federal de Minas Gerais, ela ocupava
posições estratégicas dentro da universidade, onde atuava como professora titular,
coordenadora do Núcleo de Prática Jurídica e integrante de comissões consideradas
sensíveis, como a Comissão Disciplinar, a Comissão Eleitoral e a Ouvidoria.

A operação teve início após a apreensão de mais de meia tonelada de skunk e sete
fuzis. A partir desse flagrante, as investigações avançaram e revelaram uma estrutura
considerada sofisticada, que utilizava empresas de fachada e contava, segundo a 
polícia, com a facilitação de pessoas infiltradas em órgãos públicos para dar aparência
de legalidade ao dinheiro oriundo do narcotráfico.

Relatórios de inteligência financeira apontaram Adriana como uma “peça-chave” no
esquema, responsável por transações milionárias que ajudariam a ocultar a origem
ilícita dos recursos. Para os investigadores, os títulos acadêmicos e a forte exposição
midiática funcionavam como uma espécie de “camuflagem social”, permitindo trânsito
em ambientes institucionais e políticos estratégicos.

Além da atuação na universidade, Adriana também teve passagem pela Assembleia Legislativa
do Amazonas (Aleam), onde exerceu a função de secretária de gabinete de liderança,
cargo que lhe garantia acesso aos bastidores do poder estadual.

A contradição entre a imagem pública e as acusações ganhou ainda mais repercussão
devido à participação da advogada na COP30, realizada em novembro de 2025, em Belém.
Integrando a delegação brasileira na categoria Sociedade Civil, ela se apresentou
como pesquisadora e especialista em gestão ambiental, defendendo projetos de governança
comunitária e debatendo temas como a BR-319 e o protagonismo dos povos amazônicos
no mercado de carbono.

Ao todo, a operação “Erga Omnes” prendeu 14 pessoas e cumpriu mandados em diferentes
estados. Em nota oficial, a Universidade do Estado do Amazonas informou que não 
se responsabiliza por atos praticados por servidores fora do âmbito institucional
e destacou que quaisquer ações realizadas pela professora fora das dependências 
da instituição são de responsabilidade exclusiva dela, reafirmando o compromisso
da universidade com a legalidade.

O QP não conseguiu contato com a defesa de Adriana Almeida Lima para apresentar 
o contraponto. O espaço segue aberto para manifestações e esclarecimentos.
